27 de abr. de 2009

Testando Hipóteses

Boimate, uma especialidade que você só encontra na cozinha da VEJA!
Acabo de receber um email com informações a respeito de mudança no comando do grupo Abril. Segundo esta informação, Daniel Dantas teria comprado dos Civita o Grupo Abril e mantido todo o staff para não chamar a atenção da sociedade comercial e civil. Podem ser falsas, mas também não se pode descartar que sejam verdadeiras. Podem ser falsas porque ainda não puderam ser checadas. Mas também podem ser verdadeiras, haja vista o alinhamento editorial com as premissas defendidas por Dantas, e também porque não foram negadas.
Tentei confirmar com o missivistas o teor explosivo das informações, mas alegou sigilo da fonte, pois o processo seria sigiloso. Também não quis aprofundar o assunto pois existia a possibilidade de Dantas ter adquirido também o Grupo Folha da Manhã. A família Frias teria exigido tão somente a manutenção de um Frias no comando editorial.
Diante do alinhamento editorial destes dois grupos aos ideários do dono do Opportunity, uma das hipóteses é de que Daniel Dantas tenha adquirido ambas. Mas não se pode descartar a hipótese que tenha sido apenas uma ou ainda nenhuma, já que O Globo também estaria afinado editorialmente. Contudo, até agora não há comprovação alguma, embora também nada tenha sido negado. Ambas ou nenhuma, eis a questão!

27 de mar. de 2009

Independência ou Morte!


O jornalista Wladimir Ungaretti, professor da UFRGS, está inacessível na blogosfera a pedido do Fotonaldo da RBS. Está impedido de expressar seu www.pontodevista.jor.br. O tacão da justiça foi acionado por funcionário da RBS desacostumado com outro ponto de vista que não o seu e de seu patrão. A blogosfera faz um mal homérico às grandes corporações e seus subordinados. Inadmissível mas explicável que os funcionários e ex-funcionários da RBS têm alergias à crítica independente. Devem se perguntar, afinal por que outros podem ter independência de opinião e eles (funcionários da RBS) não. O mais lamentável mas compreensível é que Ronaldo Bernardi parece ter-se inspirado em Políbio Braga. Lembro que quando escrevia para o Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/iq0105200291.htm) e relatei a pilantragem da RBS num famoso Teledomingo, a RBS me ameaçou com medida judicial em editorial. Fiquei esperando, mas infelizmente só ficaram na ameaça. Preferiram pedir minha cabeça e Alberto Dines se ajoelhou.
Fotonaldo, como diz o ditado, quem puxa aos seus não degenera.

26 de mar. de 2009

Porque não te calas?

Boca de poedeira: ou o ovo da serpente!

NOTA PÚBLICA


A Associação dos Juízes Federais do Brasil – AJUFE, entidade de âmbito nacional da magistratura federal, vem a público manifestar sua veemente discordância em relação à afirmação feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que, ao participar de sabatina promovida pelo jornal “Folha de S. Paulo”, disse que, ao ser decretada, pela segunda vez, a prisão do banqueiro Daniel Dantas, houve uma tentativa de desmoralizar-se o Supremo Tribunal Federal e que (sic) “houve uma reunião de juízes que intimidaram os desembargadores a não conceder habeas corpus”.

Conquanto se reconheça ao ministro o direito de expressar livremente sua opinião, essas afirmações são desrespeitosas aos juízes de primeiro grau de São Paulo, aos desembargadores do Tribunal Regional Federal da Terceira Região e também a um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Com efeito, é imperioso lembrar que, ao julgar o habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal em favor do banqueiro Daniel Dantas, um dos membros dessa Corte, o ministro Marco Aurélio, negou a ordem, reconhecendo a existência de fundamento para a decretação da prisão. Não se pode dizer que, ao assim decidir, esse ministro, um dos mais antigos da Corte, o tenha feito para desmoralizá-la. Portanto, rejeita-se com veemência essa lamentável afirmação.

No que toca à afirmação de que juízes se reuniram e intimidaram desembargadores a não conceder habeas corpus, a afirmação não só é desrespeitosa, mas também ofensiva. Em primeiro lugar porque atribui a juízes um poder que não possuem, o de intimidar membros de tribunal. Em segundo lugar porque diminui a capacidade de discernimento dos membros do tribunal, que estariam sujeitos a (sic) “intimidação” por parte de juízes.

Não se sabe como o ministro teria tido conhecimento de qualquer reunião, mas sem dúvida alguma está ele novamente sendo veículo de maledicências. Não é esta a hora para tratar do tema da reunião, mas em nenhum momento, repita-se, em nenhum momento, qualquer juiz tentou intimidar qualquer desembargador. É leviano afirmar o contrário.

Se o ministro reconhece, como o fez ao ser sabatinado, que suas manifestações servem de orientação em razão de seu papel político e institucional de presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, deve reconhecer também que suas afirmações devem ser feitas com a máxima responsabilidade.

