12 de jun. de 2004

Pensar globalmente e agir...

...localmente. Eis aí uma máxima da teoria marxista. Parece não haver dúvida quanto a sua justeza. Teoria, da boa sim, mas teoria. E muitos dos que a professam apontam as injustiças globais mas as praticam em casa.
Tarso Genro, conhecedor das teorias marxistas, autor da Utopia do Possível, é um exemplo pronto e acabado. Solta seu enxame de palavras, eficazes como abelhas africanas, para diagnosticar as mazelas que nos assolam, mas quando tem a oportunidade de mostrar que consegue ir além da teoria é um eficientíssimo... para seus financiadores.
Como Ministro da Educação, Tarso se sente melhor teorizando sobre os malefícios da dívida sobre a educação. Tarso poderia aterrizar e falar Globalmente do governo que participa, e agir localmente para amenizar o abismo que compartilha como co-feitor.
Diferentemente de Arquimedes, o ponto de apoio dos políticos, qualquer que seja, é a palavra. E com elas se movem no mundo.

10 de jun. de 2004

O sortilégio das palavras *

Já está, por certo, bem assentada entre os filósofos a idéia de que a mediação entre o homem e o mundo é dada pela linguagem. Na esteira da filosofia analítica, só existe o que pode ser dito, o que pode ser nomeado. É por isso que a palavra se constitui num poderoso instrumento para 'mudar' o mundo, um mundo que é fático, externo, mas de uma tessitura de signos lingüísticos que o encobre e o recobre, como a carapaça de um quelônio.

Da linguagem em geral derivam idiomas, línguas e dialetos. No RS, temos o privilégio de um idioma, o português; de uma língua, sua realização particular em terras brasileiras; e de um dialeto, o gaúcho, de vocábulos, prosódias e brocardos peculiares e sonoros.

Desse dialeto particular, avultam termos usados predominantemente por falantes de determinadas regiões, de escassos registros ou de existência puramente oral. Na região da campanha, por exemplo, englobando Alegrete, Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Santiago, são pródigos termos como 'canchear' (admoestar), 'cristear' (enganar), 'canhar' (mesquinhar), desconhecidos nos demais recantos do Estado. Acresço, ainda, aleatoriamente, o termo 'chueco' (algo como 'estragado'), que nunca vi registrado em dicionário algum.

Tais reflexões acerca das palavras me vieram a propósito da luta quixotesca do músico e compositor Washington Gularte, uruguaio aqui radicado. Este poeta armou-se e enamorou-se de um neologismo e tem desafiado dragões e corsários, mares e desertos, para levá-lo aos ouvidos de sua musa. Até onde irá, só o sortilégio que reveste a sorte e a vida das palavras poderá dizê-lo.

E qual é a criação de sua pena e gênio que o tem impelido a tantas batalhas e cruzadas de temerária sorte? É a palavra 'sureado', que vem de 'sul', o mesmo Sul de Sérgio Jacaré, de Jorge Luís Borges ou de Roberto Goyeneche. Para ele, assim como 'oriente' gerou 'orientado' e 'desorientado' e 'norte' plasmou 'desnorteado', há uma acepção à espera de 'sul', que viria a ter o sentido de 'fraterno', 'solidário', 'irmanado', enfim, 'sureado'.

Já disse o escritor Adolfo Bioy Casares que as mulheres e os gatos vêm quando não os chamamos. Dessa rebeldia partilham as palavras. E elas têm o condão de escolher seu sedutor. Os poetas que o digam.

* Landro Oviedo , professor, escritor

Churchill x Bernard Shaw

Muitas piadas de salão tem como personagem central o dramaturgo George Bernard Shaw (1856-1950). Esta consta da revista História Viva nº 8.
Conta que o dramaturgo enviou ao estadista britânico W. Churchill dois ingressos para a estréia de uma de suas peças, com um bilhete: "Aí estão um ingresso para o senhor e outro para um amigo - caso o senhor tenha um...". E Churchill: "Lamento não poder assistir à estréia de sua peça, pois já tenho outros compromissos, acrescentando: "Agradeceria se me enviasse dois ingressos para a apresentação seguinte - caso haja uma..."
É o famoso humour inglês. A considerar: Shaw era socialista, Churchill, oportunista que compactuou tanto com Hitler quanto com Stalin.

