29 de dez. de 2006

As pérolas dos porcos

A frase do ano de 2006: "Defendi o projeto-mãe, infelizmente ele foi derrotado, sem ele não tem por que votar os projetos filhos. Se a mãe morreu, não tem como os filhos serem sustentados." Uma filosofada de Cesar Busatto.
A paulista Yeda Crusius, eleita pela metade de retardados que vivem no RS, nem começou seu governo, e já sai derrotada. Durante toda a campanha negou que aumentaria impostos. Como todo tucano, bico grande e pouco cérebro, tentou empurrar um pacotaço goela abaixo dos retardados e dos não lhe deram votos. Com o beneplácito dos ex-patrões da RBS, Yeda foi poupada pela mídia que volta a defender o "cavalo do comissário".
Cesar Busatto, secretário municipal da prefeitura de Porto Alegre licenciou-se do cargo e assumiu o cargo de deputado estadual para vender o "mico Yeda". Desde cedo, o papagaio de pirata ocupou espaços nos veículos da RBS para defender o indefensável.Para encerrar o episódio e o ano com chave de ouro, soltou a pérola que filho sem mãe não merece viver. Por aí se vê o retrato da político social da Prefeitura de Porto Alegre na gestão Fogaça, como também aquela do governador Rigotto, que se encerra, e anuncia a visão social do governo Yeda que se inicia.
Terminamos o ano menos mal que poderia ter sido, mas que pode ser melhor dos quatro que virão.
Deus nos salve, já que os gaúchos temos um pendor por governadores medíocres: Antônio Britto, Germano Rigotto e agora Yeda Crusius. E depois não sabem porque o Rio Grande vai mal de mal a pior. Tirando o oásis do governo Olívio, quando o RS cresceu mais que média nacional, e ainda sobrou para criar a UERGS, todos os demais foram desastrosos para os gaúchos, menos para a RBS, que vem emplacando seus ex-funcionários. Vou pedir exílio no Nordeste!

24 de dez. de 2006

Eles não sabiam?

Pimenta Neves, diretor de redação do Estadão praticava o moderno "assédio sexual". Exacerbou. Matou a ex-pretendente. Ninguém do Estadão sabia, não é mesmo Mesquita?
José Messias Xavier foi repórter da Folha e do Globo. A Polícia Federal do Lula descobriu que ele era gilete, cortava dos dois lados: publicando matérias com a qual tirava o ganha-pão, e também a fornecia a quadrilhas. O envolvimento do jornalista com o crime organizado e o desorganizado passou desapercebido pelos seus chefes, mesmo aqueles mais próximos, que lhe ditavam a pauta. Também os Frias e os Marinhos não sabiam de nada?
Por que só o Lula precisa saber tudo o que seus subordinados fazem e os Mesquistas, os Frias e os Marinho não?

30 de nov. de 2006

Mídia Procustiana

O escândalo Ustra e o papel da mídia
Argemiro Ferreira, na Tribuna da Imprensa

Ainda humilhada por sua própria derrota nas eleições de outubro, a grande mídia do país - do império Globo no Rio à "Folha de S.Paulo", passando pelo Estadão, "Veja", "Jornal do Brasil" e veículos regionais de menor penetração nacional - obstina-se na pândega "cruzada ética" para derrubar o presidente que o Brasil consagrou nas urnas. Com isso, ignora deliberadamente os temas relevantes.

Não foi tal mídia corporativa e sim uma família duramente golpeada pela prática da tortura no regime militar que tomou a iniciativa de fazer alguma coisa capaz de reviver a discussão desse tema - um processo para o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI em São Paulo, ser declarado torturador, ainda que não pague com pena de prisão pelos crimes que cometeu.

