28 de jun. de 2004

Gangsterização do petismo

Coisas que eu gostaria de dizer e teria dito de outra maneira, menos clara e mais enfática:
A gangsterização do petismo é o fenômeno mais relevante da política brasileira nos últimos anos. O barateamento sumário das aspirações coletivas de que o partido era o maior portador é a face mais visível de uma conversão política sem precedentes, a qual acanha e acanalha os horizontes do país e vai transformando-o, aos olhos do mundo, num "suave fiasco", segundo a boa definição recente de um embaixador. É possível que a ressaca social resultante desse fenômeno, que apenas começa a ser sentida, já se materialize no resultado das eleições deste ano.
Fernando de Barros e Silva, na Folha de São Paulo, 2806/2004

A Oportunidade

Uma batalha não a guerra, mas diz muito sobre os envolvidos. A batalha petista, com lances de fisiologismo explícito no Congresso, foi uma vitória de Pirro, pois, como Pirro, pode proclamar: "Com mais uma vitória como esta estarei perdido."
Lula e entourage sabem que o gato não só subiu no telhado como só não caiu porque está com a patinha presa na telha. Qual ventinho vira tempestade.
A situação, que vai se afunilando conforme o tempo vai passando, está como aquela de Atenas após a batalha de Queronéia, resumida assim por um dos estrategos:
"Se tivéssemos perdido, estamos perdidos." Nem a vitória os salvava, posto que se mantinha apenas uma situação insustentável, a decadência generalizada da classe dirigente provocada pela promiscuosidade dos estrategas.

27 de jun. de 2004

Transgênicos

Assim como o chimarrão e o churrasco, os transgênicos estão dentre as coisas tipicamente gaúchas. Recebe do coronelismo eletrônico, associado ao coronelismo agrário, a benção e a divulgação para tornar uma mentira uma verdade. Ao estilo Goebbels. Lá como cá, a mentira tem pernas curtas.
Os olhos amendoados dos chineses não impedem a visão e seu senso de saúde, milenar, não descura sequer com um grão de soja. A vanguarda do atraso, da Campanha, Coxilhas e Torres de TV, pretendiam enganar os chineses misturando soja boa com soja transgênicas. Prejudicaram os que produziam soja boa, lançou lama sobre a honestidade de todos os brasileiros diante dos chineses, e botaram os gaúchos como seres abjetos que misturam veneno com comida.
O coronelismo eletrônico, que deveria exercer seu papel informativo, continuou seu método manipulativo e ajudou a fraudar a verdade.
Para dar clima globalizado, o Governo Federal legitima a barbárie. Não bastasse o deputado Paulo Pimenta, petista de bolso e prontuário, fazer a defesa da sujeira, o Governo como um todo peca por omissão, certamente convencido por comi$$ão. A união da vanguarda do atraso do coronelismo gaúcho, com o atraso da vanguarda petista no Planalto só poderia resultar numa desinformação transgênica generalizada.

26 de jun. de 2004

Nota Zero

Professor Luizinho, como é chamado o desvairado petista paulista, saiu-se com esta, na defesa do "mínimo" lulista:
- Com inflação e salário mínimo maior, "quem paga a conta no final é a classe mais pobre."
- Resposta certa, professor.
Com inflação e com salário, ainda se pode pagar conta. Sem salário, nem com e nem sem inflação, se pode pagar conta. Com a inflação baixa, o novo credo petista, somente o desemprego tem crescido. Agora me explique, professor, como um desempregado paga conta?
Esta relação do mínimo com a previdência é outra assustadora mistificação, como o Monstro do Lago Ness. Ao cabo, estes desabusados estão cuspindo na nossa inteligência.
Que venha outubro!

22 de jun. de 2004

Leonel Brizola (1922 - 2004)

AS POMBAS

Vai-se a primeira pomba despertada ...
Vai-se outra mais ... mais outra ... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada ...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...

Raimundo Correa (1860 - 1911)




Vão-se os Políticos, ficam os políticos. Vai a coerência, ficam as incoerências. Quanto injustiça! Vai-se Brizola, sobram Malufs, Lulas, e Éfe Agás...
O único problema do Brizola foi cercar-se de políticos da pior espécie que, ao se venderem, diminuiam Brizola. Para tão poucos o ditado "Homem que se vende já recebe mais do que vale" se adequa tão bem quanto aos políticos que viviam a sua sombra.