9 de jun. de 2004

Confiteor

Flávio Aguiar, professor de Literatura, petista de carteirinha e colunista da Agência Carta Maior, não necessariamente nesta ordem, faz às vezes de escudo petista. Papel inglório: defender o indefensável.
Antes já havia pego com a mão na botija, tentando descontruir a condidatura peemedebista em Porto Alegre. Aguiar não convencia, apenas descontruia.
Agora, vendo o estrago mas não admitindo, tenta nos convencer, os traídos, a sermos complacentes com os traidores. "Não é hora de escolher com o amargor nem com a decepção."
Não poderia ter sido mais claro. O PT deixou um lastro de amargor e decepção. E, apesar disso, quer que tecemos encômios a mau defunto. Infelizmente, a "pedagogia do oprimido" de hoje é aprender com o algoz. Nada de "síndrome de Estocolmo". Virar a outra face não passa de puro masoquismo.
O PT precisa aprender, e vai ter a lição que precisa, quando vier pedir votos. Até lá, pode estufar o peito e se deslumbrar.

THorto Aracruz

Na biografia de Alexandre Magno, Arriano diz que o conquistador macedônico agia sempre com magnanimidade frente aos sábios que encontrava pelo caminho. Talvez tenha sido uma lição de seu preceptor, Aristóteles. Na Índia, Alexandre pretendia incorporar ao Estado Maior um sábio hinduista. Este, fazendo jus ao que de fato era, refuto o convite: "Não me ofereças o que não me podes dar."
A Companhia Aracruz Celulose, com nome brasileiro, mas lucro e administração escandinava, nos oferece o que não nos pode dar. Hortos florestais onde "voejam" e "pastorejam" animais silvestres. Tudo muito bonito, como se fossem um ONG ambientalista.
Nem parece que não produzem celulose!
A propósito: O que acontece com tais animais quando os hortos viram papel?

7 de jun. de 2004

Rohter e Judith Miller, farinha do mesmo saco

Argemiro Ferreira (Tribuna da Imprensa, 31/05/2004) - Mesmo depois do espetáculo de histeria patrioteira que comprometeu a totalidade da grande mídia dos EUA depois do 11 de setembro, ainda continuei entre aqueles que respeitavam o "New York Times", como o "Washington Post", o "Los Angeles Times" e mais um ou outro, pela tentativa nem sempre bem sucedida de manter o padrão elevado de seu jornalismo. Hoje, nem tanto.

Os escândalos Jayson Blair e Rick Bragg expuseram um dos pecados maiores do "Times" e da corrente principal da mídia - a arrogância. Daí porque a autocrítica e o pedido de desculpas foram insuficientes e chegaram muito tarde. O jornalão auto-suficiente teve de reconhecer o óbvio (a culpa do escalão superior, Howard Raines e Gerald Boyd) e afinal criou o que repudiava: o "ombudsman", com outro nome.

O novo capítulo da lambança, com o tardio reconhecimento de que o "Times" foi usado para disseminar mentiras destinadas a favorecer a obsessão oficial de fabricar a guerra do Iraque, é ainda mais grave. Do alto de sua arrogância o jornal deixou de contar a história direito. Tentou culpar os já punidos do caso Blair-Bragg e ainda repartir seus erros com os de outros impérios de mídia (culpados sim, mas de outros).

Assumindo as mentiras de Bush
A despersonalização da autocrítica foi mero truque para ocultar parte da verdade. O texto tardio dia 26, assinado pelos "editores", não cita um único profissional responsável. O "Times" sabe que há casos bem específicos e que os escorregões foram denunciados repetidamente - e defendidos com arrogância, da mesma forma como se fez na lambança recente do correspondente no Brasil, Larry Rohter.