Brasília, 24 de março de 2009.
Fernando Cesar Baptista de Mattos

Presidente da AJUFE

1 de mar. de 2009

Idade Mental: 10 anos

A marca do atrasoDez anos após o massacre midiático contra o Governo Olívio Dutra, Rosane de Oliveira recebeu autorização para escrever no seu blog:
Foi assim com Olívio Dutra (PT), que mal havia assumido o Palácio Piratini quando enfrentou uma oposição ensandecida e disposta a tirá-lo do cargo. Motivo? Por ter mandado a Ford embora, respondiam.
Como tecnicamente perder um investimento negociado pelo antecessor não é caso para impeachment, os inimigos, liderados pelo advogado Paulo do Couto e Silva, foram à cata de motivos que pudessem ser enquadrados como crime de responsabilidade. Não encontrando, passaram meses fazendo marola com a ameaça. Depois, na CPI da Segurança, que bem poderia ser chamada de CPI do PT, o impeachment voltou a ser invocado pelos adversários de Olívio antes da conclusão dos trabalhos. A CPI pediu indiciamentos a torto e a direito, mas o Ministério Público arquivou tudo.


Infelizmente Rosane ainda não conquistou alforria para publicar estas informações nas páginas de Zero Hora.

A demora e o local para fazer um registro, espécie de mea culpa, traduzem as dificuldades do Grupo RBS em sair da cloaca em que se meteu. Na internet não tem boi, portanto, não peçam aos internautas a mesma passividade bovina de boa parcela de gaúchos que engole a seco todas as mentiras da RBS. A internet não perdoa, registra o presente sem esquecer do passado. Nos blogs, não precisamos de autorização de ninguém para desmascarar essa mídia mascarada e golpista. Não vivemos a cabresto, nem somos patrocinados por mensalinhos...(Quer saber mais sobre isso, então não pergunte ao Políbio Braga!)

A PAZ da RBS é a dos sepulcros
O que chama a atenção no registro da colonista da RBS é o momento em que vem a público dizer o que até o reino mineral já sabia: que a RBS e a parte mais atrasada do empresariado e da política gaúcha sabiam que Olívio estava fazendo um governo verdadeiramente revolucionário. Olívio tocou nos pontos nevrálgicos da segurança pública. Apontou o jogo maçônico tanto da polícia quanto do Tribunal de Justiça. Se Bisol fosse o culpado pelos problemas de violência, com sua saída deveríamos estar vivendo dias melhores. Mas não foi isso que aconteceu. Pior, à violência das ruas somou-e a violência institucionalizada, sob orientação da Governadora Yeda. Ela escolheu o Coronel Mendes, não para prender um réu confesso como César Busatto, mas para bater em pobre. Se não fosse a Polícia Federal alguém acredita que a Secretaria de Segurança Pública do Governo Yeda teria feito alguma denúncia contra os larápios do DETRAN?
A gravação divulgada por Paulo Feijó mostra quem foram e continuam sendo os sanguessugas das instituições públicas como DETRAN, BANRISUL, DAER. Deu nome e sobrenome, endereço e idade, partido e cargo, mas a RBS não mexeu um lápis para ajudar a esclarecer. Pelo contrário, perfilou-se ao lado dos larápios e deles não desgruda.

O que a tropa de chegue da Yeda, na política e na mídia, não se dá conta, é que no Governo Olívio, as denúncias foram construídas num consórcio encabeçado pela RBS e pelo que existe de mais retrógrado no RS. Ressurgiu agora com força o que, na época, registrei como Marcarthismo Gaudério em artigo publicado na Agência Carta Maior.
As denúncias envolvendo os larápios do DETRAN e o modus operandi do Governo Yeda não partiram de nenhum partido político da oposição, muito menos do PT. Aliás, o PT está calado demais para meu gosto. Calado e apanhando de graça. Parece até mulher de delegado.
O que deixa os áulicos e a turma da RBS desnorteados é que a descoberta da maior falcatrua registrada na administração pública do Rio Grande do Sul se deve ao trabalho irretocável da Polícia Federal, e à capacidade profissional e técnica da Juíza Federal de Santa Maria, Dra. Simone Barbisan Fortes, uma jovem especialista em Previdência Social.
Como Yeda & RBS não podem se voltar contra o trabalho da Justiça Federal, voltam-se contra quem quer ver tudo bem esclarecido: os honestos. Querer paz, neste caso, significa jogar lixo para debaixo do tapete, uma especialidade do Grupo RBS e sua base política na Assembléia.
Relações Umbilicais
Não nos esqueçamos que tudo o que Yeda está pondo em prática aprendeu nos corredores da RBS.

