2 de abr. de 2007

Liberdade de Imprensa aos cães, Já!


Neste domingo, primeiro de abril, ZH se superou, atualizando a frase do Barão de Itararé, "de onde menos se espera, de lá mesmo é que não sai nada". Em cinco páginas força uma assepsia nunca antes vista no recorte da realidade. A sangue frio, os bandidos emplumados, cabresteados pelo coronelismo eletrônico, apresentam 24 de Violência no RS. Não há opinião, apenas fatos. E os fatos falam por si sós. Nenhum editorial acompanha a reportagem de capa. Também nenhum colunista se imiscuiu na seara da tergiversação.

Não foram ouvidos especialistas em segurança, como Vieira da Cunha, muito menos Jair Krischke, que sempre tinha alguma revelação apocalíptica a respeito da segurança no Governo Olívio.

Tenho a impressão que os fatos narrados pela ZH ocorreram no Rio de Janeiro. Apenas teriam sido alterados os nomes das personagens, os locais dos fatos e excluídas as autoridades responsáveis pela Segurança.

Como é mesmo o nome do Secretário de Segurança atual?

Quando se trata deste assunto, o Rio Grande dispõe de governador?

Que partido governa o Estado no momento?

Este recorte no vácuo interessa à quem? À RBS, pois deveria assumir suas responsabilidades em termos de Segurança, ela que entende tudo. Senti falta também da opinião abalizada do Vieira da Cunha, o mais esperto da classe. Talvez não tenha se produzido no RS um consórcio tão bem ajoujado como aquele da RBS & Vieirinha no Governo Olívio.

Que saudade dos tempos em que tinham a solução para todos os problemas de segurança ao mesmo tempo a facilidade com que conseguiam apontar os verdadeiros culpados.

Por onde anda Vieira da Cunha que nem a RBS consegue localizá-lo?

Que saudades de sua sabedoria e isenção?

Que ninguém se assuste se no próximo domingo tenhamos mais cinco páginas de fatos ocorridos em 24 horas em Porto Alegre. Os lixos acumulados, os buracos que crescem geometricamente, os alagamentos, marquises caindo, a fúria arrecadatória dos azulzinhos... Não será ouvido o Secretário Municipal de Obras muito menos o Prefeito. Aliás, Porto Alegre tem prefeito? Se tem, trabalha? Se trabalha, onde? Quais foram as medidas necessárias ao bem estar dos porto-alegrenses?

A liberdade está ameaçada aqui no Sul! Vou soltar o Perdigueiro Puggina para vistoriar quem anda manietando a liberdade da RBS informar. Por que currais se esconde este democrata?

Nunca me senti tão agredido, em todos os sentidos, do que desta feita. Vivendo nesta cidade desde 1984, tendo já merecido um editorial da ZH, nunca havia sentido uma sensação de insegurança tão grande como agora. É mais uma desfaçatez perpetrada pela RBS. E olha que ela tem um curriculum avantajado.

Depois dessa, até os cães lá de casa estão proibidos de ler ZH! Covil de boçais!


À propósito de Danusa Leão

Li "Quase Tudo" por ela ser irmã da Nara. No final do livro ela confessa que deu o que todo mundo, menos o carrapato, tem. Direito dela, afinal cada um dá de si o que tem de melhor, não é mesmo?!

28 de mar. de 2007

Os 300 picaretas da Abril


Ao Editor de "Grandes Guerras" (Edição 16 - março 2007)

Na onda do filme 300, que no Brasil recebeu o título de "Os 300 de Esparta", algumas revistas de história, com minúscula mesmo (ou deveriam ser chamadas de Estória), exploraram o assunto nas edições de março. O filme deve estrear ainda este mês.

O assunto é interessante, tanto os aspectos históricos como seu reflexo na atualidade, como por exemplo o heroísmo épico, mas também para quem tem no período clássico grego um interesse maior e constante. Estive na Grécia mais de uma vez, leio e releio obras que sobreviveram ao tempo, como os estudiosos atuais, principalmente franceses (Jean-Pierre Vernant, Pierre Vidal-Naquet, Claude Mossé, Jacqueline de Romilly). Há, especificamente sobre a batalha das Termópilas, um bom romance, "Portões de Fogo", de Steven Pressfield, que bebe até se afogar na fonte original, Heródoto, pai da "História".

Mas, se "a guerra é a continuação da política por outros meios", como disse Carl von Clausewitz (Da Guerra), então a revista Grandes Guerras, da famiglia Civita, é busca da perfeita empulhação pelas palavras. Até o americanos sabem, que ‘quando há guerra a maior vítima é a verdade’ (senador americano Hiram Johnson, em 1917). Como se trata de uma "guerra civilizatória" comandada pelo serial killer americano, Bush Jr, a verdade é sim a principal, para ele e para seus comparsas espalhados pelo mundo, a começar pela imprensa tupiniquim. E, tal qual fizeram com a guerra do Vietnã, os americanos tratam de ganhar no imaginário a guerra perdida no campo de batalha. Como nos anos 40, quando Hollywoood se perfila ao lado do atual governo na contra-propaganda, difundindo idéias para ganhar corações e mentes contra aqueles que não se ajoelham ao império. Digamos que Hitler merecia, mas para isso nem havia necessidade de mentir. Saddam Hussein provavelmente foi quase tudo o que diz, mas e daí. E Pinochet? Deste ainda não se disse tudo mas o que se sabe é suficiente, senão para enforcá-lo pelo menos para castrá-lo como se fosse um porco. No entanto, sempre gozou da cumplicidade americana.

Segundo o escritor australiano, Tony Perrottet (Férias Pagãs), a origem da palavra editor tem a ver com os "esportes" praticados no Coliseu. Assim era chamado o diretor das escolas de gladiadores. Mais precisamente, era quem decidia se um lutador ferido seria mais benéfico vivo ou morto. Em lugar privilegiado da arena, fazia o sinal fatídico com o polegar: para cima significa que poderia ainda render algum dinheiro, portanto, valeria a pena gastar na cura dos ferimentos. Polegar para baixo indicava o fim dos rendimentos, mas também o fim dos gastos com aquela "mercadoria", era bananeira que já havia dado cacho. O poder de vida e morte era demasiado popular para ficar nas mãos de subalterno, então os imperadores avocaram o direito de usar o próprio polegar em seu benefício político.