Antes da guerra do Iraque, cheguei a contar nesta coluna o episódio da cobertura de um protesto de rua em Washington. O "Times" ridicularizou os manifestantes com uma cobertura desonesta, a ponto de dizer na abertura que os organizadores, desapontados, reconheceram que havia menos de 10 mil pessoas. Mas a polícia da capital calculara 100 mil, acrescentando ter sido o maior protesto desde o Vietnã.

Para os organizadores, o ato tinha sido um sucesso acima de todas as previsões, com 200 mil manifestantes. Bombardeado por número devastador de reclamações em cartas à redação e após dura crítica da organização Fair, o "Times" refez tudo: uma semana depois publicou outra cobertura do mesmo fato e sequer explicou ao leitor a razão para algo tão insólito, digno de um registro na história do jornalismo.

Ainda mais chocante foi a jornalista Judith Miller, ganhadora do prêmio Pulitzer (como Bragg), assumir depois, em textos de primeira página, as mentiras do governo Bush sobre armas de destruição em massa (ADM) do Iraque e ver o escalão superior do jornal vir em socorro dela, como fez com Rohter, quando o que escreveu foi desafiado publicamente.

A hora das desculpas esfarrapadas
Só que aquelas supostas verdades definitivas, como o pretenso jornalismo íntegro, não passavam de fraude e manipulação. Miller prestara-se a veicular o que lhe era dito por fontes consideradas pelo bom senso (e ainda pelo Departamento de Estado e pela CIA) indignas de um mínimo de crédito, o lobista Ahmad Chalabi e sua gente. E obtinha confirmação da mentirada irresponsável no Pentágono, que apadrinhava Chalabi.

Antes mesmo de ser publicamente denunciada pela leviandade jornalística, Miller foi contestada pelo próprio chefe da sucursal do "Times" em Bagdá, John Burns. E respondeu a ele, em email, que durante 10 anos usou informações de Chalabi, que lhe fornecera "a maioria de minhas reportagens exclusivas de primeira página". Até que em dezembro de 2003 publicação séria e respeitada devassou o trabalho dela.

A primorosa análise de Michael Massing na "New York Review of Books" (título: "Now They Tell Us") não se referia só ao "Times", mas destacou o escandaloso caso Miller - o que levou leitores a cobrar do ombudsman (perdão, "editor público") Dan Okrent. Ele entrou em contato com a jornalista e Miller limitou-se a enviar meia dúzia de linhas, com desculpas esfarrapadas, ao NYRB.

A arrogância dela e da direção do jornal prevaleceu até a casa de Chalabi, suspeito de espionagem a favor do Irã, ser vasculhada em Bagdá. Isso levou o "Times" a criticar o governo (no editorial "Friends Like This", a 21 de maio) por ter voluntariamente comprado as informações falsas de Chalabi, que recebia US$340 mil por mês do contribuinte. Em seguida o jornal se lembrou: devia explicação aos leitores.

Órgão de propaganda do governo?
O insuficiente e tardio mea culpa, dia 26, exalou arrogância. Embora a edição online do jornalão tenha citado (com links e tudo) muitas matérias duvidosas, de 2001 a 2004, o texto "dos editores" colocou-se acima de tudo, com inexplicável ar de superioridade. E havia casos tão inacreditáveis como aquele no qual Miller sequer tinha falado com uma suposta fonte: simplesmente a pessoa lhe fora apontada de longe.

Pelo que se sabe, Miller, os outros jornalistas e seus superiores continuam firmes no emprego (Raines e Boyd saíram, mas pelo escândalo anterior). Ao menos os leitores perceberam o absurdo. "Insuficiente embaraço", disse um em carta saída no dia seguinte. "Conscientemente ou não, o jornal se deixou usar como órgão de propaganda para o governo bater o tambor e produzir sua guerra no Iraque".

