22 de nov. de 2004

Furtado

Nada como a morte para revelar o mundo dos vivos. Foi-se Brizola, e lá foram os urubus pousar de papagaios, como se absorvessem parte de seu prestígio pela simples presença. Morreu Celso Furtado, e lá aparece o PT desbotado, querendo furtar a cena. Marta Suplicy quer transformá-lo em viaduto... Como no samba do Nelson Cavaquinho, o PT deveria ter feito enquanto vivo, não depois que se transformou em saudade. Se quiser fazer por mim, que faça agora!
O homem sobrevive nas idéias, querer preservar o nome sem abraçar elas, é furto.
Com o PT no governo, Celso foi Furtado!

21 de nov. de 2004

Politiburros

O petismo federal tem feito um esforço enorme para mostrar-se a cada dia mais rastaquera. O Lula, coitado, é um Lech Walesa com um dedo a menos de cérebro, e dois mais de servilismo. Repudiado pela esquerda, é todo elogia da velharquia. Basta dizer que os veículos da Rede Globo, todos, incluindo filiais como a RBS, estão ao lado de Lula. Em contrapartida, um a um os políticos mais honestos do PT estão abandonando as fileiras. Sintomaticamente, os primeiros foram expulsos.
Menosprezando nossa capacidade de entender, o PT agora se dispõe a baixar um pacote para recomprar a classe média. As medidas não visam por em prática sua visão de governo, mas evitar uma nova derrota, como o foi a municipal. Faz por necessidade eleitoral, não por convicção ideológica. Nada mais elucidativo que o embarque do PMDB no lugar dos petistas que estão saindo. O PMDB apresentou a fatura, o governo pegou dinheiro público e os comprou.
É de negociata em negociata que faz um partido de bravatas!

11 de nov. de 2004

Camelô

Ao taxar o Fórum Social Mundial de "feira de produtos ideológicos", Lula sabia do que estava falando. O que é raro, pois não é de seu costume pensar. No caso do Fórum, a deixa foi dada por Tarso Genro, o "utopista do possível", ou a utopia que o dinheiro pode comprar...
Lula tem se dedicado ao mercado de secos e molhados, vendendo gato por lebre, esperança por decepção. Pelas leis do mercado, Lula sai-se bem no âmbito financeiro. Fez dos aposentados bois de piranha na tentativa de se entronizar no mercado previdenciário. Nesta semana saiu a pesquisa: o segmento previdenciário cresceu 33,54% neste ano de 2004.
Nenhum outro segmento lucrou tanto quanto os banqueiros. E a prova dos trinta dinheiros de seu mercadinho ideológico, resulta do tratamento que os bancos oficiais (BB e CEF) deram aos seus funcionários em greve. Exatamente o segmento mais lucrativo do desvario petista sonega tratamento decente a quem as duas instituições merecedoras de crédito. Lula passa como passou FHC, mas BB e CEF e funcionários permanecem.
O PT, se Deus quiser, também passará!

10 de nov. de 2004

O PT Vencedor

O PT foi varrido do centro para a periferia. Perdeu nos grandes centros e foi se alojar nas grotas. Quando disse que o PT se hospedou nos grotões da Arena, fui duramente contestado. Que não era verdade, pois havia ganho em grandes capitais do Norte e Nordeste. Pois repito o que disse então: lá o PT que ganhou é PT da véspera. Muitos deles antes pertenciam à velharquia (Vide Flamarion Portela, governador do new PT cassado), e bandearam-se de mala e cuia para o oportunismo. Não têm tradição ideológica nem prática democrática.
O PT do Sul que sobrou atende por Tarso Genro, um Quinta Coluna de primeira!
Até agora, Tarso fez mais contra do que a favor do PT (Comprou a pesquisa que o colocava como único petista em condições de derrotar Antonio Britto. Acabou derrotado por um poste). Seu comportamento aético, sinuoso como enquia ensaboada, torpedeia quem se atravessa no caminho sem dó nem piedade. Armado dem um pragmatismo tosco e usando de meia dúzia de conceitos abstratos, enrola um sociologês de centro acadêmico de escola pilatrópica. Mas dispõe do suficiente para alçá-lo a Ministro da Educação. Até aí, nada demais, Delfim Neto e Carlos Alberto Chiarelli também foram...
Agora vem a notícia que o prefeito de Macapá, João Henrique Pimentel (PT), foi preso apontado como integrante de uma quadrilha que desviou cerca de R$ 103 milhões em recursos federais.
Como diria minha avó, o exemplo vem de cima. Se o fisiologismo campeia solto no Planalto e no Congresso, comandados pelos deslumbrados petistas, na planície a boiada vai pastando no mesmo rumo.
Este é o New PT, aquele que saiu vencedor nas urnas!