20 de jun. de 2004

Jeca Tatu

O Lula pode e deve apanhar. Por quase tudo. Agora está apanhando pelo motivo errado. Estão criticando a festa junina do Lula por ser festa junina, e não por Lula festejar com nosso dinheiro. Se fosse a festa das brujas, esta tal ralaohímen (Holloween), que toda escola, desde o maternal, reproduz, aqui e alhures, nada diriam. Ou, se diriam, seria para elogiar. Macaquice!
Festa boa, é festa copiada, como o Natal cheio de neve no nosso verão tropical. Coisas nossas são rejeitadas pelo simples fato de serem nossas, não por suas deficiências. Sempre achei que os EUA não merecem respeito, muito menos seus cidadãos que por aqui passam, mas muito pior é esta tropilha de sabujos masoquistas que se fazem de tapete para qualquer idiota ou coisa alienígena. São capazes de admitir um ET em Varginha mas jamais aceitam um forró, festa junina ou fandango como algo com valor em si.
Gente estúpida!

Tu sabias que...

1) A cadelinha do Lula, Michelle, já andou de carro oficial?!
2) Lula, nacionalista afamado, fuma cigarrilhas holandesas Café Crème?!
3) Que a indústria nacional não produz um carro igual ao seu Ômega australiano?!
4) Que as motocicletas dos seus batedores são as famosas americanas Harley Davidson, de dar inveja nos road movie?!
5) Que seu portentoso avião foi comprado na Europa, pois os fabricados no Brasil não estavam a sua altura?!
Acredite se quiser!

Nada como um dia depois do outro

A respeito da matéria posta logo a seguir, fiz o seguinte comentário no sítio "www.comunique-se.com.br":

Crestani [12/06/2004 - 20:18]
(Freelancer)
O Jornal do Brasil fez o que Alberto Dines costuma fazer no Observatório de Imprensa. Ambos agem como donos, lá e cá, e, quando têm pela frente algo que se choca com seus interesses, degolam. Quando escrevia no Observatório, criticando os métodos da "famiglia" RBS, bastou um telefone dos colegas de religião para me mandar para o telhado. Da mídia para os políticos e vice-versa, todos mandam às favas os escrúpulos.


Dentro os jornalistas que se manifestaram destaco apenas os que têm a ver comigo:

Manoel Almeida [12/06/2004 - 22:13]
(Publicitário-Ama Propaganda - MG - Patos de Minas)

É isso aí, Crestani, Dines, JB, Folha etc. é tudo farinha do mesmo saco, e se estamos proibidos de dizer essas verdades lá, existem outros espaços verdadeiramente democráticos, e em número cada vez maior. Claro que não fomos os únicos a sofrer retaliações do Mausoléu da ImprenÇa ("caiado por fora, mas por dentro está cheio de toda espécie de podridão..."), nem é à toa que ele prestígio, sendo rápida e definitivamente suplantado pelo Comunique-se, onde o fluxo de informações e de idéias contrárias aos interesses das prima-donas do jornalismo tupiniquim é mais difícil de ser contido. Este espaço para jornalistas, embora ainda com inúmeras falhas, é o conceito que, verdadeiramente, mais se aproximou de um JORNALISMO INDEPENDENTE até agora. Deixemos os observadores, coitados, enganar-se a si mesmos, com seus delírios e prepotência.



Luiz Egypto [13/06/2004 - 01:19]
(Editor-Chefe / Coordenador de Conteúdo-Observatório da Imprensa - SP)


2 - E entenda que a Marinilda tem responsabilidades sobre a caixa postal do OI, e se reporta a mim, e nada do que ela decide é sem o meu conhecimento. Então cobre a não publicação de UM artigo seu a mim, e não a dela. E já que estou aqui, devo me dirigir ao Crestani, em consideração a ele, com quem conversei muito embora nunca o tenha encontrado. Que este fórum saiba que o Crestani deixou de escrever no OI por força de uma desinteligência havia entre ele e o Dines quando este cobrou do articulista regular (Crestani escrevia praticamente toda as semanas, naquele período) variar um pouco o foco de suas críticas. Dines, na época mais metido no operacional, exerceu suas prerrogativas de editor. Se o Crestani só dava pau na RBS, tudo certo. Nunca deixamos de publicar um sequer. Mas por que não atentar para outros veículos? Afinal, somos um Observatório. E o Dines cobrou: por que NUNCA comentar a recusa da TVE local retransmitir o Observatório da Imprensa na TV? Aí virou um bololô.