Por que essa mídia iria se deixar sensibilizar pelo assunto? Ela tem suas próprias razões para ficar só no velho denuncismo lacerdista como arma de pressão. Até porque a ditadura militar foi tão generosa com ela que cada um daqueles veículos - "O Globo", Rede Globo, "Veja", Estadão, "Folha", Bloch, etc. - pôde construir edifícios portentosos, nos quais instalou suas sedes novas.
A cumplicidade de cada um

As relações promíscuas das organizações de mídia com a ditadura mais sanguinária que o Brasil conheceu estão fartamente documentadas - como também a maneira submissa com que cada veículo acomodava-se ao papel de divulgador leviano de "press releases" mentirosos para maquiar a face cruel do regime militar, vendido ao mundo como "milagre" e democracia onde imperava a liberdade de imprensa.

A frase "Ninguém segura este País", depois lema da ditadura, foi lançada numa manchete de "O Globo". A Rede Globo festejava a ditadura regularmente nas patriotadas semanais de um certo Amaral Neto. O dedo-duro Cláudio Marques, que fez a campanha contra a TV Cultura de São Paulo, reclamando a prisão de Vladimir Herzog e outros jornalistas, publicava coluna na "Folha".

O Estadão, apesar de censurado algum tempo, negou-se a apoiar o recurso do semanário "Opinião" ao Supremo, contra a censura (alegou já ter a promessa do ditador de levantá-la em seus veículos). E para desencadear a repressão contra o Partido Comunista, a ditadura primeiro tomou a iniciativa de "plantar" na primeira página do "Jornal do Brasil" o texto sobre o espião Adauto Santos.

Faço essas observações para melhor ser entendido o fato de que a reabertura do debate sobre a tortura, com o processo contra Brilhante Ustra é subestimada na grande mídia enquanto websites como "Conversa Afiada", de Paulo Henrique Amorim, perceberam a relevância da questão. O Brasil, como destacou Amorim, é o único país do continente que não está revendo a Lei da Anistia.
Eterno segredo para os arquivos?

Como todo mundo sabe, nossa lei de anistia e as dos outros vieram em plena ditadura militar. A intenção embutida era garantir a impunidade dos torturadores. Na ocasião, organizações da sociedade civil estavam atentas, mas elas tentavam prioritariamente, por razões compreensíveis, restabelecer o estado de direito. No desdobramento tais leis foram revistas - e torturadores expostos e às vezes punidos. Mas não no Brasil.

Amorim trouxe há dias a palavra da professora Flávia Piovesan, especialista em direitos humanos e doutora em Direito Constitucional na PUC de São Paulo. Piovesan acredita que a Lei de Anistia de 1979 estabeleceu regime de concessões recíprocas que aviltou os direitos humanos: pelos parâmetros internacionais, que o Brasil respeita, em caso de tortura e violação grave o Estado assume o dever jurídico de "investigar, processar, punir e reparar essas violações".

Além daquela lei (a 6683/79), foi promulgada em 1995 a que reconheceu como mortos os desaparecidos políticos, estabelecendo indenização aos familiares. "É o que temos enquanto legado", diz a professora Piovesan. Outra lei, de 2005, trata do acesso aos documentos públicos, mantendo "quase em eterno segredo" os arquivos da ditadura.

Os três marcos jurídicos, para ela, estão aquém do que reclama a Constituição, que acolhe a ótica dos direitos humanos e realça sua importância. "Prevê, por exemplo, que os tratados é que mantêm a hierarquia constitucional, caracterizando a tortura como crime. É a primeira vez que isso ocorre na história", explicou a professora de Direito Constitucional
Exemplos para o Brasil seguir

As leis de anistia foram revistas no Chile (onde estão presos, entre outros, o ex-diretor da DINA, coronel Manuel Contreras), na Argentina (onde ex-ditadores são volta e meia recolhidos à prisão), no Peru (onde o ex-ditador Fujimori não ousa retornar porque corre o risco de pagar por seus crimes), e no Uruguai (onde agora ex-ditador Juan Maria Bordaberry passa por maus pedaços).

O sanguinário Augusto Pinochet - que, como outros, tem milhões de dólares escondidos em bancos espalhados pelo mundo - só escapou de castigo pior porque seus advogados alegam estar com a saúde muito abalada. E na Argentina a Corte Suprema deu outro exemplo, ao invalidar leis que impediam o julgamento dos torturadores do regime militar.