Outro leitor declarou-se desapontado por "vocês terem esperado Chalabi cair em desgraça para reconhecer a natureza duvidosa das informações dele e o excesso de dependência dos repórteres naquilo que dizia". Mais lúcida ainda foi a leitora Anne Travers: "A autocrítica mostra como imprensa e Congresso nos falharam quando o governo começou a rufar os tambores da guerra há dois anos".

Vale a pena juntar Rohter, Miller e o resto. A tentação de se deixar manipular, de fazer o que o governo quer, é sempre grande, por isso mestre I. F. Stone alertava: "Seja cético, o governo mente". Quando Rohter rufa tambores na Venezuela, chamando golpista de democrata e presidente eleito de ditador, e no Brasil, sobre supostas armas nucleares e Lula, é bom a gente se preparar para o pior - até nova fraude de ADM com as bênçãos do "Times".

Yo non creo en brujas, pero...

Obessão de Kissinger, censor da mídia, é falsificar a HistóriaNOVA YORK (EUA)07/06/2004 - No país que se apresentava ao mundo como exemplo de respeito à liberdade de imprensa, jornalistas sucumbem hoje à tentação de se tornarem meros apêndices patriotas da política externa oficial. Como Larry Rohter, em textos sobre Brasil, Venezuela e Colômbia. Ou Judith Miller, nas reportagens que tentaram tornar realidade a fantasia guerreira das armas nucleares, químicas e biológicas do Iraque.

Não é de estranhar, assim, que heróis da liberdade de expressão e da imprensa livre tenham agora de ser encontrados fora das redações. Quero render homenagem a um deles, que respeito há anos como acadêmico e autor de excepcional capacidade, rigor e talento: o professor Kenneth Maxwell acaba de demonstrar que sua integridade e seriedade intelectual não estão à venda como a de certos levianos da mídia.

Britânico de nascimento, 63 anos, esse pesquisador e historiador a quem o Brasil, Portugal e a América Latina devem obras preciosas que devassaram os autos da Inconfidência Mineira e reavaliaram o legado singular do Marquês de Pombal, deixa de ser "scholar" residente do Council on Foreign Relations para não se submeter aos que insistem em reescrever a História a fim de falsificar a própria imagem duvidosa.

Receita para esconder a verdade
Falta aos que agem assim coragem suficiente para o confronto aberto. Hoje o mais conspícuo deles é o ex-secretário de Estado Henry Kissinger. Acostumou-se a agir na sombra e usar gente como ele, sem apreço pela verdade histórica ou pela honestidade intelectual. Expus aqui há dois anos, em mais de um artigo, expedientes a que recorre essa figura patética, de período melancólico, na obsessão de adulterar a História.

Primeiro Kissinger tentou impedir, para tanto indo à última instância judicial, que o público tivesse acesso ao conteúdo de documentos e gravações de sua época na Casa Branca e no Departamento de Estado. Perdeu a batalha mas protelou por mais alguns anos o sigilo oficial sobre o papel dele em episódios como o golpe do Chile, o banho de sangue na Argentina, o bombardeio secreto do Camboja, o massacre do Timor etc.

O mundo suspeita de que não passa de um criminoso de guerra. Ele próprio está consciente, desde que deixou Paris às pressas a fim de escapar a intimação de um juiz para depor, que já não pode circular livremente fora de seu país. Mas dentro dos EUA, Kissinger tem inacreditável influência e o estranho poder de censurar a mídia - como acaba de fazer mais uma vez, agora tendo como alvo o professor Maxwell.

O confronto se arrastava desde novembro, quando "Foreign Affairs" - a revista de política externa mais importante do país, editada pelo Council - publicou resenha de Maxwell sobre o livro "The Pinochet File: a declassified dossier on atrocity and accountability" (O Arquivo Pinochet: um dossiê desclassificado sobre atrocidade e responsabilidade), de Peter Kornbluh, analisando documentos até então secretos.