É dentro deste contexto que deve ser lido o "Manual do Soldado; sobrevivendo no Iraque". Pelo título parece aqueles guias de turismo para mochileiros, que, numa livre adaptação, poderia ser traduzido por "como sobreviver no Iraque matando quem aparecer pela frente". Não fosse instrução para um campo de batalha, a orientação para "estar sempre alerta sobre o que se passa nas imediações" não passaria desses livros de auto-ajuda de aeroporto.

Em território alheio, ambos, editor da revista e o comandante dos gladiadores, comungam da idéia de que pode haver não só prazer, desde os tempos do Coliseu, em eliminar, mas também lucro com a eliminação do "suspeito". Gostaria de ler um manual escrito por algum iraquiano: Manual do invadido: como se defender de um ataque covarde. Aliás, a revista Época também entrou no ramo, copydeskando os americanos, ao querer dar sentido a uma expressão fascista: islamo-nazismo. Convenhamos, quem usa uma expressão destas não merece o mínimo respeito e deveria responder judicialmente, até para aprender o real significado das palavras, por tamanha imbecilidade.

Ainda dentro do assunto bélico, lembro de uma passagem de Sun Tzu, o filósofo chinês da guerra. Para demonstrar ao chefe como se deve portar um verdadeiro comandante, reuniu as concubinas do rei e mandou-as perfilar e, em seguida, marchar. As que levaram na brincadeira foram decapitadas, na frente do Imperador, com o argumento de que insubordinação é uma das piores infrações num exército. Quando vejo tantos jornalistas perfilados, cantando o mesmo canto gregoriano dos coronéis eletrônicos, cresce minha convicção na belicosidade dos chefes. Entendo também que, como as concubinas, quem não marchar pela linha do patrão terá a cabeça cortada. Mas, assim como havia os "carrascos voluntários de Hitler, também há os carrascos voluntários do patrão. Querem ver como funciona uma mente macabra: "A lista de supostos leitores célebres é extensa(de Sun Tzu). Vai de Napoleão Bonaparte a Luís Felipe Scolari. Dizem que Hitler o leu. Lula e Mao Tse-Tung, também." Lula entrou nessa como Pilatos no Credo. Quem dera Lula tivesse lido, teria sido mais incisivo na democratização dos meios de comunicação, tratando como algo estratégico para o exercício da liberdade. Também saberia lidar melhor com editores boçais. Como não é assinada, a matéria é um tributo aos "editores" do Coliseu. De onde vem este ódio à verdade na casa dos Civitas?

Na seqüência, o articulista Reinaldo José Lopes, ao tratar das conquistas de Ciro no lado grego, doura a pílula: "Seu domínio trouxe estabilidade, lei e ordem, assim como a possibilidade de tranquilamente fazer comércio, com as vastas regiões do império a leste." Afinal, que importâncias tinham as liberdades da democracia diante da lei e da ordem que propicia o comércio? Alguma diferença com a atual prepotência americana no Iraque? O resenhador provavelmente não leu "Os Persas", do teatrólogo grego Ésquilo, em que a rainha Atossa, incrédula, quer saber de onde vinha o poder que derrotava o poderoso exército persa:

"Atossa - E que rei e senhor lhes serve de cabeça

e comandante de toso os combatentes?

Corifeu - Eles não são escravos de ninguém, nem súditos."

Como não traçar um paralelo entre o poderoso Império Persa sendo derrotado, primeiro nas Termópilas e depois em Salamina, com as derrotas americana primeiro no Vietnã e agora no Iraque. As simetrias quanto às superioridades numéricas dos exércitos não entra em pauta. Os deuses não perdoam a arrogância, a desmedida, dos que pensam e agem como se deuses fossem. Os trezentos de Esparta e seu rei Leônidas ainda podem ser vistos por aí, no Vietnã, em Cuba, no Iraque, na Venezuela... aprontando das suas sobre os prepotentes de todos os tempos. Até no jornalismo, afinal os Blogs desmentiram a maquinação macabra do Globo, Folha & Estadão no episódio da manipulação eleitoral. Como entre os gregos, também por aqui se encontram traidores sequiosos de seus trinta dinheiros. Pois é, então cabe a pergunta: de onde é mesmo que vem o dinheiro que alimenta o ódio dos CIVITAS aos movimentos sociais?

Quando estas revistas se esmeram em taxar o oriente próximo de terrorista e/ou fundamentalista, esquecem do período Inquisitorial da Igreja Católica. E isto foi no Ocidente. O mesmo ocidente que pariu Hitler, Mussolini, Bush. Então, que civilização é esta que, uma vez tendo acabado a Segunda Guerra, lança bombas atômicas sobre cidades para matar exclusivamente milhões de civis? O tráfico negreiro foi oriental? O apartheid que financia a Abril foi no oriente? Quando mesmo foi que os negros americanos se livraram da Ku Klux Kan? A civilização Ocidental produziu, neste hemisfério, ditaduras sangrentas no Chile, na Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. E Guantánamo fica onde mesmo? Portanto, comportamento animalesco não é privilégio de nenhuma "civilização". Quando se fala em terrorismo alguém consegue lembrar que Bin Laden é cria dos EUA na luta contra a antiga URSS? Que o ditador Saddam Hussein foi aliado dos EUA contra o Irã? Alguém saberia explicar que "civilização" preservou a cultura greco-latina durante o longo período Medieval ocidental? Aristóteles, Platão ou Luciano teriam sobrevivido se não fossem os árabes?

Para quem gosta do assunto, aí vão algumas obras fundamentais:

Alcibíades ou Os Perigos da Ambição, de Jacqueline de Romilly

Os Pérsas, de Ésquilo

Anabase, de Xenofonte

Da Guerra, de Carl von Clausewitz

História, do Heródoto

Os Portões de Fogo, Steven Pressfield

A Batalha de Salamina, de Barry Strauss

26 de mar. de 2007

Mundo cão


Cadê o vociferante Lasier Martins, o cérbero da RBS?