Enquanto isso, o Brasil fica apenas no esforço em favor da ação declaratória contra o coronel Ustra, sem prisão ou indenização para as vítimas. A esta altura, o tema deveria estar sendo discutido diariamente na grande mídia - mas esta, além de cúmplice da ditadura, está ocupada demais na "cruzada" ridícula contra Lula, que ela teima em castigar pela ousadia de desmentí-la e ganhar a eleição.

21 de nov. de 2006

Falácias da carga tributária

José Paulo Kupfer
21.11.2006-A economia se presta a manipulações dos mais variados quilates, menos pela dificuldade de entender seus fenômenos do que pelo fato de que muitos de seus conceitos não são intuitivos. A inflação, por exemplo, da qual os brasileiros de todos os níveis sociais são grandes especialistas, é um deles. A intuição diz que preço alto e inflação são sinônimos. Mas inflação não é preço alto. É alta (persistente) de preço.

Se, num mês, os preços sobem 100% e no mês seguinte ficam onde foram parar no mês anterior, a inflação mensal, no mês observado, é zero. Quando o Plano Real começou, em março de 1994, com a URV (unidade real de valor, lembram?), os preços foram estimulados a disparar. Quando veio o fim da URV e o início do real - resultado da conversão do dinheiro da época, o cruzeiro real (alguém lembra?), pela cotação do dólar de 30 de junho do mesmo ano -, os preços passaram a subir muito mais devagar, e a inflação despencou de 5.000% para 5%, de junho para julho daquele ano, num “passe de mágica”.

O mesmo problema ocorre com o conceito de carga tributária. Este também não é intuitivo, e o fato de não sê-lo faz a festa dos ignorantes ou, mais grave, dos de má-fé. Começa com a ocultação do fato de que, no Brasil, toda e qualquer contribuição compulsória a fundos públicos, deixa de considerar, como em outros países, se a contribuição pressupõe ou não retorno individual do dinheiro recolhido.

Você sabia que, no Brasil, diferentemente da maioria dos outros países, as contribuições para a previdência pública entram no saco de gatos da carga tributária? E que, se fosse para comparar corretamente, não considerando as contribuições previdenciárias, a carga tributária no Brasil seria de 30% do PIB – não de 38%, como se divulga? Ainda seria alta, mas não tão distante dos outros.

Carga tributária alta parece, mas nem sempre é sinônimo de imposto alto e muito menos de alta de impostos. Carga tributária não é alguma coisa em si mesma. Depende não só do volume de arrecadação de impostos, taxas, contribuições e tributos, mas também do Produto Interno Bruto (PIB).

Como se trata de uma relação entre o volume total em reais arrecadado e o PIB total também em reais, dependendo do comportamento de um e de outro, tudo pode acontecer com a carga tributária. Reduzida a sua expressão mais simples, a carga tributária é uma fração, definida, portanto, de acordo com o comportamento do numerador e do denominador.

Muito simples, mas também muito fácil também de distorcer e atender a interesses nem sempre claros. Até a maneira de apresentar a carga tributária não escapa da confusão. Quando se diz que a carga é de 38% do PIB, não são poucos os que se deixam levar pela idéia de que, de tudo o que a sociedade produz, quase metade vai para o ralo do governo.

Sem discordar de que muito do que é recolhido em impostos pelo governo vai pelo ralo – ou pior, acaba em bolsos indevidos –, a verdade não é nada disso. O que se deveria entender é que o total de impostos, taxas, contribuições e tributos arrecadados no ano soma cerca de R$ 750 bilhões, o equivalente a 38% do PIB, que anda em torno de R$ 2 trilhões anuais e representa o total, em termos líquidos, do que é produzido anualmente pelos brasileiros.

Dessas confusões conceituais todas decorre o singelo fato de que a carga tributária pode cair com aumentos de impostos ou pode aumentar quando se dá uma redução de impostos. Basta que, no primeiro caso, o avanço do PIB seja proporcionalmente maior do que o do volume de impostos. E que, no segundo caso, o PIB avance menos do que o corte de impostos. Só isso é suficiente para perceber o quanto de falácia envolve a discussão da carga tributária.