A duras penas, como dente podre
Kornbluh dirige o Projeto Chile do National Security Archive, grupo privado que obtém a liberação de papéis (com base na FOIA, Lei de Liberdade de Informação) e os oferece ao público, com sua análise. A resenha de Marxwell era sóbria e séria. Se elogiava o esforço para se saber mais sobre o episódio, também se distanciava das posições do autor. Mas falava do papel que Kissinger sempre tinha tentado negar.

Foi o bastante para despertar a fúria do todo-poderoso censor da História. Não veio diretamente de Kissinger, mas de seu empregado William Rogers - secretário assistente para assuntos hemisféricos (1974-77) quando Kissinger era o secretário de Estado, hoje servindo à firma Kissinger Associates, que faz "lobby" milionário pelo mundo em favor de negócios de corporações transnacionais americanas.

Num pugilato com os fatos Rogers recorreu à tática macarthista da insinuação torpe e acusou Maxwell de se juntar à esquerda (haverá crime mais hediondo?) para perpetuar o suposto mito do papel dos EUA no golpe pinochetista. Talvez não esperasse a resposta contundente do professor, que ousou referir-se ao assassinato do general René Schneider, à Operação Condor e à bomba que matou Orlando Letelier.

O golpe foi demais para Kissinger. Pois o professor atrevido sugeria até que os americanos precisam de uma "truth commission", como as criadas em países recém-saídos de tiranias e empenhados em descobrir a verdade, pois nos EUA ela "está tendo de ser extraída a duras penas, como dente podre". A resposta de Maxwell, no número de janeiro-fevereiro da "Foreign Affairs", indignou a dupla Kissinger-Rogers.

Acobertando os crimes do vilão
Uma nova carta, recebida a 4 de fevereiro e outra vez assinada por Rogers, foi lida por Maxwell. Na resposta, de seis parágrafos, ele destacou que "Rogers não pode fornecer um escudo eterno atrás do qual o patrão possa esconder-se". Mas o número de março-abril da revista deu a Rogers (leia-se: Kissinger) a última palavra. E sonegou solenemente ao leitor a resposta do professor.

É uma agressão primária à ética, mais grave ainda porque Maxwell é responsável há anos pelas resenhas sobre os temas latino-americanos da revista. Ninguém de bom senso joga pela janela um emprego como o desse professor no Council. Mas foi exatamente o que ele fez, em nome da própria integridade e de uma trajetória acadêmica que já incluiu Yale, Princeton e Columbia, jóias da coroa Ivy League.

A Universidade de Harvard, talvez tão chocada como outros admiradores dele com a injustiça insólita, apressou-se a atraí-lo para o Centro David Rockefeller de Estudos Latino-Americanos. Maxwell sai de Nova York mas continua próximo, em outra grande instituição exemplar. E na certa não nos privará das colaborações regulares para "New York Review of Books", outra publicação respeitada internacionalmente.

4 de jun. de 2004

É fogo

Onde há fumaça há fogo, diz o ditado. E por qualquer canto do PTismo desvairado há fumaça de corrupção. Até agora sempre aparece apenas o nome do sombra, o auxiliar. Essa gente descuidada não sabe mesmo escolher amigos...
Então, como posso eu aceitar a idéia destes desvairados de criarem 4 mil cargos em comissão? Todo mundo sabe que cargo em comissão é sinônimo de "cargo de confiança", de livre noemação. Em quantos Valdomiro Diniz, Luiz Cláudio Gomes e Laerte Correa Júnior isso pode dar. Se desconhecem o comportamento de companheiros de quarto & sala, durante anos, de onde sai a cartola que diz que o nomeado é de confiança. Certamente que é para prestarem os mesmos serviços que os nomeados acima... até serem pegos, claro.
A inflação sobe, menos que os preços e tarifas, mas sobe. A violência sobe no mesmo patamar. E o salário mínimo, assim ó!
O Brasil pega fogo por todos os cantos, com roubo, assassinato, corrupção e o petismo vira PesTismo. Infesta, ofende, imPesTa!
E o Lula acendendo seu charuto na fogueira das vaidades.