O Rio Grande amanheceu esta segunda com 23 homicídios registrados, à ferro, nas costas. E cadê cadernos especiais pedindo uma CPI da segurança pública? Estes 08 (oito) anos de consórcio PMDB, PSDB & RBS deixou o Rio Grande neste estado. E, claro, com a participação do PDT, de Vierinha à famiglia Bacci... Não estamos reféns da violência, estamos à mercê de uma máfia política, cujo braço armado é a RBS. E até o reino mineral sabe que responsabilidade pela segurança pública é dos Estados.

E violência não é só o roubo, latrocínio, estas coisas tão corriqueiras neste consórcio. Violência também é atrasar salários. Por que atrasar salários mas não atrasar publicidade? A RBS continua enchendo as burras com o dinheiro travestido de publicidade.

Cão por cão, prefiro minha fiel protetora Penélope. Leitora voraz do manual de redação da RBS...

9 de mar. de 2007

ÉCA OCA


No meu tempo de colégio, é lá se vão anos, uma expressão dolorida de se ouvir era "não passou de época", significando reprovação. Há um projeto de revista que ainda "não passou de Época". E ela mesma se encarrega de expor as razões da reprovação. Na Edição 459 - 05/03/2007, disponível no site, alguém chamado Marcelo Musa Cavallari, que pelo sobrenome não se perca se for confundido com mulari, convence que nosso problema não são de fato os americanos, são os invertebrados tupiniquins, sempre prostrados pro Antártica para que a bunda fique posicionada pro norte. O indigitado, a propósito da visita bushiana, que nada tem a ver com bushido, expeliu, não sei exatamente por qual órgão, a seguinte pérola: "Tudo mudou com o 11 de Setembro. Bush foi violentamente lembrado de que os problemas do Oriente Médio, entre os quais a ascensão do islamo-fascismo, não poderiam ser deixados por conta própria. A América Latina foi esquecida."
Cuspi nele o seguinte comentário, que ainda escorre pela página de Época: "Lamentável o uso da expressão islamo-fascismo. Seria o mesmo que dizer uma revista globo-nazista. Você diz eu digo, cadê os fatos para dizer para embasar uma e outra. Ao usar fascismo para qualquer coisa a única contribuição é com a banalização, dando a entender que fascismo é apenas uma questão de opinião. E os fascistas pensavam assim."
A Época nem marcou época e já virou uma eca ôca!

Go Home, Bush!


O Bernardo Kucinski, da Carta Marior, apontou 10 razões para desconfiar da visita do assassino da Casa Branca. Além daquelas lembradas pelo articulista, tenho outras, embora possam perfeitamente serem lá encaixadas. Por exemplo:
1) Se a VEJA e a RBS apóiam EUA & Bush, boa coisa não deve ser;
2) Os EUA não assinaram tratado de não proliferação de arma nuclear, mas querem obrigar outros países a não desenvolverem. Só eles podem!?
3) Os EUA estiveram envolvidos em todas as guerras desde o fim da Segunda Guerra, portanto, são assassinos por natureza;
4) A cultura americana, dois do faroeste, se resume em filmes buscando derrotar o Vietnã nas salas com ar condicionado;
5) Os EUA dão abrigo ao terrorista Luís Posada Carrile;
6) Os EUA saquearam o Museu de Bagdá, berço da civilização ocidental;
7) Os EUA criaram e treinaram Bin Laden, para lutar contra os russos;
8) Os EUA auxiliaram o assassinato do embaixador chileno, Orlando Letelier;
8) Os EUA inventaram o McDonnalds...
9) Os EUA apoiaram os golpes no Brasil, Chile, e agora Venezuela.
9) Americano bom é americano morto!

3 de mar. de 2007

Yeda & RBS: tudo a esconder!


Semi-ótica

Olhe bem para esta foto. É ou não é uma montagem?! E tome mais um serviço do consórcio RBS & Yeda! Mas não é disso que se trata. Se observar bem, ninguém está olhando para a atriz, nem alunos, nem professores. NINGUÉM! E ela olha diretamente para a câmera. Parece dedo em riste como bico de tucano de quem acusa ou comanda: olha aqui seu fotógrafo, o importante aqui sou eu, a governadora! Ninguém aqui me dá a menor bola, mas "ego sum".

Convenhamos, você confiaria a educação dos filhos a uma Medéia?!

Veja novamente. Repare bem naquele dedo, adunco como bico de ave de rapina, mal aprumado para parecer espontâneo. Chama o fotógrafo da RBS, enfim o leitor. É uma simplicidade de laboratório que grita: NÃO ME DEIXEM SÓ!

É show... A matéria serviria para dizer que "o Sul cria frente para pressionar Lula". E lá atrás, a cara da frente pressionadora, acusando (j'accuse!). Mas é um cenário desolador, sem vida, desiludido, que não merece o mínimo de atenção dos demais atores. O monólogo é com o fotógrafo, um público virtual.

Sai da frente, diz o dedo para o fotógrafo da RBS, estou aqui, vejam.

Aquele indicador, levemente inclinado, tendo por suporte um semi-círculo formado pela junção do dedão com o médio, possibilita muitas leituras. O desenho também lembra aqueles caralhos voadores do Guilhaume de Apollinére. Outra leitura, é a de que ninguém dá a mínima à "velha (no jeito de governar sob a batuta da RBS) senhora" . A marionete da RBS, está na matéria como Pilatos no credo, mas em Pilatos eu creio. Nela, só a RBS.

Mas o que aquela coisinha estúpida poderá nos oferecer além da nheca do nariz, prestes a ser expulsa pelo dedo médio?!

Nessa mesma edição de ZH, de 02/03/07, outra matéria(sic) tratava do serviço de telefonia a cabo pela NET. Nenhuma palavra que a NET = RBS. Seria vergonha pelo serviços que oferece, ou a covardia dos camufladores?!