28 de fev. de 2009

Mídia Bandida


Os grandes grupos midiáticos brasileiros agem como o bandido mitológico Procuste. Procuste estendia suas vítimas numa cama, os mais cumpridos cortava o que sobrava da cama, os menores espichava até caberem nela.
O editorial da Folha de São Paulo que tentou mudar de nome Regime Militar de 1964, de ditadura para ditabranda, cumpre importante papel pedagógico para o entendimento do jornalismo que se fez e se faz, do que se entende por ditadura.
Primeiro, como a Folha de São Paulo fez parte da ditadura, inclusive transformando os furgões que transportavam jornais em camburões a serviço dos torturadores, quer reescrever a história para livrar a própria cara. Neste caso, como nos crimes de colarinho branco, a Folha ao invés de lavagem de dinheiro faz lavagem da história, como quem diz: se não houve ditadura então não fomos tão safados assim... Que papelão!
Segundo, todos sabem que a Folha mantém relações umbilicais com o PSDB e com os figurões que brilharam nos porões da Ditadura, como Romeu Tuma. Ao se perfilar ao lado do PSDB/DEM a Folha se impôs o triste papel de assassinar reputações dos opositores do PSDB/DEM sejam eles quais forem. Em compadrio com a VEJA, usa um senador inexpressivo do nordeste, Jarbas Vasconcelos, que vem sendo acusado de corrupção deste que foi prefeito de Recife, para de um lado atacar a parte do PMDB que apóia Lula, e de outro lado para atacar a candidatura de Dilma Roussef.
Aliás, não é sintomático ser Dilma uma sobrevivente da tortura do período militar? Vale lembrar a acusação do senador do DEMO, Demóstenes Torres, de que Dilma mentiu aos militares que a interrogaram? O que o senador sonega, como agora faz a Folha, é a informação de que foi interrogada sob tortura, e ainda assim preferiu mentir do que entregar os companheiros. O jogo bruto contra Dilma se dá exatamente quando próceres do PSDB/DEM afundam administrativa e eticamente: Cássio Cunha Lima, do PSDB da Paraíba, foi cassado, Yeda Crusius, do PSDB gaúcho, é uma ex-governadora em exercício, e José Serra só não se encontra nas mesmas condições porque vem blindado pela Folha e porque consegue abafar a instalação de mais de 30 CPIs? Ué, e aquela máxima de quem não deve não teme? A Folha escreve “Zeca do PT, que responde a ações judiciais”, mas não usa do mesmo padrão de tratamento dizendo por exemplo que José Serra, que esteve envolvido com a máfia das ambulâncias, segue silencioso sobre as mortes do desabamento do túnel do metrô!? Marcelo Cavalcanti, o primeiro cadáver do PSDB gaúcho, foi encontrado morto no lago Paranoá, em Brasília, no momento que estava sob investigação da Polícia Federal pela participação no esquema de corrupção montado no governo do PSDB no RS e nem por isso os jornalões vêm a público acusar o PSDB pela morte. Muito menos tantar esclarecer as razões da morte.
No futebol o jogador que comete falta é o primeiro a levantar o braço dizendo que não fez. Quando apareceu o cadáver de Marcelo Cavalcanti os primeiros a levantarem o braço e apontarem para a oposição foram exatamente Yeda e Carlos Crusuis, marido e mulher, ambos do PSDB, enviando cartas à RBS. Por que à RBS? Não seria pelo simples fato de Yeda, como ex-funcionária, sentir-se blindada pela RBS? Ou seria porque a RBS só exige prova do PT e do PSOL mas não exige provas do casal Crusius?

Terceiro, o espírito corporativista dos grandes meios de comunicação. Nenhum outro veículo sequer mencionou a tentativa de revisionismo histórico da Folha, e muito menos as ofensas desferidas pela família Frias contra Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Se no embate político na arena do Congresso um Deputado ofende outro, os jornais estampam manchetes, agora quando a Folha usa expressões de puteiro para atacar dois professores de reconhecido comportamento ético e profissional, nenhum ousa sequer registrar os fatos, muito menos se posicionar. Uso de baixo calão pela Folha, inclusive chamando Dilma e Marta de “vadias e vagabundas” tem dois significados: que lhe faltam argumentos, e trazer a público sua verdadeira face.

Quarto, no âmbito internacional a mídia trata Hugo Chaves, que já se submeteu a 15 escrutínios, como ditador, mas não usa o mesmo termo para com Álvaro Uribe, da Colômbia. A Folha ataca o MST mas nunca ataca o partido dos DEMOCRATAS, que abriga em seu seio gente como o homem do castelo Edmar Moreira. O Globo nem poderia alegar desconhecimento do homem do castelo, por que sua dama “mascará de ferro”, a impoluta Miriam Leitão, é cunhada do dito cujo. Ataca o Ministro da Justiça Tarso Genro simplesmente por fazer parte do Governo Lula, mas se compraz com idiossincrasias de Gilmar Mendes, talvez o pior presidente que o STF já teve em todos os sentidos, sempre se manifestando fora dos autos na defesa de corruptos notórios como Daniel Dantas, ou fazendo acusações sem provas, como no caso do grampo que não existiu. Por que a Folha cobra explicações devido ao encontro de Dilma com os prefeitos para tratar das obras do PAC, como se fosse um evento político, e é, mas silencia com a propaganda milionária do SABESP, em nível nacional, sendo apenas uma empresa paulista, sob a batuta do peessedebista José Serra? Como se pode ver, os meios de comunicação se escandalizam seletivamente...

Quinto, os meios de comunicação são uma concessão pública, gostem ou não seus detentores. Está na Constituição. No entanto, nenhum deixa isso claro para seu público leitor ou telespectador. Por que será? Por que as renovações das concessões não são tratadas publicamente, discutidas com os que estão submetidos a essas famílias mafiosas? A RBS domina 80% do mercado midiático gaúcho. Tem jornal, rádio, TV, internet, TV a cabo, provedor, telefonia, sem contar a participação em outros ramos da economia. Seria no mínimo justo que se discutisse esse monopólio, quem sabe um plebiscito para ver o que pensa o povo gaúcho e catarinense a respeito desse polvo amplamente ramificado. Digo polvo, mas também podem chamar de câncer que não é nenhum eufemismo.