Agora leia AQUI minha última colaboração ao Observatório da Imprensa, e as repercussões.

Matéria do sítio Comunique-se

Jornal do Brasil demite Alberto Dines

Thais de Menezes e Miriam Abreu



Alberto Dines deixou de assinar sua coluna no Jornal do Brasil. Ele contou ao Comunique-se que foi comunicado da decisão, nesta sexta-feira (11/06), por e-mail, enviado por José Antonio Nascimento Brito, presidente do Conselho Editorial do JB. “Ele deixou claro que fui suspenso por causa de um artigo que escrevi para o Observatório da Imprensa”.

No texto “A imprensa sob custódia”, Dines faz uma crítica da cobertura feita pelos principais jornais do Rio sobre a omissão do governo do Estado em relação à Casa de Custódia de Benfica, onde houve uma rebelião de presos. “O JB abdicou de fazer jornalismo. Parece jornal, tem periodicidade de jornal, tem os atributos formais de um jornal, tem uma história incorporada ao jornalismo brasileiro, mas neste momento é movido por dinâmica e prioridades diferentes das de um jornal. Pode até estar reinventando o jornalismo, mas este não é o jornalismo do qual foi um dos expoentes e continua sendo praticado pela maioria dos seus concorrentes”, escreveu o jornalista.

Em outro trecho, ele escreveu: “Neste dia crucial, o JB fez o balanço do caso com uma chamada insignificante na parte inferior da primeira página! Ao lado, com destaque dez vezes maior, para satisfazer o enorme contingente de socialites que devoram suas colunas sociais, enorme foto de uma carioca friorenta ostentando um "casaquinho básico". Antes assim, poderia estar falando em brioches”.

Para Dines, ele foi “censurado em todos os sentidos”. “Não inventei nada, não foi notícia de bastidor, mas sim analisei a forma como a cobertura foi feita. Fiz um trabalho técnico”.

O editor-executivo, Marcos Barros Pinto, disse que o colunista fez uma análise errada do JB. “Se ele considera tudo aquilo deste jornal, não deveria nem trabalhar nem receber dele. Como ele não tomou a iniciativa de deixar a empresa, a direção do JB tomou por ele”.

Na próxima edição do OI, que será na terça-feira (15/06), Dines promete escrever um artigo sobre o que aconteceu.


11/6/2004

18 de jun. de 2004

Deu nisso

Quando a Medida Provisória do Salário Mínimo Petista ainda estava no Congresso, o Planalto esvaziou os bolsos buscando comprar voto a voto dos congressistas. Levou os votos mas foi-se a ética, como as pombas do Raimundo Correa.
Genuino revelou-se um genuino banqueiro com o dinheiro alheio. Foram para os bolsos dos passivos milhões que poderiam ter sido investidos no salário mínimo.
Agora, no Senado, foram mais alguns milhões (153 segundo a FSP). Mas não adiantou, o mínimo ficou em R$275,00, o que é uma merreca. Os petistas desvairados perderam, ficaram nus, sem argumentos e sem defensores.
Deu nisso: um governo sem escrúpulos para pagar banqueiro e mentiroso quanto se trata de pagar a dívida social. Dívida por dívida, a minha pago ajudando limpar a política dessa gente sem um mínimo de valor.

17 de jun. de 2004

Va Via!