Entre nós, em razão das inigualáveis distorções do sistema tributário, com o perdão da heresia, aumentos de carga tributária nem sempre serão ruins e cortes nem sempre serão positivos. Duvida?

Costuma-se dizer que, no Brasil, para cada real arrecadado um outro real é sonegado. É possível que não seja exatamente essa a proporção, mas dificilmente alguém duvidará de que sonegar impostos é um dos esportes nacionais mais praticados. Vamos então supor que essa relação de um para um seja verdadeira e que, por algum milagre, tudo o que, pela lei, de fato deve ser recolhido em impostos, taxas, tributos e contribuições venha a pingar nos cofres públicos de um dia para o outro.

O que aconteceria? Obviamente, a carga tributária dobraria, alcançando monumentais 80% do PIB. Mas isso não significaria um grama de aumento de carga para os que já recolhem e, simplesmente, implodiria o déficit público, com todas as vantagens do equilíbrio fiscal.

Agora, imagine um corte drástico e linear nos impostos diretos e progressivos sobre a renda individual. Isso, num primeiro momento, aliviaria a vida de todos os que ganham o suficiente para não serem isentos de recolhimento do imposto de renda. Mas, é lógico, favoreceria proporcionalmente mais quem ganha mais. O resultado seria um colapso econômico, com estímulo à produção de bens supérfluos e a falência definitiva de serviços públicos tipo segurança, controle ambiental, pesquisas etc.

Esses poucos exemplos devem ser suficientes para que se entenda que as questões tributárias não são triviais. Não deveriam, portanto, serem tratadas do modo trivial como são. O problema menos grave é que, nessa área conflagrada da economia brasileira, não faltam interpretações rústicas e levianas. O mais grave é que quase todas, intencionalmente ou não, acabam escamoteando interesses conservadores e resistentes à redução consistente das desigualdades e iniqüidades sociais de que o Brasil é um vergonhoso campeão mundial.



pkupfer@nominimo.ibest.com.br

18 de out. de 2006

Mídia Procustiana

Mandei um e-mail ao Clovis Rossi da Folha de São Paulo e ainda não obtive resposta:
Caro Clovis Rossi
há muito venho observando em seus artigos opiniões que
beiram a infantilidade porque buscam apenas ofender, senão
ao governo Lula, pelo menos aos leitores da Folha de São
Paulo. Ao adotar a parcialidade indisfarçada, trata-me, seu
leitor, como se fosse um imbecil. Como se eu não soubesse
nada, não lesse nada, não tivesse qualquer discernimento.
Viraste um parsonagem procustiano
( http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=procustiano&cod=154620).

Ainda não li nenhuma palavra sua, senão de indignação, pelo
menos de simples registro a respeito do comportamento da
mídia no episódio da compra do dossiê Serra/Barjas Negri. A
Carta Capital desvela que as vestais da Folha/Estadão e
Globo estão mancomunados numa grande suruba. Isto também é
bandistimo. Moralista, pronto sempre em apontar as
imbecilidades do Governo Lula, tens coragem de apontar as
próprias e da empresa em que trabalhas ?!
É isso que chamas de liberdade de imprensa?

Gilmar Crestani
crestani@uol.com.br

29 de set. de 2006

Frias: da tortura ao golpe midiático


Frias: da tortura ao golpe midiático

Altamiro Borges

"Entre o Otávio [Frias Filho, diretor da Folha de S.Paulo] e o Roberto [Civita, diretor da revista Veja] é um páreo duro para ver quem é o mais imbecil". Mino Carta, editor da revista Carta Capital.

Otávio Frias Filho, também chamado nos banquetes dos ricaços de "Otavinho", está excitadíssimo com a eclosão da nova crise política no Brasil. Em recente artigo, o diretor de redação da Folha de S.Paulo e um dos herdeiros da Famiglia Frias, deixou de lado qualquer imparcialidade para xingar Lula e apostar todas as suas fichas na possibilidade do segundo turno das eleições. Metido a cientista político, ele teorizou que a recente "guerra de dossiês" comprovaria que "a cúpula petista instalou uma máfia sindical-partidária no aparelho do Estado. A função dessa máfia é garantir condições para que Lula e seu grupo se eternizem no poder... O que caracteriza os integrantes dessa máfia é a lealdade antiga e canina a Lula, o chefão".