Sexto, os grandes grupos econômicos que exploram os meios de informação são unanimemente contra os movimentos sociais. O MST é cobrado pela ocupação de fazendas improdutivas, mas não cobram dos donos das fazendas o que a Constituição exige, a função social, ou seja, produtividade. Os gastos do MST são cobrados mas os empréstimos não pagos pelos fazendeiros, não. Porque não cobram da RBS o fato de ter pego empréstimo subsidiado do Banrisul e do Banco do Brasil? Por que não tomam empréstimos nos bancos particulares, já que para os meios de comunicação a empresa pública não presta, o que presta é a privada. Acusam antes de informar, ao mesmo tempo se perfilam ao lado dos grandes grupos econômicos, independentemente do papel que desempenham, ou das falcatruas em que se envolvem. Nos casos de corrupção, atacam o agente público corrompido mas silenciam no que diz respeito ao agente corruptor. Onde estão as manchetes para acusar Daniel Dantas? Para cúmulo da insensatez, são capazes de cobrar do servidor público que pega um corruptor em flagrante delito, ou tentar comprar um delegado não é crime?

Para refrescar a memória dos arautos da moralidade, vejam aqui os 45 escândalos da era FHC, também conhecida como Década Perdida!

23 de fev. de 2009

Um homi perturbado

Confesso que fiquei a par da existência de Políbio Braga desde quando foi cargo de confiança de governador sem essa prerrogativa. Depois, foi como no poema Bochinco do Jayme Caetano Braum, nunca mais vi:

E a china - essa pergunta me é feita
A cada vez que declamo
É uma coisa que reclamo
Porque não acho direita
Considero uma desfeita
Que compreender não consigo,
Eu, no medonho perigo
Duma situação brasina
Todos perguntam da china
E ninguém se importa comigo!

E a china - eu nunca mais vi
No meu gauderiar andejo,
Somente em sonhos a vejo
Em bárbaro frenesi.
Talvez ande - por aí,
No rodeio das alçadas,
Ou - talvez - nas madrugadas,
Seja uma estrela chirua
Dessas - que se banha nua
No espelho das aguadas!


Pois não é que numa gauderiada andeja pelos campos virtuais fui parar no sítio onde a chirua dá expediente e a encontrei gritando em público o que ela, num “bárbaro frenesi”, já fazia na privada. Eu, só dou a palavra, que mais não está a venda, mas da parte de lá não posso dizer o mesmo, como podem conferir abaixo (da cintura). Reparem que a troca de propostas feitas na janela do bochincho está invertida e isso é da natureza:

23 de fevereiro de 2009 06:46 Para: POLIBIO BRAGA
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Está bem, eu procuro a minha e tu procura a tua. Chinelão!

Em 20/02/09, POLIBIO BRAGA escreveu:
- Ocultar texto das mensagens anteriores -

> Vai te catar, cara. Vê se procura a tua turma de mensaleiros.

> ----- Original Message -----
> From: Crestani
> To: POLIBIO BRAGA
> Sent: Friday, February 20, 2009 6:26 PM
> Subject: Re: [Jornalista Polibio Braga] Novo comentário em Protógenes
> apóia PSOL, mas não tem nada a ver com ....
>
>
> Políbio Braga, eu não havia pensado nisso, mas a tua reação me deixou
> convencido disso. Ninguém reage dessa forma, sem ter sido acusado, por um
> comentário em matéria que versa sobre práticas antigas de políticos gaúchos
> idem, se no íntimo não dispuser de informações que os demais não sabem. A
> ameaça é uma arma rasteira própria de sujeitos rasos. Dito isto, passo a me
> convencer que fornecestes todos os elementos de pessoas perturbadas
> mentalmente, por um motivo ou outro, que só tu e teu psiquiatra sabem.
> Atenciosamente,
>
> Gilmar Crestani
>
>
>
> 2009/2/20 POLIBIO BRAGA
>
> Se você se refere a mim, como um dos jornalistas pagos para defender a
> Yeda, gostaria que confirmasses por e-mail isto, claramente, tipo:
> Confirmo que o jornalista Polibio Braga é um dos jornalistas pagos para
> defender a governadora Yeda Crusius.
> Caso faças isto, vou te meter dois processos, um cível e outro criminal.
> Terás que provar em juízo a declaração ou irás para a cadeia e pagarás
> indenização no cível.
> Espero que tenhas coragem de levar às últimas consequências o que
> afirmas e não sejas leviano como a Luciana e o Ruas.
>
> Polibio Braga
> ----- Original Message -----

> From: Gilmar Antonio Crestani
> To: polibio.braga@uol.com.br
> Sent: Friday, February 20, 2009 4:39 PM
> Subject: [Jornalista Polibio Braga] Novo comentário em Protógenes
> apóia PSOL, mas não tem nada a ver com ....
>
>
> Gilmar Antonio Crestani deixou um novo comentário sobre a sua postagem
> "Protógenes apóia PSOL, mas não tem nada a ver com ...":
>
> Não tenho motivos para apoiar o PSOL nem o Protógenes, mas tenho
> motivos suficientes para achar que tudo o que foi dito é verdadeiro.
> Inclusive que jornalistas são pagos para defenderem-na.
>

> Publicar este comentário.