29 de dez. de 2006

As pérolas dos porcos

A frase do ano de 2006: "Defendi o projeto-mãe, infelizmente ele foi derrotado, sem ele não tem por que votar os projetos filhos. Se a mãe morreu, não tem como os filhos serem sustentados." Uma filosofada de Cesar Busatto.
A paulista Yeda Crusius, eleita pela metade de retardados que vivem no RS, nem começou seu governo, e já sai derrotada. Durante toda a campanha negou que aumentaria impostos. Como todo tucano, bico grande e pouco cérebro, tentou empurrar um pacotaço goela abaixo dos retardados e dos não lhe deram votos. Com o beneplácito dos ex-patrões da RBS, Yeda foi poupada pela mídia que volta a defender o "cavalo do comissário".
Cesar Busatto, secretário municipal da prefeitura de Porto Alegre licenciou-se do cargo e assumiu o cargo de deputado estadual para vender o "mico Yeda". Desde cedo, o papagaio de pirata ocupou espaços nos veículos da RBS para defender o indefensável.Para encerrar o episódio e o ano com chave de ouro, soltou a pérola que filho sem mãe não merece viver. Por aí se vê o retrato da político social da Prefeitura de Porto Alegre na gestão Fogaça, como também aquela do governador Rigotto, que se encerra, e anuncia a visão social do governo Yeda que se inicia.
Terminamos o ano menos mal que poderia ter sido, mas que pode ser melhor dos quatro que virão.
Deus nos salve, já que os gaúchos temos um pendor por governadores medíocres: Antônio Britto, Germano Rigotto e agora Yeda Crusius. E depois não sabem porque o Rio Grande vai mal de mal a pior. Tirando o oásis do governo Olívio, quando o RS cresceu mais que média nacional, e ainda sobrou para criar a UERGS, todos os demais foram desastrosos para os gaúchos, menos para a RBS, que vem emplacando seus ex-funcionários. Vou pedir exílio no Nordeste!

24 de dez. de 2006

Eles não sabiam?

Pimenta Neves, diretor de redação do Estadão praticava o moderno "assédio sexual". Exacerbou. Matou a ex-pretendente. Ninguém do Estadão sabia, não é mesmo Mesquita?
José Messias Xavier foi repórter da Folha e do Globo. A Polícia Federal do Lula descobriu que ele era gilete, cortava dos dois lados: publicando matérias com a qual tirava o ganha-pão, e também a fornecia a quadrilhas. O envolvimento do jornalista com o crime organizado e o desorganizado passou desapercebido pelos seus chefes, mesmo aqueles mais próximos, que lhe ditavam a pauta. Também os Frias e os Marinhos não sabiam de nada?
Por que só o Lula precisa saber tudo o que seus subordinados fazem e os Mesquistas, os Frias e os Marinho não?

30 de nov. de 2006

Mídia Procustiana

O escândalo Ustra e o papel da mídia
Argemiro Ferreira, na Tribuna da Imprensa

Ainda humilhada por sua própria derrota nas eleições de outubro, a grande mídia do país - do império Globo no Rio à "Folha de S.Paulo", passando pelo Estadão, "Veja", "Jornal do Brasil" e veículos regionais de menor penetração nacional - obstina-se na pândega "cruzada ética" para derrubar o presidente que o Brasil consagrou nas urnas. Com isso, ignora deliberadamente os temas relevantes.

Não foi tal mídia corporativa e sim uma família duramente golpeada pela prática da tortura no regime militar que tomou a iniciativa de fazer alguma coisa capaz de reviver a discussão desse tema - um processo para o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI em São Paulo, ser declarado torturador, ainda que não pague com pena de prisão pelos crimes que cometeu.

Por que essa mídia iria se deixar sensibilizar pelo assunto? Ela tem suas próprias razões para ficar só no velho denuncismo lacerdista como arma de pressão. Até porque a ditadura militar foi tão generosa com ela que cada um daqueles veículos - "O Globo", Rede Globo, "Veja", Estadão, "Folha", Bloch, etc. - pôde construir edifícios portentosos, nos quais instalou suas sedes novas.
A cumplicidade de cada um

As relações promíscuas das organizações de mídia com a ditadura mais sanguinária que o Brasil conheceu estão fartamente documentadas - como também a maneira submissa com que cada veículo acomodava-se ao papel de divulgador leviano de "press releases" mentirosos para maquiar a face cruel do regime militar, vendido ao mundo como "milagre" e democracia onde imperava a liberdade de imprensa.

A frase "Ninguém segura este País", depois lema da ditadura, foi lançada numa manchete de "O Globo". A Rede Globo festejava a ditadura regularmente nas patriotadas semanais de um certo Amaral Neto. O dedo-duro Cláudio Marques, que fez a campanha contra a TV Cultura de São Paulo, reclamando a prisão de Vladimir Herzog e outros jornalistas, publicava coluna na "Folha".

O Estadão, apesar de censurado algum tempo, negou-se a apoiar o recurso do semanário "Opinião" ao Supremo, contra a censura (alegou já ter a promessa do ditador de levantá-la em seus veículos). E para desencadear a repressão contra o Partido Comunista, a ditadura primeiro tomou a iniciativa de "plantar" na primeira página do "Jornal do Brasil" o texto sobre o espião Adauto Santos.

Faço essas observações para melhor ser entendido o fato de que a reabertura do debate sobre a tortura, com o processo contra Brilhante Ustra é subestimada na grande mídia enquanto websites como "Conversa Afiada", de Paulo Henrique Amorim, perceberam a relevância da questão. O Brasil, como destacou Amorim, é o único país do continente que não está revendo a Lei da Anistia.
Eterno segredo para os arquivos?

Como todo mundo sabe, nossa lei de anistia e as dos outros vieram em plena ditadura militar. A intenção embutida era garantir a impunidade dos torturadores. Na ocasião, organizações da sociedade civil estavam atentas, mas elas tentavam prioritariamente, por razões compreensíveis, restabelecer o estado de direito. No desdobramento tais leis foram revistas - e torturadores expostos e às vezes punidos. Mas não no Brasil.