4 de nov. de 2004

Com postura

Quem não se compõe, não se recompõe! A entrevista da lulista-tarsista Maria do Rosário, enfeite kolynos na chapa petista, isentando Lula da sua derrota para José Fogaça mostra que, mesmo apanhando, a menina não se recompõe. Parece uma dálmata, com marcas roxas em tudo que é lado, após a surra na eleição municipal, do Rosário enfia a cara no buraco e mostra a bunda aos eleitores. Será que ela não sabe que os eleitores do Fogaça são classe média, portanto não só com melhor nível econômico, mas também com mais acesso à informação. Na outra ponta, Eduardo Suplucy põe o dedo onde do rosário deixa destapado.
O PT perdeu onde sempre foi campeão, na classes com mais formação e informação. Perdeu ali, quando optou pela ignorância, tapando olhos com peneira, sentado no trono dos "novos ricos". Quem não sabe comer mel se lambuza, dizia minha avó. Velha e eterna sabedoria.
Nesse andar, o santo de barro não chega à fonte. Lula, como do Rosário, poderá perder para um poste. Nada mal para quem só sabe iluminar o caminho dos banqueiros, ignorando os bancários. Quem come soja transgênica com gula, absorve e absolve Maluf, digere Waldomiro Diniz e José Genuíno, ou é lelé da cuca ou age de má-fé.
O T de trabalhador virou T de trambiqueiro, por acharem que eleitor é paspalho.

3 de nov. de 2004

Sexta-feira 13

Tanto fez que a galera medonha voltou. Não há como negar, Lula, dia após dia, incessantemente, incansavelmente, trabalhou para ressuscitar a velharquia gaúcha. Os transgênicos ressuscitaram Fogaça e o homem do tiquet leite do Sarney, Nelson Proença. O resultado eleitoral no Rio Grande do Sul não podia ser diferente, foi uma surra com vara de guanxuma. O PT foi ser gauche onde antes puLulava a ARENA. Não por acaso abraçado a Maluf... Foi nos grotões, nos currais da troca de votos por comida, onde a ideologia é lombriga, que o PT venceu.
O new PT trocou cabeças por bolsos. Vendeu a ideologia, a decência e a boa índole no mercado mundano do deslumbramento. Foi usar calça comprida vestida de pompa e circunstância, renegando a ética, e metade de sua sigla. Nunca os trabalhadores se viram tão desprotegidos quanto neste período de governo Lula. Que o digam os bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal! Antes pelo menos tínhamos o PT que não transigia, que comprava briga, que lutava pela decência na política, no serviço público. Ao se entronizar, o Napoleão de Guaranhuns, foi logo pensando em ser imperador.
Agora, nestas eleições, nós eleitores estamos dizendo: Lula está nu!

20 de out. de 2004

Sucesso do PesTismo

Quais os três maiores sucessos da política econômica neoliberal de Lula? Sem dúvida, o controle da inflação, o aumento do superávit primário e o religioso pagamento dos juros de nossas dívidas externa e pública.
Quais os três maiores fracassos? O café da manhã, o almoço e o jantar...

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa, 20/10/2004.

19 de out. de 2004

Honra ao demérito

Ex-prefeito bem apreciado no exercício do cargo, Raul Pont abre o jogo: é a decepção com o governo Lula, por parte do eleitorado, que explica a sua dificuldade de confirmar, agora, o favoritismo lógico e demonstrado no primeiro turno pela Prefeitura de Porto Alegre. Algum petista chegaria, inevitavelmente, à sinceridade de expor em público o ponto de vista de muitos, inclusive ou sobretudo em São Paulo.
Os nove pontos de vantagem com que Raul Pont bateu José Fogaça, ex-PMDB e neófito do PPS, transformam-se em 12 pontos de desvantagem. Justifica-se a estranheza de Pont com a surpreendente (segundo Fogaça, também) rapidez de virada tão grande, na pesquisa Ibope. Pont observa, porém, que aparece com percentual que corresponde à sua votação no primeiro turno. Assim sendo, os números de Pont e suas observações se confirmam e completam:
"Não dá para negar que havia expectativa e esperança de soluções mais rápidas do governo para os problemas do país. Isso é o que as ruas estão dizendo." Ou seja, a decepção com o governo Lula reduz o eleitorado de Pont ao petismo incondicionalmente fiel, e lhe nega as condições, nem se diga para colheitas invasoras, mas para preservar o seu apoio eleitoral passado.
Se estudados com menos superficialidade do que até agora, os resultados eleitorais ainda acabam levando ao reconhecimento de que Antonio Palocci foi a grande figura nas eleições pelo país afora. A surra levada pelo PT no Rio -na cidade e no Estado- a ele é devida em grande parte: quando menos, por ser surra, e que surra, onde Lula obteve igualados 80% dos votos. É provável que em pouco se declarem muitos outros candidatos e lugares que justificam um busto de Palocci erguido pela oposição.