Como diria a Miss Pantalha, não podemo se entregá pros home (opis!!), embora penso que seria melhor a china se entregar, para não ser levada a manu militari.
Então é por isso, com gente tão alegre, que o erário é uma festa só!

20 de fev. de 2009

A Familia Crusius Addams


O CORVO
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
            É só isso e nada mais.»
 
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
            Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
            É só isso e nada mais».

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
            Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
            Isto só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
            «É o vento, e nada mais.»

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
            Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
            Disse-me o corvo, «Nunca mais».

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
            Com o nome «Nunca mais».

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
            Disse o corvo, «Nunca mais».

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
            Era este «Nunca mais».

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
            Com aquele «Nunca mais».

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
            Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
            Disse o corvo, «Nunca mais».

«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
            Disse o corvo, «Nunca mais».

«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
            Disse o corvo, «Nunca mais».

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
            Libertar-se-á... nunca mais!
 
Tradução de Fernando Pessoa (1888-1935) do poema de autoria de Edgar Allan Poe(1809-1849)

13 de fev. de 2009

Cui prodest?


Quem sustenta a "face da corrupção"?
Não nos esqueçamos, Yeda chegou lá por mãos alheias, às quais paga tributo. Quid prodest? O que interessa é quem dá sustentação ao governo Yeda e as razões disso. As razões respondem à pergunta latina: Cui prodest? A quem interessa a existência da "face da corrupção" no comandando do maior orçamento do RS? Óbvio, os que dela (Yeda) e dele (orçamento) podem auferir lucros! E quem fica com o maior quinhão? A RBS! Duvida, então pense em quantos veículos a RBS dispõe em todo o RS - 80% da mídia gaúcha é explorada pela RBS. E em todos os veículos da RBS há sempre algum órgão público patrocinando algo. Para refrescar a memória, enquanto o DETRAN enfrentava uma auditoria arrasa quarteirão, o mesmo órgão patrocinava vários veículos da RBS. A influência disso podia ser constatada diariamente na Zero Hora. Ninguém lia que alguém era responsável pelo roubo de 40 milhões. Pasmem, o ladrão era... o DETRAN. Não entendeu? Então explico: o DETRAN é um órgão público, uma pessoa jurídica. Matavam dois coelhos com uma cajadada: denegriam um órgão público, esporte predileto da RBS, e desviavam o foco dos larápios.
Quando o Chefe da Casa Civil do Governo Yeda, Cesar Busatto, teve seu modus operandi exposto em praça pública pelas gravações do Vice-Governador, a RBS partiu pra cima do vice. Quando Jairo Jorge, eleito prefeito de Canoas pelo PT convidou Cesar Busatto, a RBS aplaudiu. Quando o mesmo prefeito envergonhado descantou o verso, a RBS fez um caderno especial de Domingo, chamando de a Volta da Guerra Fria. Portanto, para a RBS, negar salário público para um notório corruptor é ato de guerra fria. Conclusão: se há corrupção no RS, pode ter certeza, é porque os corruptos contam com o beneplácito da RBS.
Estamos vivendo um dos momentos mais degradantes da política gaúcha, com um governo de marionetes, cujo único objetivo é destruir as instituições públicas e atacar os movimentos sociais. Os resultados estão por aí, estendidos no chão: violência a qualquer hora do dia, dengue, febre amarela e leishmaniose ocupando os espaços deixados pela falta de saúde. Na educação então nem se fala, já que a falta dela é a marca de todos quantos ocupam cargo no atual governo.
E isto tem cara, é a coroa Yeda Crusius, sob patrocínio da RBS.