Amorim trouxe há dias a palavra da professora Flávia Piovesan, especialista em direitos humanos e doutora em Direito Constitucional na PUC de São Paulo. Piovesan acredita que a Lei de Anistia de 1979 estabeleceu regime de concessões recíprocas que aviltou os direitos humanos: pelos parâmetros internacionais, que o Brasil respeita, em caso de tortura e violação grave o Estado assume o dever jurídico de "investigar, processar, punir e reparar essas violações".

Além daquela lei (a 6683/79), foi promulgada em 1995 a que reconheceu como mortos os desaparecidos políticos, estabelecendo indenização aos familiares. "É o que temos enquanto legado", diz a professora Piovesan. Outra lei, de 2005, trata do acesso aos documentos públicos, mantendo "quase em eterno segredo" os arquivos da ditadura.

Os três marcos jurídicos, para ela, estão aquém do que reclama a Constituição, que acolhe a ótica dos direitos humanos e realça sua importância. "Prevê, por exemplo, que os tratados é que mantêm a hierarquia constitucional, caracterizando a tortura como crime. É a primeira vez que isso ocorre na história", explicou a professora de Direito Constitucional
Exemplos para o Brasil seguir

As leis de anistia foram revistas no Chile (onde estão presos, entre outros, o ex-diretor da DINA, coronel Manuel Contreras), na Argentina (onde ex-ditadores são volta e meia recolhidos à prisão), no Peru (onde o ex-ditador Fujimori não ousa retornar porque corre o risco de pagar por seus crimes), e no Uruguai (onde agora ex-ditador Juan Maria Bordaberry passa por maus pedaços).

O sanguinário Augusto Pinochet - que, como outros, tem milhões de dólares escondidos em bancos espalhados pelo mundo - só escapou de castigo pior porque seus advogados alegam estar com a saúde muito abalada. E na Argentina a Corte Suprema deu outro exemplo, ao invalidar leis que impediam o julgamento dos torturadores do regime militar.

Enquanto isso, o Brasil fica apenas no esforço em favor da ação declaratória contra o coronel Ustra, sem prisão ou indenização para as vítimas. A esta altura, o tema deveria estar sendo discutido diariamente na grande mídia - mas esta, além de cúmplice da ditadura, está ocupada demais na "cruzada" ridícula contra Lula, que ela teima em castigar pela ousadia de desmentí-la e ganhar a eleição.

21 de nov. de 2006

Falácias da carga tributária

José Paulo Kupfer
21.11.2006-A economia se presta a manipulações dos mais variados quilates, menos pela dificuldade de entender seus fenômenos do que pelo fato de que muitos de seus conceitos não são intuitivos. A inflação, por exemplo, da qual os brasileiros de todos os níveis sociais são grandes especialistas, é um deles. A intuição diz que preço alto e inflação são sinônimos. Mas inflação não é preço alto. É alta (persistente) de preço.

Se, num mês, os preços sobem 100% e no mês seguinte ficam onde foram parar no mês anterior, a inflação mensal, no mês observado, é zero. Quando o Plano Real começou, em março de 1994, com a URV (unidade real de valor, lembram?), os preços foram estimulados a disparar. Quando veio o fim da URV e o início do real - resultado da conversão do dinheiro da época, o cruzeiro real (alguém lembra?), pela cotação do dólar de 30 de junho do mesmo ano -, os preços passaram a subir muito mais devagar, e a inflação despencou de 5.000% para 5%, de junho para julho daquele ano, num “passe de mágica”.

O mesmo problema ocorre com o conceito de carga tributária. Este também não é intuitivo, e o fato de não sê-lo faz a festa dos ignorantes ou, mais grave, dos de má-fé. Começa com a ocultação do fato de que, no Brasil, toda e qualquer contribuição compulsória a fundos públicos, deixa de considerar, como em outros países, se a contribuição pressupõe ou não retorno individual do dinheiro recolhido.

Você sabia que, no Brasil, diferentemente da maioria dos outros países, as contribuições para a previdência pública entram no saco de gatos da carga tributária? E que, se fosse para comparar corretamente, não considerando as contribuições previdenciárias, a carga tributária no Brasil seria de 30% do PIB – não de 38%, como se divulga? Ainda seria alta, mas não tão distante dos outros.

Carga tributária alta parece, mas nem sempre é sinônimo de imposto alto e muito menos de alta de impostos. Carga tributária não é alguma coisa em si mesma. Depende não só do volume de arrecadação de impostos, taxas, contribuições e tributos, mas também do Produto Interno Bruto (PIB).

Como se trata de uma relação entre o volume total em reais arrecadado e o PIB total também em reais, dependendo do comportamento de um e de outro, tudo pode acontecer com a carga tributária. Reduzida a sua expressão mais simples, a carga tributária é uma fração, definida, portanto, de acordo com o comportamento do numerador e do denominador.

Muito simples, mas também muito fácil também de distorcer e atender a interesses nem sempre claros. Até a maneira de apresentar a carga tributária não escapa da confusão. Quando se diz que a carga é de 38% do PIB, não são poucos os que se deixam levar pela idéia de que, de tudo o que a sociedade produz, quase metade vai para o ralo do governo.

Sem discordar de que muito do que é recolhido em impostos pelo governo vai pelo ralo – ou pior, acaba em bolsos indevidos –, a verdade não é nada disso. O que se deveria entender é que o total de impostos, taxas, contribuições e tributos arrecadados no ano soma cerca de R$ 750 bilhões, o equivalente a 38% do PIB, que anda em torno de R$ 2 trilhões anuais e representa o total, em termos líquidos, do que é produzido anualmente pelos brasileiros.

Dessas confusões conceituais todas decorre o singelo fato de que a carga tributária pode cair com aumentos de impostos ou pode aumentar quando se dá uma redução de impostos. Basta que, no primeiro caso, o avanço do PIB seja proporcionalmente maior do que o do volume de impostos. E que, no segundo caso, o PIB avance menos do que o corte de impostos. Só isso é suficiente para perceber o quanto de falácia envolve a discussão da carga tributária.