Já sinalizando qual será postura das elites na hipótese da reeleição de Lula, o pseudo-jornalista afirma que o badalado "dossiêgate" demonstrou que, "sob o beneplácito de Lula, a máfia continua a agir de modo cada vez mais desabrido. A impunidade gerou a desfaçatez... O favoritismo eleitoral de Lula, turbinado pelas políticas de transferência de renda, aumentou ainda mais a sensação de impunidade. E espicaçou o atrevimento, a ponto da facção mafiosa correr o risco de prejudicar a reeleição do chefe na tentativa de reverter a vantagem dos tucanos na eleição paulista... Se houver segundo mandato, haverá muito trabalho para o Ministério Público, para o Judiciário e para o que restar de imprensa independente neste país".

É muita petulância deste executivo yuppie! Quem é ele para falar em "máfia no aparelho do Estado", para condenar a "sensação de impunidade" ou para se arrogar em patrono da "imprensa independente"? Todo e qualquer o jornalista com um mínimo de imparcialidade e dignidade, e não qualquer baba-ovo de plantão, sabe que a Famiglia Frias cresceu incrustada no poder, como uma máfia servil sob as benesses do regime militar. Sabe que esta empresa não foi condenada – ou mesmo se desculpou – por emprestar sua estrutura para a prisão e tortura de presos políticos. Sabe ainda que não existe vestígio de jornalismo independente neste grupo, manipulado e controlado sob a mão de ferro dos Frias – do velho patrono aos herdeiros.

Veículo da oligarquia rural

A Folha nasceu em 1921 sob o formato de um jornal vespertino, a Folha da Noite. Os seus fundadores, Pedro Cunha e Olival Costa, eram jornalistas do Estado de S.Paulo e, durante algum tempo, o jornal foi impresso e distribuído por esta empresa. O próprio Júlio de Mesquita Filho, dono do oligárquico Estadão, redigiu o primeiro editorial da Folha da Noite. No início, o jornal manifestou simpatia pelo movimento tenentista e encampou algumas bandeiras progressistas, como a do voto secreto e o direito de férias. Mas, como registra Maurício Puls, numa cronologia bajuladora deste veículo no seu octogésimo aniversário, essa postura durou pouco tempo. Rapidamente, o jornal virou um instrumento da direita brasileira.

Em 1929, com a saída de Pedro Cunha, a linha editorial sofreu uma inflexão e o jornal passou a apoiar a ostensivamente a reacionária oligarquia do café de São Paulo. "Os líderes da Aliança Liberal foram alvos de seguidos ataques. O resultado dessa tomada de posição contra Getúlio Vargas foi a destruição do jornal. Na noite de 24 de outubro de 1930, a multidão que comemorava a deposição do presidente em São Paulo destruiu as instalações da Folha. As máquinas de escrever e os móveis foram jogados na rua e incendiados. Olival Costa assistiu ao empastelamento da esquina. Quando a multidão deixou o prédio, pediu licença aos soldados para entrar no prédio. Lá viu um homem vestindo seu sobretudo. Ao observar que aquela roupa era sua, recebeu a seguinte resposta: 'Foi sua, amigo. Hoje, tudo isto é nosso'".

A Folha deixou de circular até janeiro de 1931, quando foi comprada por outro barão do café, Octaviano Alves. Em 1932, apoiou abertamente a oligárquica Revolução Constitucionalista "para libertar o Brasil de um grupo que se instalou no poder empenhado em desfrutá-lo" – o mesmo discurso usado atualmente por Otavinho. Em 1945, contrário às mudanças progressistas efetuadas por Getúlio, Octaviano vende o jornal por considerar "inútil o trabalho e insana a espera". José Nabantino assume a empresa sob o compromisso de manter "a imparcialidade em relação aos partidos". Mas, ainda segundo Maurício Puls, "sua orientação fiscalista guardava certa afinidade com a UDN" – a principal organização golpista deste período histórico.