7 de dez. de 2008

Não existiria Continente se não existisse Ilha

Em 1777 os castelhanos invadiram a Ilha de Santa Catarina. Portugal reagiu. Nascia a oposição Ilha versus Continente. Nossos somos d'O Continente do Érico Veríssimo, que também era de São Pedro. Não teve santo que impedisse, tal qual Abel e Caim, Santa Catarina e São Pedro nasceram se olhando de soslaio. Este Gre-Nal é, ao mesmo tempo, uma relação de amor e ódio, e um não existe sem o outro. Não existiria Continente se não houvesse pelo meno uma Ilha. Dessas dicotomias, desse Caos originário, brotam forças para justificar o empenho de ambos, como vizinhos invejosos.
Para os catarinenses, os gaúchos são imperialistas. E fundamentam: a RBS é gaúcha. Instalou-se em SC como um polvo. Culpa dos gaúchos! Para os gaúchos, nada mais natural, eles bem que merecem um cancro, afinal enquanto a RBS se ocupa em dilapidá-los, esquece deixa os gaúchos em paz. E, enquanto a chicote sobe e desce, o lombo descansa.
O oeste catarinense é gaúcho. Garopaba é uma colônia, um posto avançado para se chegar a Florianópolis, porto-alegrense. Lembra a Cartago fenícia, e a Siracusa grega. Só que o comércio agora atende pelo nome de turismo, descanso de férias. E nada melhor que um Desterro na Ilha.
As Catástrofes
Os pré-socráticos entendiam que o princípio gerador de todas as coisas não derivava de apenas um elemento, mas de quatro, nessa ordem 1 (fogo = Zeus), 2 (ar = Hera), 3 (água = Néstis) e 4 (terra = Hades). Os dois últimos combinados são os principais algozes de Santa Catarina. As enchentes, água, estão no topo da lista, mas é a terra, ao deslizar, é quem soterra. Nenhum filme de terror contém cenas tão dramáticas do que aquelas produzidas pelos eventos naturais, registradas no momento em que estão acontecendo, seja dos deslizamentos em Santa Catarina, seja do Tsunami que varreu a costa da Ásia, no Oceano Índico, com seus quase 300 mil mortos.
Não foi a primeira. Blumenau e mesmo Tubarão já sofreram com o terceiro elemento dos pré-socráticos. Blumenau já sobreviveu a muitas enchentes nos anos de 1911, 1948 , 1974, 1980, 1984, 1992, 2000 e agora 2008. Já em Tubarão, o desastre de 1974 supera em número de vítimas a soma dos desastres de Blumenau.
A Solidariedade
Quase tão comoventes quanto as cenas em que a avalanche de lama engolia casas e carros, foi ver a solidariedade das pessoas próximas ou distantes, conhecidas ou desconhecidas, pobres ou ricas, religiosas ou apóstatas.
São momentos que justificam a fé nas pessoas, nas quais devem estar centras as atenções das instituições, sejam de que nível for. Oportunidade ímpar para ver desnudo o deus Mercado, seduzindo seu seguidor para cobrar 10 reais por um litro de água. De nada vale a vida para aqueles que tem a medida de todas as coisas no lucro a qualquer preço.
A catástrofe também serviu para manifestações que transcendem os acontecimentos. São registros que emocionam e mantém nosso otimismo de que a humanidade tem jeito, sim, inclusive entre gaúchos e catarinenses... Como estas que recebi por email:
DEPOIMENTO CIDADÃO DE ITAJAÍ (Sta. Catarina)
"Hoje 27 de novembro de 2008 o sol saiu e conseguimos voltar a trabalhar em Itajaí. A despeito de brincadeiras e comentários espirituosos normais sobre esta "folga forçada" a verdade é que nunca me senti tão feliz de voltar ao trabalho. Não somente pelo trabalho, pela instituição e pela própria tranqüilidade de ter aonde ganhar o pão, mas também por ser um sinal de que a vida está voltando ao normal aqui na nossa cidade.
Por mais que teorias e leituras mil nos falem sobre isso ainda é surpreendente presenciar como uma tragédia desse porte pode fazer aflorar no ser humano os sentimentos mais nobres e os seus instintos mais primitivos. As cenas e situações vividas neste final de semana prolongado em Itajaí nos fizeram chorar de alegria, raiva, tristeza e impotência.. Fizeram-nos perder a fé no ser humano num segundo, para recuperar-la no seguinte. Fez-nos ver que sempre alguém se aproveitará da desgraça alheia, mas que também é mais fácil começar de novo quando todos se dão as mãos.
Que aquela entidade superior que cada um acredita (Deus, Alá, Buda, GADU etc.) e da forma que cada um a concebe tenha piedade daqueles:
 - Que se aproveitaram a situação para fazer saques em Supermercados, levando principalmente bebidas e cigarros;
- Que saquearam uma farmácia levando medicamentos controlados, equipamentos e cofres e destruindo os produtos de primeira necessidade que ficaram assim como a estrutura física da mesma.
- Que pediam 5 reais por um litro de água mineral.
- Que chegaram a pedir 100 reais por um botijão de gás.
- Que foram pedir donativos de água e alimentos nas áreas secas pra vender nas áreas alagadas.
- Que foram comer e pegar roupas nos centros de triagem mesmo não tendo suas casas atingidas.
- Que esperaram as pessoas saírem das suas casas para roubarem o que restava.
- Que fizeram pessoas dormir em telhados e lajes com frio e fome para não abandonar suas casas e terem elas saqueadas.
- Que simplesmente fizeram de conta que nada acontecia, por estarem em áreas secas.
 