Jânio de Freitas, Folha de São Paulo, 19/10/2004

O comportamento de avestruz não é exclusividade petista. Os crentes de todas as religiões usam tapa-olho. Alguém já viu alguém da Igreja Universal deixar de ser crente por que seu pastor mostrou-se pedófilo?!

O justo-meio no meio injusto

O grego Eubulo (375 a.C.) estabeleceu algumas regras, etiqueta, a respeito do vinho.
"Três taças preparo para os comedidos: uma para a saúde, a segunda para o amor e o prazer, a terceira para o sono. Depois de tomar a última taça, os convidados prudentes vão para casa. A quarta taça não é nossa, pertence à violência; a quinta ao tumulto; a sexta, à folia; a sétima, aos olhos roxos; a oitava, ao policial; a nona, à bilis; a décima, à loucura."
Também na política os gregos buscaram a moderação, pois os deuses puniam a desmedida. Os romanos também procuraram não concentrar poderes. E quem ousou, como Júlio César, foi punido.
Observando os governantes da américa latina eleitos nas últimas duas décadas, também pode-se afirmar:
O primeiro mandato pertence ao povo, o segundo, aos usurpadores.
A reeleição é recurso espúrio. Os resultados têm mostrado isso. A moderação é a razão de ser das democracias.

17 de out. de 2004

Uma Pont longe da capital

1) Por que o PT mente, como fez Lula na escala Federal, que é demente. Deixou de ser um partido confiável ao povo, para se tornar capacho do polvo... ou Lula. Não conseguem dar segurança aos brasileiros mas se arvoram dfensores do povo do Haiti. O Haiti é aqui, já dizia Caetano Veloso. Mas Lula só ouve Zezé di Camargo e Luciano...
2) Por que somente pessoas modificadas eticamente poderiam liberar o plantio de soja geneticamente modificada.
3) Por que Raul Pont desconhece que José Fogaça é da base aliada de seu partido, tendo Ciro Gomes como representante na ante-sala do PesTismo federal.
4) Por que José Fogaça nos fez nada no Senado. Se tivesse feito tanta bobabem quanto Lula et caeterva, ainda assim se igualaria ao PT.
5) O resultado da greve dos bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil são um retrado pronto e acabado do "new PT". A classe mais explorada pelo setor mais lucrativo foi jogada aos leões pelo partido que se diz dos trabalhadores.Os oPorTunistas preferiram os banqueiros aos bancários. E a Reforma da CLT ao estilo petista, que prevê a livre negociação, já vem com a experiência da "livre negociação" dos bancários com os banqueiros... Se uma categoria forte e organizada como a dos bancários não levaram nada, imagine-se outras menos estruturadas.
6) Por que, em termos de ética, depois do jantar de Lula com Roberto Jefferson (o verdadeiro FOME ZERO), presidente do PTB, e mascote da "tropa de choque" do Governo Collor, o PT está desautorizado a criticar o comportamento de quem quer que seja. Não bastasse isso, Marta Suplicy e José Genoíno se lançaram nos braços de Paulo Salim Maluf, que dispensa apresentações. Ah! O PTB também está no governo Lula, no Ministério do Turismo...
7) Quem perseguiu aposentado e servidor público como fez o Governo Lula, igual ao caçador de marajás das Alagoas, não pode cobrar honestidade de quem quer que seja para ser um bom prefeito. O PT na oposição não permitiu tamanha desfaçatez.
8) Lula, tal qual Fogaça, também nunca havia ocupado um cargo no Executivo antes. Aliás, sequer trabalhava.
9) Por que o PT faz a crítica fácil, apontando no adversário os mesmos males de que padece, abusando da capacidade dos eleitores de perceberem o engôdo.
10) Por que a alternância no poder é da essência da democracia. E a derrota do PT será uma vitória contra o político vira-casaca, deslumbrado com a transitoriedade do poder, o messianismo inconseqüente, que renega as bandeiras e os que as desfrandavam, tentando nos convencer com discurso boçal.