Entre nós, em razão das inigualáveis distorções do sistema tributário, com o perdão da heresia, aumentos de carga tributária nem sempre serão ruins e cortes nem sempre serão positivos. Duvida?

Costuma-se dizer que, no Brasil, para cada real arrecadado um outro real é sonegado. É possível que não seja exatamente essa a proporção, mas dificilmente alguém duvidará de que sonegar impostos é um dos esportes nacionais mais praticados. Vamos então supor que essa relação de um para um seja verdadeira e que, por algum milagre, tudo o que, pela lei, de fato deve ser recolhido em impostos, taxas, tributos e contribuições venha a pingar nos cofres públicos de um dia para o outro.

O que aconteceria? Obviamente, a carga tributária dobraria, alcançando monumentais 80% do PIB. Mas isso não significaria um grama de aumento de carga para os que já recolhem e, simplesmente, implodiria o déficit público, com todas as vantagens do equilíbrio fiscal.

Agora, imagine um corte drástico e linear nos impostos diretos e progressivos sobre a renda individual. Isso, num primeiro momento, aliviaria a vida de todos os que ganham o suficiente para não serem isentos de recolhimento do imposto de renda. Mas, é lógico, favoreceria proporcionalmente mais quem ganha mais. O resultado seria um colapso econômico, com estímulo à produção de bens supérfluos e a falência definitiva de serviços públicos tipo segurança, controle ambiental, pesquisas etc.

Esses poucos exemplos devem ser suficientes para que se entenda que as questões tributárias não são triviais. Não deveriam, portanto, serem tratadas do modo trivial como são. O problema menos grave é que, nessa área conflagrada da economia brasileira, não faltam interpretações rústicas e levianas. O mais grave é que quase todas, intencionalmente ou não, acabam escamoteando interesses conservadores e resistentes à redução consistente das desigualdades e iniqüidades sociais de que o Brasil é um vergonhoso campeão mundial.



pkupfer@nominimo.ibest.com.br

18 de out. de 2006

Mídia Procustiana

Mandei um e-mail ao Clovis Rossi da Folha de São Paulo e ainda não obtive resposta:
Caro Clovis Rossi
há muito venho observando em seus artigos opiniões que
beiram a infantilidade porque buscam apenas ofender, senão
ao governo Lula, pelo menos aos leitores da Folha de São
Paulo. Ao adotar a parcialidade indisfarçada, trata-me, seu
leitor, como se fosse um imbecil. Como se eu não soubesse
nada, não lesse nada, não tivesse qualquer discernimento.
Viraste um parsonagem procustiano
( http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=procustiano&cod=154620).

Ainda não li nenhuma palavra sua, senão de indignação, pelo
menos de simples registro a respeito do comportamento da
mídia no episódio da compra do dossiê Serra/Barjas Negri. A
Carta Capital desvela que as vestais da Folha/Estadão e
Globo estão mancomunados numa grande suruba. Isto também é
bandistimo. Moralista, pronto sempre em apontar as
imbecilidades do Governo Lula, tens coragem de apontar as
próprias e da empresa em que trabalhas ?!
É isso que chamas de liberdade de imprensa?

Gilmar Crestani
crestani@uol.com.br

29 de set. de 2006

Frias: da tortura ao golpe midiático


Frias: da tortura ao golpe midiático

Altamiro Borges

"Entre o Otávio [Frias Filho, diretor da Folha de S.Paulo] e o Roberto [Civita, diretor da revista Veja] é um páreo duro para ver quem é o mais imbecil". Mino Carta, editor da revista Carta Capital.

Otávio Frias Filho, também chamado nos banquetes dos ricaços de "Otavinho", está excitadíssimo com a eclosão da nova crise política no Brasil. Em recente artigo, o diretor de redação da Folha de S.Paulo e um dos herdeiros da Famiglia Frias, deixou de lado qualquer imparcialidade para xingar Lula e apostar todas as suas fichas na possibilidade do segundo turno das eleições. Metido a cientista político, ele teorizou que a recente "guerra de dossiês" comprovaria que "a cúpula petista instalou uma máfia sindical-partidária no aparelho do Estado. A função dessa máfia é garantir condições para que Lula e seu grupo se eternizem no poder... O que caracteriza os integrantes dessa máfia é a lealdade antiga e canina a Lula, o chefão".

Já sinalizando qual será postura das elites na hipótese da reeleição de Lula, o pseudo-jornalista afirma que o badalado "dossiêgate" demonstrou que, "sob o beneplácito de Lula, a máfia continua a agir de modo cada vez mais desabrido. A impunidade gerou a desfaçatez... O favoritismo eleitoral de Lula, turbinado pelas políticas de transferência de renda, aumentou ainda mais a sensação de impunidade. E espicaçou o atrevimento, a ponto da facção mafiosa correr o risco de prejudicar a reeleição do chefe na tentativa de reverter a vantagem dos tucanos na eleição paulista... Se houver segundo mandato, haverá muito trabalho para o Ministério Público, para o Judiciário e para o que restar de imprensa independente neste país".

É muita petulância deste executivo yuppie! Quem é ele para falar em "máfia no aparelho do Estado", para condenar a "sensação de impunidade" ou para se arrogar em patrono da "imprensa independente"? Todo e qualquer o jornalista com um mínimo de imparcialidade e dignidade, e não qualquer baba-ovo de plantão, sabe que a Famiglia Frias cresceu incrustada no poder, como uma máfia servil sob as benesses do regime militar. Sabe que esta empresa não foi condenada – ou mesmo se desculpou – por emprestar sua estrutura para a prisão e tortura de presos políticos. Sabe ainda que não existe vestígio de jornalismo independente neste grupo, manipulado e controlado sob a mão de ferro dos Frias – do velho patrono aos herdeiros.