Em italiano faz mais sentido. Mas não é difícil de se compreender em português. Os gestores da Terceira Via, seus moleques de recado, se foram. Foi-se Bill Clinton e suas secretárias, foi-se o asno José Maria Asnar. Agora os eleitores estão mandando o Tony Blair embora. E Bush também está sofrendo uma derrota acachapante.
Foram-se os beneficiários, claro. Mas também se foram a tríade de sabujos sul-americanos. O mega corrupto nipo-equatoriano, Alberto Fugimori, o sabujo brasileiro, FHC, e o costelete de coca argentino, Carlos Menen.
No lugar deles, o povo escolheu candidatos que se lhes opunham na política. Pelo menos enquanto proposta eleitoral. Veio Fernando de La Rua, e continuou a sabujice. Foi defenestrado. Chegou o dengoso Lula, mais subalterno que reciclador de camisinha.
Lula parece ser um pessoa centrada, com os pés, os quatro, firmes no chão. Mais teimoso que mula empacada, com aquele olhar de vaca atolada, não come nem desocupa a moita.
Foi-se a terceira via, veio os da quarta. A quarta via é a dos que ficam de quatro.
E o grito não quer calar, da "voz rouca das ruas": Lula, va via!

14 de jun. de 2004

Discurso de Alexandre Magno, em Opis (Babilônia)

Começo aqui a tradução do exemplar Discursos de Alexandre Magno perante suas tropas, depois de ter levado seu Império até o Mar da Índia:
Não é para sufocar em vocês o desejo que sentis de voltar para casa, macedônios, que vou falar agora, mas, pelo que me diz respeito, podeis ir-vos cada um onde quiseres; senão que faço para que fique claro vosso comportamento nesta nossa marcha comum.
Diante disso, começarei minhas palavras referindo-me, como é natural, a Felipe, meu pai. Com efeito, Felipe encontrou-vos quando éreis vagabundos indigentes: muitos de vocês, mal vestidos com peles gastas, éreis pastores de umas poucas cabras pelos montes, cabras que tínheis que guardar ( e nem sempre com êxito) dos ilírios, tribalos e de vossos vizinhos trácios.
Foi Felipe quem oportunizou vossas primeiras vestimentas em troca das toscas peles, e os fez descer dos montes para a planície, elevou-vos à altura de pelear com vossos vizinhos bárbaros, de sorte que podíeis viver seguros, não tanto quanto em vossas fortalezas nas montanhas, mas por vossos próprios méritos.
Levou-vos a viver nas cidadelas e vos proporcionou leis e costumes de todo úteis.
E vos deu o poder de mando sobre os povos bárbaros (pelos quais antes estáveis dominados e a quem vivíeis submetidos, vocês e vossos bens), fazendo-vos donos em vez de seus escravos e vassalos; anexou a maior parte da Trácia à Macedônia e, apoderando-se dos melhores assentamentos da zona costeira, atraiu o comércio para a região, possibilitando-vos trabalhar com segurança nas minas de metais.
Os fez donos da Tessália, de cujos habitantes desde tempos imemoriais estáveis mortos de medo; humilhou os focenses e, em nosso próprio benefício, fez largo e cômodo o caminho que conduz à Grécia, no lugar de estreito e intransitável como era.
Derrotou atenienses e tebanos (que deste sempre procuravam o melhor momento para acabar com a Macedônia) de tal modo que, em vez de pagar tributos a Atenas e viver submissos aos tebanos, são eles que têm de nos solicitar, por sua vez, para seguir vivendo em segurança (política de meu pai, da qual nós agora somos seus herdeiros).
Passou, em seguida, ao Peloponeso, onde também impôs a ordem, e quando foi designado Comandante de toda Grécia com plenos poderes para organizar a expedição contra os persas, conseguiu nova reputação não somente para si mesmo, senão especialmente para a comunidade macedônica.
Todas estas façanhas de meu pai feitas em vosso proveito eram grandiosas em si mesmas, embora pequenas, desde logo, se comparadas com as nossas. Eu herdei de meu pai tão somente umas poucas taças de ouro e prata, e não chegavam a sessenta talentos de seu tesouro; por outro lado, suas dívidas montavam a quinhentos talentos; pois bem, sobre elas tomei emprestado outros oitocentos talentos, e saí de este país que a duras penas podia inclusive alimentar-vos, e em segui os deixei livre a passagem pelo Helesponto apesar de que por aquele tempo eram os persas os donos do mar.

Continua...