Da mesma forma, que essa mesma entidade superior abençoe:
 - Aqueles que atenderam ao chamado das rádios e se apresentaram no domingo no quartel dos bombeiros para ajudar de qualquer forma.
- Os bombeiros que tiveram paciência com a gente no quartel para nos instruir e nos orientar nas atividades que devíamos desenvolver.
- A turma das lanchas, os donos das lanchinhas de pescarias de fim de semana que rapidamente trouxeram seus barquinhos nas suas carretas e fizeram tanta diferença.
- À equipe da lancha, gente sensacional que parecia que nos conhecíamos de toda uma vida.
- Aos soldados do exército do Paraná e do Rio Grande do Sul.
- Aos bravos gaúchos, tantas vezes vitimas de nossas brincadeiras que trouxeram caminhões e caminhões de mantimentos.
- Aos cadetes da Academia da Polícia Militar que ainda em formação se portaram com veteranos.
- Aos Bombeiros e Policias locais que resgataram, cuidaram , orientaram e auxiliaram de todas as formas, muitas vezes com as suas próprias casas embaixo das águas, muitas vezes famintos por não terem tempo nem de almoçar, outras vezes preocupados por estarem longe de suas esposas, namoradas, longe de seus amores, de seus filhos, abdicando disso tudo para salvar outras vidas...
- Aos Médicos, enfermeiras e demais profissionais Voluntários.
- Aos bombeiros do Paraná que trabalharam ombro a ombro com os nossos.
- Aos Helicópteros da Aeronáutica e Exercito que fizeram os resgates nos locais de difícil acesso.
- Aos incansáveis do SAMU e das ambulâncias em geral, que não tiveram tempo nem pra respirar.
- Ao pessoal do Helicóptero da Polícia Militar de São Paulo, que mostrou que longo é o braço da solidariedade.
- Ao pessoal das rádios que manteve a população informada e manteve a esperança de quem estava isolado em casa.
- Aos estudantes que emprestaram seus físicos para carregar e descarregar caminhões nos centros de triagem.
- Às pessoas que cozinharam para milhares de estranhos.
- Ao empresário que não se identificou e entregou mais de mil marmitex no centro de triagem.
- A todos que doaram nem que seja uma peça de roupa.
- A todos que serviram nem que seja um copo de água a quem precisou.
- A todos que oraram por todos.
- Ao Brasil todo, que chorou nossos mortos e nossas perdas.
- Aos novos amigos que fiz no centro de triagem, na segunda-feira.
- A todos aqueles que me ligaram preocupados com a gente.
- A todos aqueles que ainda se preocupam por alguém.
- A todos aqueles que fizeram algo, mas eu não soube ou esqueci.

 
Há alguns anos, numa grande enchente na Argentina um anônimo escreveu isto:
 
 
COMEÇAR DE NOVO:
 Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz
Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje
Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério
Eu tinha rejeição por quem era da periferia
Até que me deram abrigo e alimento
Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos
Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia
Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome
Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água
Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas
Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome
Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas
Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos
Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia
Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias
Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos,
Agora nem tanto
Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora
Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos
Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão
Tínhamos um rio
Agora somos parte dele
É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.
                           (Anônimo)
   
É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar não só materialmente. Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.
"
                                                                       Luis Fernando Gigena (Itajaí-SC)

19 de nov. de 2008

Mala Educacion

Foto: Fernando Gomes
No Rio Grande, Yeda canta de galo, faz ninho, põe ovo mas quem faz cocoricó está do lado. Triste figura que adorna a ausência de idéias, cujas explicações são mais furadas que a bandeira dos farrapos. Dizer que pediu silêncio "porque os manifestantes estavam vaiando durante a execução dos hinos" não é só mais uma mentira despudorada, mas uma leviandade estampada em foto. Se verificarmos bem, enquanto garra de ave de rapina toca o nariz adunco, nenhum áulico está entoando outro hino que não o da complacência com o deboche. Aliás, há uma figura no primeiro plano com um sorriso prá lá de debochado. Alguém consegue, através da foto, identificar alguém que esteja entoando um hino, qualquer hino, mesmo que seja de um time de futebol?

6 de ago. de 2008

A Folha Furou, e a Rede Bunda Sujou

Folha de São Paulo, quarta-feira, 06 de agosto de 2008
Aguarda-se um pronunciamento de 15 segundos do canastrão dos pampas

Acusado de desvio no Detran-RS muda versão e agora envolve Yeda

Lair Ferst, que coordenou campanha de tucana, diz que atual gestão reestruturou esquema de fraude

Empresário negocia com a Procuradoria implicar o primeiro escalão do governo em troca da retirada de parte de acusação contra ele

ANA FLOR
ENVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE

GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

O empresário Lair Ferst, acusado de ser um dos pivôs do desvio de R$ 44 milhões do Detran-RS, envolveu ontem pela primeira vez a governadora Yeda Crusius (PSDB) na fraude.
Uma semana depois de se desfiliar do PSDB, Ferst -que ajudou a coordenar a campanha de Yeda em 2006- afirmou em entrevista exclusiva à Folha que foi uma decisão da cúpula do governo reestruturar o esquema de desvio.
O empresário negocia com o Ministério Público Federal e com a Justiça implicar cerca de dez nomes de integrantes e ex-integrantes do primeiro escalão do governo gaúcho, além de pessoas com foro privilegiado, em troca da retirada de parte das acusações contra ele.
Ferst é réu em ação criminal com outras 39 pessoas. Ele responde, entre outras acusações, por corrupção ativa e extorsão. A Folha apurou que essa é a segunda tentativa dele de fazer um acordo. A primeira foi vetada pela Justiça em abril.
As novas informações que Ferst promete acrescentar se referem à chamada "fase dois" da fraude -quando o Detran substituiu, em maio de 2007, a Fatec pela Fundae, ambas fundações ligadas à Universidade de Santa Maria.
As investigações apontam que a troca ocorreu para retirar as empresas da família Ferst do esquema e beneficiar empresas ligadas a integrantes do aliado PP. Mesmo assim, até então, o empresário havia assumido posição de defesa da governadora -negando inclusive qualquer proximidade com a tucana. "Procurei não potencializar essa relação em razão do clima quente do debate político que se travou na CPI [da Assembléia Legislativa], eu não achava que era conveniente servir de munição para a oposição."
Agora, Ferst afirma que era amigo da governadora e que foi recebido mais de uma vez por Yeda depois da posse. Segundo ele, a reestruturação da fraude, com a troca de fundações, foi decisão política do governo. "É público e notório que houve o envolvimento da governadora nesse processo", disse ele.
O empresário afirma que as informações que prestará ao MPF irão envolver pessoas próximas a Yeda. A crise já derrubou cinco integrantes do primeiro escalão, alguns deles citados por réus em grampos realizados pela Polícia Federal na Operação Rodin.
A reavaliação de sua estratégia de defesa ocorreu após o cancelamento do depoimento que prestaria à Justiça Federal no dia 20. Aprovada este ano, a lei 11.689 altera o curso do processo criminal, deixando para a última fase os depoimentos dos réus. Além da razão processual, Ferst mostra-se magoado com o "abandono" de tucanos.
Na semana passada, Ferst foi impedido pela PF de sacar R$ 200 mil em agências bancárias de Porto Alegre. Ele diz que o dinheiro é lícito e que vai acionar judicialmente a PF pelos abusos que afirma ter sofrido.