Veículo da oligarquia rural

A Folha nasceu em 1921 sob o formato de um jornal vespertino, a Folha da Noite. Os seus fundadores, Pedro Cunha e Olival Costa, eram jornalistas do Estado de S.Paulo e, durante algum tempo, o jornal foi impresso e distribuído por esta empresa. O próprio Júlio de Mesquita Filho, dono do oligárquico Estadão, redigiu o primeiro editorial da Folha da Noite. No início, o jornal manifestou simpatia pelo movimento tenentista e encampou algumas bandeiras progressistas, como a do voto secreto e o direito de férias. Mas, como registra Maurício Puls, numa cronologia bajuladora deste veículo no seu octogésimo aniversário, essa postura durou pouco tempo. Rapidamente, o jornal virou um instrumento da direita brasileira.

Em 1929, com a saída de Pedro Cunha, a linha editorial sofreu uma inflexão e o jornal passou a apoiar a ostensivamente a reacionária oligarquia do café de São Paulo. "Os líderes da Aliança Liberal foram alvos de seguidos ataques. O resultado dessa tomada de posição contra Getúlio Vargas foi a destruição do jornal. Na noite de 24 de outubro de 1930, a multidão que comemorava a deposição do presidente em São Paulo destruiu as instalações da Folha. As máquinas de escrever e os móveis foram jogados na rua e incendiados. Olival Costa assistiu ao empastelamento da esquina. Quando a multidão deixou o prédio, pediu licença aos soldados para entrar no prédio. Lá viu um homem vestindo seu sobretudo. Ao observar que aquela roupa era sua, recebeu a seguinte resposta: 'Foi sua, amigo. Hoje, tudo isto é nosso'".

A Folha deixou de circular até janeiro de 1931, quando foi comprada por outro barão do café, Octaviano Alves. Em 1932, apoiou abertamente a oligárquica Revolução Constitucionalista "para libertar o Brasil de um grupo que se instalou no poder empenhado em desfrutá-lo" – o mesmo discurso usado atualmente por Otavinho. Em 1945, contrário às mudanças progressistas efetuadas por Getúlio, Octaviano vende o jornal por considerar "inútil o trabalho e insana a espera". José Nabantino assume a empresa sob o compromisso de manter "a imparcialidade em relação aos partidos". Mas, ainda segundo Maurício Puls, "sua orientação fiscalista guardava certa afinidade com a UDN" – a principal organização golpista deste período histórico.

Carregando presos para a tortura

Durante este longo período, a Folha de S.Paulo foi um jornal provinciano, sem maior projeção no cenário nacional. Em 13 de agosto de 1962, endividado e desolado com uma greve dos jornalistas, José Nabantino vendeu o jornal para os empresários Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. De imediato, ele se tornou um dos principais instrumentos da conspiração golpista que resultou na deposição de João Goulart. Suas manchetes espalhafatosas contra o "perigo comunista" e seus editorais raivosos contra "a corrupção e a subversão" envenenaram a classe média.

O veterano jornalista Mino Carta lembra que "a mídia vinha invocando o golpe há tempos... Neste período, a Folha de S.Paulo não tinha o peso que adquiriu depois. Mas os jornais soltavam editoriais candentes implorando a intervenção militar para impedir o caos".

Numa entrevista à jornalista Adriana Souza, o atual editor da revista Carta Capital, que já dirigiu os principais órgãos de imprensa do país e avalia que "o Brasil tem a pior mídia do mundo", dá outros elementos indispensáveis para se entender a história da Folha de S.Paulo. Ao contrário da propaganda deste jornal, que engana muita gente com o seu falso ecletismo e a sua aparente pluralidade, Mino Carta mostra que ele sempre serviu à ditadura e construiu sua pujança graças às benesses do poder autoritário:

"A Folha de S.Paulo nunca foi censurada. Ela até emprestou as suas C-14 [veículo tipo perua, usado na distribuição do jornal] para recolher os torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban (Operação Bandeirantes). Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha... E hoje você vê esses anúncios da Folha – o jornal desse menino idiota chamada Otavinho – que parece que ela, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas ela não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o Sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi 'mínima pressão' porque o Sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis na sucessão do general Geisel. A Folha apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército, da chamada linha dura, fascista]. O Cláudio Abramo foi afastado por isso".

Prosperidade durante a ditadura

Até hoje a Folha de S.Paulo, que gosta de posar de democrata e transparente, tenta esconder essa período macabro que revela todo o seu caráter de classe e a sua postura direitista. Alguns jornalistas, talvez para conseguirem as benções dos Frias, fazem de tudo para relativizar o papel deste jornal durante a ditadura. Mario Sérgio Conti, no livro Notícias do Planalto, até registra o episódio, mas de maneira deturpada e num linguajar tipicamente reacionário. Afirma que "até o final de 1968, as organizações terroristas de esquerda destacaram alguns de seus militantes jornalistas para trabalhar na Folha... No início dos anos 70 foi a vez de policiais dos órgãos de informação da ditadura se assenhorearem do jornal".

Outro livro, o recém-lançado "A trajetória de Octavio Frias de Oliveira", do jornalista Engel Paschoal, é quase uma peça publicitária de adulação do dono da empresa. O próprio autor confessa que o biografado é "meu tipo inesquecível entre todos". Mas apesar destas tentativas de ocultar a história, o envolvimento da Famiglia Frias com os órgãos de repressão é inquestionável. Até já serviu para uma cômica disputa entre duas empresas reconhecidas pelo servilismo nos duros tempos da ditadura. Como resposta a uma coluna da jornalista Barbara Gancia, uma famosa lambe-botas da Folha que acusou a TV Globo de ter apoiado o regime militar, o diretor de jornalismo da poderosa emissora, Evandro Carlos de Andrade, deu o troco:

"Aproveito para recomendar que procure saber um pouco da história da Folha, empresa apenas comercial que prosperou extraordinariamente na ditadura, não graças à receptividade do público e à qualidade do que produziu, mas apenas em retribuição ao incondicional apoio dado por este jornal ao regime militar. A senhora por acaso já se interessou por saber a causa de, naquele tempo, serem queimadas as Kombis da Folha?", retrucou o diretor da TV Globo (20/01/2000). Na fase mais cruel da ditadura, a Folha divulgava a "morte" de "terroristas" em "emboscadas com a polícia", quando estes ainda estavam na prisão. A falsa notícia servia para acobertar as torturas, como no caso do assassinado de Joaquim Seixas. Como resposta, grupos armados incendiaram três peruas da empresa e o durão Frias passou a dormir no prédio da Folha.