15 de out. de 2004

O combustível do Pont

Marilena Chaui, na revista CULT, falando da Rede Globo: "Essa eu não vejo porque me encergonho. Nem o Diário Oficial da União nem os jornais do PT são tão governistas quanto a Globo."
Nos tempos de Delfim Neto, sempre que acontecia alguma notícia para os militares, lá vinha o indefectível, na Rede Globo, anunciar a descoberta de mais um lençol de petróleo na Bacia de Campos. A hipocrisia era tanta que o Millôr se perguntava pelas conseqüências. Afinal, o problema já não era mais petróleo mas quem fabricaria tantos barris para armazenar tanto petróleo?
Como no soneto do Camões, mudam os tempos, mudam-se as vontades, mas já não se muda com soía. A Petrobras continua aumentando a produção, a ponto de o governo declarar que até o final do ano seríamos auto suficientes. Vejo, inclusive, que o dólar caiu. Isto é, o real valorizou-se frente ao dólar.
Mas eis senão quando vem o governo e anuncia aumento dos combustíveis! Teria ele intenção de usar este dinheiro para financiar o segundo turno da banda petista?
Sei não, mas desse jeito nem a Globo salva o Raul. Até um poste ganha do Pont.

13 de out. de 2004

No acostamento

O PT sempre lutou para chegar lá. Desde sua origem montou uma estratégia, e nisso ele não está sozinho, visando chegar ao poder central. Todos os passos eram dados no sentido de aplainar o caminho para o Planalto. Este mesmo caminho trilhou o PSDB.
Lula, obcecado pela idéia de ser chefe supremo do executivo, menosprezou qualquer outro degrau na hierarquia política. Pelo menos FHC galgou degrau a degrau. Ambos chegaram lá, e, uma vez lá, ambos passaram a sonhar com a visibilidade externa. O que prova que a ambição pessoal não tem limites. É da nossa natureza queremos ascender sempre e cada vez mais alto, não é mesmo?! Que o diga Ícaro!
Ambos, Lula e FHC, têm em comum um alheamento da realidade, uma espécie de autismo político que afeta principalmente os deslumbrados com a transitoriedade do poder. FHC foi-se, Lula irá!
Preocupados em mostrarem boa educação, pensando serem bem aceitos no banquete dos grandes mandatários, dão prioridade ao bom-mocismo externo. Dívida é dívida, diz o banqueiro, tem de pagar! E assim vem sendo feito. E por isso, para figurarem entre as "nações civilizadas", é que a dívida externa vem sendo a única a merecer a atenção.
E como fica a dívida social? Veja-se o caso das estradas brasileiras. O máximo que merecemos é uma operação tapa buraco! Só no RS foram 26 mortes neste feriadão. E aí os juízos apressados correm a culparem os motoristas. Poucas e péssimas estradas, com tráfego intenso e mal sinalizadas as causas das mortes são. Ora, basta ultrapassar a fronteira para se ter certeza que a grande causa das mortes não é a velocidade. Na Argentina, por exemplo, o limite de velocidade é bem superior ao nosso. Mas as estradas são mais largas e melhor conservadas. No Brasil, a insensibilidade deste e dos governos anteriores manda jogar a culpa da tragédia às próprias vítimas.
"Campanha de conscientização" é desvio, atalho para jogar dinheiro no caminho da mídia!
E por esse caminho de insensibilidade que Lula está pondo o PT no acostamento. Marta Suplicy em São Paulo e Raul Pont em Porto Alegre tiveram suas administrações bem avaliadas pela população. No entanto, estão sendo rejeitados nas urnas. A população, nestes dois casos, mesmo sem saber, está seguindo uma velha máxima marxista: "Pensar globalmente e agir localmente." Pensam no governo Lula e agem no município. O desastre federal é vivenciado no município! Assim como se reclama ao bancário, e não ao banqueiro, a conta do petismo federal está sendo espetada nas costas dos candidatos a prefeito.
Subalternos obedientes, Marta Suplicy e Raul Pont têm se prostrado em direção a Lula, virando a bunda para o povo. Agora, na corrida municipal, o pontapé virá!