3 de jun. de 2004

Live or dead

Os EUA se firmaram, e influenciaram o mundo após sua independência, através da máxima liberal "live and let live", viva e deixe viver. É claro que só dizia respeito ao círculo da elite branca. Índio bom era índio morto, pois sobravam as terras para os predadores brancos. Já os negros eram bons mortos... melhor se fosse de tanto trabalhar para os brancos. A filosofia inicial, que serviu de base filosófica para a Independência virou curiosidade acadêmica.
Primeiro foram as lutas internas, dia e noite se matando. Pegaram gosto pelo gosto, e, como Serial Killers (a origem da expressão não poderia ser de outra língua...) saíram pelo mundo matando quem não se enquadra como vassalo dos "comedores de bacon".
No Vietnã, Coréia, Afeganistão, Somália, Guatemala ou Iraque o lema é "dead or dead". Mas tudo a sangue frio, posto que o uso da razão não permite emocionalismos.

O quero-quero Guardião

A insegurança chegou aos cargos da Polícia Civil e da Brigada. Enquanto a população sofre, dia e noite, o aumento da violência, pois os bandidos são "grandes por que são unidos", as duas principais corporações disputam o privilégio do voyerismo auricular.
Há um sistema de escuta denominado Guardião. É a coqueluxe do momento no meio policial. Através dele corre a principal forma de atuação das polícias: é o famoso grampo telefônico com nome superlativo.
Bons tempos aqueles em que o Guardião das Coxilhas era o Quero-quero. Hoje, BM & PC só têm ouvidos para o Guardião.
Alguns dias atrás roubaram meu carro na Ramiro Barcelos. Coisa de profissional. Na Delegacia, o plantonista, com quem fala da neblina deste final de outono, informa que são entre 5 e 32 os roubos diários só na Ramiro. Aliás, a campeã depois que a corporação dos "puxadores" passaram a trabalhar unidos pelo Rio Grande afora.
Eu continua esperando por um Reportagem Especial da Zero Hora denunciando a grande organização da bandidagem que guia, unida e forte, a Segurança Pública no RS.

2 de jun. de 2004

Escape desta, Scapaticio!

A CPI da Pirataria prendeu um Chinês, Law Kin Chong, que tinha na pirataria o seu negócio da China.
Este é o país da piada pronta! A Polícia Federal deu o nome de Operação Gatinho, pois Chong, uma chonga quase songamonga, era chamado pelo seu advogado, Elcio Scapaticio, de Tigresa. O advogado Scapaticio perdeu a oportunidade de aplicar ao seu cliente um apelido mais adequado: Panda! O meigo ursinho comedor de broto de bambu. Em extinção na China, agora em cativeiro no Brasil...
Não são uns piadistas estes fofos?!

1 de jun. de 2004

Pálida

Quem quiser tem uma pálida idéia das idéias pálidas a respeito do pálido salário mínimo proposto pelo pálido Governo Lula que consulte a reunião dos participantes da mesa que trata do assunto:
Segundo a Folha de São Paulo (01/06/2004), "participaram da reunião, além de Lula e Aldo, o vice, José Alencar, Antonio Palocci Filho (Fazenda), Luiz Dulci (Secretaria Geral), José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo)".
Só estava lá quem interessa ao fiscalismo, ao economicismo, ao superavitismo primário (dos primatas). A participação de Ministros da área social é tão rara quanto a mico leão dourado. Até o (ir)responsável pela Comunicação do Governo estava. Por que será? Sem não pode aumentar o salário mínimo,a principal ferramenta de distribuição efetiva de renda, para que serve um governo de esquerda? Para fazer melhor o que a direita já fazia muito bem: ajudar banqueiro.
Renovando conceito: Ao invés de nada mais conservador do que um liberal no poder, nada mais direitoso que um petista no poder!

Agora me digam: Por que o PT ainda mereceria voto de confiança, seja Federal, Estadual ou Municipal?