Carregando presos para a tortura

Durante este longo período, a Folha de S.Paulo foi um jornal provinciano, sem maior projeção no cenário nacional. Em 13 de agosto de 1962, endividado e desolado com uma greve dos jornalistas, José Nabantino vendeu o jornal para os empresários Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. De imediato, ele se tornou um dos principais instrumentos da conspiração golpista que resultou na deposição de João Goulart. Suas manchetes espalhafatosas contra o "perigo comunista" e seus editorais raivosos contra "a corrupção e a subversão" envenenaram a classe média.

O veterano jornalista Mino Carta lembra que "a mídia vinha invocando o golpe há tempos... Neste período, a Folha de S.Paulo não tinha o peso que adquiriu depois. Mas os jornais soltavam editoriais candentes implorando a intervenção militar para impedir o caos".

Numa entrevista à jornalista Adriana Souza, o atual editor da revista Carta Capital, que já dirigiu os principais órgãos de imprensa do país e avalia que "o Brasil tem a pior mídia do mundo", dá outros elementos indispensáveis para se entender a história da Folha de S.Paulo. Ao contrário da propaganda deste jornal, que engana muita gente com o seu falso ecletismo e a sua aparente pluralidade, Mino Carta mostra que ele sempre serviu à ditadura e construiu sua pujança graças às benesses do poder autoritário:

"A Folha de S.Paulo nunca foi censurada. Ela até emprestou as suas C-14 [veículo tipo perua, usado na distribuição do jornal] para recolher os torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban (Operação Bandeirantes). Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha... E hoje você vê esses anúncios da Folha – o jornal desse menino idiota chamada Otavinho – que parece que ela, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas ela não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o Sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi 'mínima pressão' porque o Sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis na sucessão do general Geisel. A Folha apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército, da chamada linha dura, fascista]. O Cláudio Abramo foi afastado por isso".

Prosperidade durante a ditadura

Até hoje a Folha de S.Paulo, que gosta de posar de democrata e transparente, tenta esconder essa período macabro que revela todo o seu caráter de classe e a sua postura direitista. Alguns jornalistas, talvez para conseguirem as benções dos Frias, fazem de tudo para relativizar o papel deste jornal durante a ditadura. Mario Sérgio Conti, no livro Notícias do Planalto, até registra o episódio, mas de maneira deturpada e num linguajar tipicamente reacionário. Afirma que "até o final de 1968, as organizações terroristas de esquerda destacaram alguns de seus militantes jornalistas para trabalhar na Folha... No início dos anos 70 foi a vez de policiais dos órgãos de informação da ditadura se assenhorearem do jornal".

Outro livro, o recém-lançado "A trajetória de Octavio Frias de Oliveira", do jornalista Engel Paschoal, é quase uma peça publicitária de adulação do dono da empresa. O próprio autor confessa que o biografado é "meu tipo inesquecível entre todos". Mas apesar destas tentativas de ocultar a história, o envolvimento da Famiglia Frias com os órgãos de repressão é inquestionável. Até já serviu para uma cômica disputa entre duas empresas reconhecidas pelo servilismo nos duros tempos da ditadura. Como resposta a uma coluna da jornalista Barbara Gancia, uma famosa lambe-botas da Folha que acusou a TV Globo de ter apoiado o regime militar, o diretor de jornalismo da poderosa emissora, Evandro Carlos de Andrade, deu o troco:

"Aproveito para recomendar que procure saber um pouco da história da Folha, empresa apenas comercial que prosperou extraordinariamente na ditadura, não graças à receptividade do público e à qualidade do que produziu, mas apenas em retribuição ao incondicional apoio dado por este jornal ao regime militar. A senhora por acaso já se interessou por saber a causa de, naquele tempo, serem queimadas as Kombis da Folha?", retrucou o diretor da TV Globo (20/01/2000). Na fase mais cruel da ditadura, a Folha divulgava a "morte" de "terroristas" em "emboscadas com a polícia", quando estes ainda estavam na prisão. A falsa notícia servia para acobertar as torturas, como no caso do assassinado de Joaquim Seixas. Como resposta, grupos armados incendiaram três peruas da empresa e o durão Frias passou a dormir no prédio da Folha.