11 de jul. de 2008

Penélope para Presidente

Já que o tema são os animais, lanço minha labradora Penélope para Presidente do STF. Ela tem uma capacidade de abstração invejável. Já leu Norberto Bobbio em italiano. Atualmente está em dúvida entre Jung e Freud, o que tem provocado algumas alterações de humor: cada vez que ouve meu nome foge latindo! Hoje ela me mostrou um artigo no jornal Zero Hora, do Procurador Federal, Douglas Fischer. Enquanto lia, ela deitou-se nos meus pés e cochilou, sentido-se segura, pois ainda há gente de bem neste mundo.


11 de julho de 2008 | N° 15659
AlertaVoltar para a edição de hoje
Artigo
George Orwell salvou Dantas?, por Douglas Fischer*

Manhã de 10 de julho de 2008. Manchete de ZH: "Supremo manda polícia soltar banqueiro Dantas". Voltarei ao tema. Preciso antes compartilhar outros fatos com o leitor.

Atuando num processo no ano passado, com réu condenado por pequeno tráfico de entorpecentes, vi uma colega procuradora da República recorrer para absolvê-lo. Ela o havia denunciado, mas, no curso da ação, concluiu não haver provas para condená-lo. Sim, leitor, o MP deve atuar em favor do réu se assim entender. É o que determina a Constituição. Dei parecer favorável, mas a condenação foi mantida.

Há que se respeitar o entendimento do Judiciário, mas recorri ao STJ a favor do réu. O recurso foi admitido. Contudo, como demora. Porque ainda preso o réu, entrei com um habeas corpus no STJ (sim, leitor, o MP também pode recorrer em favor de réu para beneficiá-lo). Eu entendia que sua prisão (já há quase dois anos) não tinha fundamento jurídico. A liminar foi indeferida.

Passaram-se alguns meses. Natal, final de ano, férias, praia para alguns. Para outros, sol "quadrado". Em março passado, invocando precedente do STF - que serviu para a soltura de Flávio Maluf e, depois, de seu pai, Paulo - , "ousei" impetrar novo hábeas no próprio STF, com pedido de liminar. Nada. Pedi novamente. Nada. Mais de três meses depois, sai a decisão do relator: o hábeas é indeferido. O argumento: não haveria flagrante ilegalidade e o hábeas impetrado perante o STJ seria julgado em breve. Ah, bom!

Daniel Dantas ajuizou um hábeas contra a investigação que se fazia contra ele no TRF em São Paulo. Queria um salvo-conduto. Não ganhou a liminar. Impetrou outro, no STJ. Não levou. Foi ao STF. Mais uma vez, não ganhou. Ocorre que, há dois dias, por fato novo, é decretada sua prisão temporária. Atente-se: o fundamento era novo e não havia sido objeto do hábeas já ajuizado. Em vez de impetrar (como seria o correto) novo hábeas no TRF, atacando a decisão do juiz que decretou sua prisão, foi "direto" ao STF, pedindo ampliação do pedido que lá estava. Não podia. Mas a liminar foi deferida, pouco mais de 24 horas depois da prisão. Está solto, diz a manchete do jornal.

Não há espaço para contra-argumentar o equívoco, em meu modesto juízo, da soltura de Dantas. Não contesto também, nem indiretamente (que fique claro), a honorabilidade de quem o soltou. Longe disso. Mas quem talvez não entenda nada, se souber da manchete de hoje, é aquele preso para quem impetrei os habeas corpus e que continua preso.

Lembro de um dos mandamentos da sátira de George Orwell em sua Revolução dos Bichos: "Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros". Satiagraha (nome da operação) define a linha de ação de Gandhi na sua luta pela independência da Índia (Gandhi e Orwell eram indianos, por coincidência).

Dantas é grato a seus advogados, certamente. A esta altura, por paradoxal que seja, pretendia estar acendendo velas para George Orwell. Ficou difícil. Não por que o vento que corre solto no alto de sua cobertura na beira-mar do Rio de Janeiro pudesse impedir. É porque, acolhendo novo pedido do Ministério Público Federal, na tarde de ontem, o juiz federal Fausto de Sanctis decretou novamente a prisão de Dantas. O mínimo que se pode esperar é que a decisão seja respeitada. Inclusive pelo presidente do STF.

*Procurador regional da República na 4ª Região