Baluarte do receituário neoliberal

A briga entre a TV Globo e a Folha serve para elucidar que foi exatamente na fase mais dura da ditadura que a Famiglia Frias ergueu o seu império com base nos subsídios e nas benesses do poder. A cronologia apologética já citada registra que, em 1967, "a Folha dá inicio à revolução tecnológica e à modernização do seu parque gráfico. O jornal é pioneiro na impressão offset em cores, utilizada em larga tiragem pela primeira vez no Brasil... Em 1971, o jornal adota o sistema eletrônico de fotocomposição, pioneiro no Brasil". No mesmo ano, lembra o texto, "o ex-capitão Carlos Lamarca, líder do grupo guerrilheiro MR-8, é morto pelo Exército na Bahia. O deputado Rubens Paiva é seqüestrado por militares e desaparece".

Protegida pela ditadura, a Folha cresceu e passou a ter projeção nacional. Ainda em 1977, ela atendeu as ordens de Hugo de Abreu, outro general linha dura, que pediu a demissão do escritor Lourenço Diaféria, que escrevera uma crônica sobre um bombeiro que "urinara" na estátua de Duque de Caxias, no centro de São Paulo. No seu livro autobiográfico, "O outro lado do poder", Hugo Abreu descreve: "Telefonei para o doutor Otávio Frias e ele disse: 'Meu general, estou aqui de mão na pala, fazendo continência'". Somente quando percebe que o regime estava em seus estertores é que o jornal passou a pregar a redemocratização, ao mesmo tempo em que se colocava como "pioneira" do receituário neoliberal de desmonte do Estado.

Na sua badalada pluralidade, a Folha deu espaço para FHC e para o sociólogo tucano Bolívar Lamounier e abriu suas páginas para Plínio Correa de Oliveira, líder da seita católica Tradição, Família e Propriedade (TFP) e para o pefelista Marco Maciel. Num primeiro momento, apoiou o "caçador de marajás" Fernando Collor como única forma de derrotar Lula, mas logo depois engrossou o coro do impeachment. Durante os oito anos de FHC, nada falou contra as suspeitas privatizações e pregou a ortodoxia macroeconômica. Com a eleição de Lula, porém, tornou-se um dos principais instrumentos da oposição de direita. Mesmo colunistas com um passado mais crítico, como Clóvis Rossi, passaram a verter ódio contra o presidente.

A pregação do golpe midiático

Com a eclosão da crise política em maio do ano passado, a Folha de S.Paulo virou um palanque da mais contundente oposição. Ela chegou a fazer coro com os hidrófobos do PFL na proposta do impeachment de Lula, numa autêntica pregação do golpe midiático. Um atento comerciante paulista, Eduardo Guimarães, teve a paciência de acompanhar as manchetes deste jornal em setembro passado. Elas foram arroladas no seu blog na internet ( www.cidadania.com ) e impressionam pelo alto grau de manipulação. "As mensagens desfavoráveis para o candidato Lula são a maioria esmagadora... Já os adversários de Lula, sobretudo o principal, Geraldo Alckmin, foram totalmente poupados. Esse é um fato incontestável".

As conclusões do comerciante foram confirmadas por dois institutos que monitoram sistematicamente a imprensa: o Datamídia, da PUC-RS, e o Observatório Brasileiro da Mídia, filial do Media Watch Global. O primeiro identificou que, entre 13 e 19 de julho, a Folha dedicou 778 centímetros/coluna de texto com tom positivo para Alckmin, enquanto Lula teve, no mesmo período, 562 centímetros/coluna de mensagem positiva. Já o Observatório pesquisou os principais jornais e revistas de julho a agosto, incluindo a Folha, e constatou que o Lula foi retratado de forma negativa em 47,41% das matérias, contra 31,2% em que foi tratado positivamente. No caso de Alckmin, a situação se inverte: 44,56% favoráveis e 31,42% negativas.

Apesar desta descarada manipulação, todas as sondagens eleitorais ainda apontavam a vitória de Lula no primeiro turno para o desespero dos "deformadores de opinião" da mídia. A "operação burrice" de alguns petistas afoitos, que tentaram comprar o dossiê da "máfia das sanguessugas", apenas realimentou o sonho da direita de forçar o segundo turno. É neste contexto que se encaixa o odioso artigo do diretor de redação da Folha citado acima. O tiroteio deste jornal na última semana é devastador. Manchetes sensacionalistas e centenas de matérias, até na seção de esporte, visam satanizar o presidente e apelar para o imperativo do segundo turno, "pelo bem da democracia". A pesquisa do Datafolha inclusive foi antecipada, contrariando a Lei 9.504 que disciplina as eleições, para dar a impressão da inevitabilidade do segundo turno.

A distorção da Folha de S.Paulo é tão evidente que até seu próprio ombudsman, Marcelo Beraba, teve de registrá-la envergonhado. "O fato de considerar a conspiração para a obtenção do dossiê mais importante do que o dossiê não significa que eu esteja de acordo com o pouco empenho dos jornais na apuração das denúncias contra Serra e Barjas Negri [dois ex-ministro de FHC envolvidos na compra superfaturada de ambulâncias]. Uma cobertura não anula a outra" (FSP, 24/09/06).

Na prática, a empresa de Otávio Frias Filho, o yuppie Otavinho, que no passado cedeu suas caminhonetes para o transporte de presos políticos, hoje prega abertamente um golpe midiático. Esta conduta golpista, seguida pelo grosso da mídia, deveria servir ao menos para acabar com as ilusões sobre o papel imparcial dos meios de comunicação no Brasil.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).