Baluarte do receituário neoliberal

A briga entre a TV Globo e a Folha serve para elucidar que foi exatamente na fase mais dura da ditadura que a Famiglia Frias ergueu o seu império com base nos subsídios e nas benesses do poder. A cronologia apologética já citada registra que, em 1967, "a Folha dá inicio à revolução tecnológica e à modernização do seu parque gráfico. O jornal é pioneiro na impressão offset em cores, utilizada em larga tiragem pela primeira vez no Brasil... Em 1971, o jornal adota o sistema eletrônico de fotocomposição, pioneiro no Brasil". No mesmo ano, lembra o texto, "o ex-capitão Carlos Lamarca, líder do grupo guerrilheiro MR-8, é morto pelo Exército na Bahia. O deputado Rubens Paiva é seqüestrado por militares e desaparece".

Protegida pela ditadura, a Folha cresceu e passou a ter projeção nacional. Ainda em 1977, ela atendeu as ordens de Hugo de Abreu, outro general linha dura, que pediu a demissão do escritor Lourenço Diaféria, que escrevera uma crônica sobre um bombeiro que "urinara" na estátua de Duque de Caxias, no centro de São Paulo. No seu livro autobiográfico, "O outro lado do poder", Hugo Abreu descreve: "Telefonei para o doutor Otávio Frias e ele disse: 'Meu general, estou aqui de mão na pala, fazendo continência'". Somente quando percebe que o regime estava em seus estertores é que o jornal passou a pregar a redemocratização, ao mesmo tempo em que se colocava como "pioneira" do receituário neoliberal de desmonte do Estado.

Na sua badalada pluralidade, a Folha deu espaço para FHC e para o sociólogo tucano Bolívar Lamounier e abriu suas páginas para Plínio Correa de Oliveira, líder da seita católica Tradição, Família e Propriedade (TFP) e para o pefelista Marco Maciel. Num primeiro momento, apoiou o "caçador de marajás" Fernando Collor como única forma de derrotar Lula, mas logo depois engrossou o coro do impeachment. Durante os oito anos de FHC, nada falou contra as suspeitas privatizações e pregou a ortodoxia macroeconômica. Com a eleição de Lula, porém, tornou-se um dos principais instrumentos da oposição de direita. Mesmo colunistas com um passado mais crítico, como Clóvis Rossi, passaram a verter ódio contra o presidente.

A pregação do golpe midiático

Com a eclosão da crise política em maio do ano passado, a Folha de S.Paulo virou um palanque da mais contundente oposição. Ela chegou a fazer coro com os hidrófobos do PFL na proposta do impeachment de Lula, numa autêntica pregação do golpe midiático. Um atento comerciante paulista, Eduardo Guimarães, teve a paciência de acompanhar as manchetes deste jornal em setembro passado. Elas foram arroladas no seu blog na internet ( www.cidadania.com ) e impressionam pelo alto grau de manipulação. "As mensagens desfavoráveis para o candidato Lula são a maioria esmagadora... Já os adversários de Lula, sobretudo o principal, Geraldo Alckmin, foram totalmente poupados. Esse é um fato incontestável".

As conclusões do comerciante foram confirmadas por dois institutos que monitoram sistematicamente a imprensa: o Datamídia, da PUC-RS, e o Observatório Brasileiro da Mídia, filial do Media Watch Global. O primeiro identificou que, entre 13 e 19 de julho, a Folha dedicou 778 centímetros/coluna de texto com tom positivo para Alckmin, enquanto Lula teve, no mesmo período, 562 centímetros/coluna de mensagem positiva. Já o Observatório pesquisou os principais jornais e revistas de julho a agosto, incluindo a Folha, e constatou que o Lula foi retratado de forma negativa em 47,41% das matérias, contra 31,2% em que foi tratado positivamente. No caso de Alckmin, a situação se inverte: 44,56% favoráveis e 31,42% negativas.

Apesar desta descarada manipulação, todas as sondagens eleitorais ainda apontavam a vitória de Lula no primeiro turno para o desespero dos "deformadores de opinião" da mídia. A "operação burrice" de alguns petistas afoitos, que tentaram comprar o dossiê da "máfia das sanguessugas", apenas realimentou o sonho da direita de forçar o segundo turno. É neste contexto que se encaixa o odioso artigo do diretor de redação da Folha citado acima. O tiroteio deste jornal na última semana é devastador. Manchetes sensacionalistas e centenas de matérias, até na seção de esporte, visam satanizar o presidente e apelar para o imperativo do segundo turno, "pelo bem da democracia". A pesquisa do Datafolha inclusive foi antecipada, contrariando a Lei 9.504 que disciplina as eleições, para dar a impressão da inevitabilidade do segundo turno.

A distorção da Folha de S.Paulo é tão evidente que até seu próprio ombudsman, Marcelo Beraba, teve de registrá-la envergonhado. "O fato de considerar a conspiração para a obtenção do dossiê mais importante do que o dossiê não significa que eu esteja de acordo com o pouco empenho dos jornais na apuração das denúncias contra Serra e Barjas Negri [dois ex-ministro de FHC envolvidos na compra superfaturada de ambulâncias]. Uma cobertura não anula a outra" (FSP, 24/09/06).

Na prática, a empresa de Otávio Frias Filho, o yuppie Otavinho, que no passado cedeu suas caminhonetes para o transporte de presos políticos, hoje prega abertamente um golpe midiático. Esta conduta golpista, seguida pelo grosso da mídia, deveria servir ao menos para acabar com as ilusões sobre o papel imparcial dos meios de comunicação no Brasil.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "As encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, 2ª edição).

8 de ago. de 2006

Folclore Gaúcho

Livrai-nos destes zorros, Negrinho do Pastoreiro:













































Tipo Desculpa Comparsa Arte
DARCÍSIO PERONDI Deputado PMDB-RS  Improbidade Administrativa
EDIR DE OLIVEIRA Deputado PTB-RS Sanguessugas (Escândalo das Ambulâncias)
ELISEU PADILHA Deputado PMDB-RS Corrupção Passiva
ÉRICO RIBEIRO Deputado PP-RS Crime Contra a Ordem Tributária e Apropriação Indébita
PAULO JOSÉ GOUVEIA Deputado PL-RS Porte Ilegal de Arma
Paulo Pimenta Deputado PT-RS Compra de Votos, Mensalão

OBS. O homem que se vende sempre recebe mais do que vale!

O OVO DA SERPENTE

A lição de Pontecorvo para não descer a lomba

Em um artigo na Veja, Lya Luft faz um inventário seletivo de indignações. Iguala sem-terras a facínoras, critica política de cotas para “pessoas de cor”, denuncia “frouxidão das instituições” e expressa vontade de “sumir de aspectos da realidade”. E diz não entender “como chegamos à tamanha decadência”. O cineasta Gillo Pontecorvo talvez tenha a resposta.

Marco Aurélio Weissheimer

A escritora Lya Luft dedicou sua coluna na revista Veja, essa semana, para fazer um inventário de suas indignações. Intitulada “Descendo a lomba”, ela coloca no mesmo saco de “temas assustadores”, o caso da morte de um casal de jovens namorados em São Paulo, o da “jovem facínora da classe média paulistana, que com dois cúmplices trucidou os pais, uma “cartilha do MST usada por certas escolas elementares” que estaria “preparando novas gerações de contraventores” e “ilegalidades promovidas pelo governo (federal)”. Ao falar sobre os sem-terra, ela escreveu: “Outro dia foram dar seu apoio a um candidato a presidente. Disseram, entre outras coisas: ‘não queremos a volta da burguesia ao poder’. Gente, estamos em pleno século XXI! Enquanto isso, fazendas produtivas continuam tomadas ou cercadas por bandos ameaçadores, sustentados com nosso dinheiro”, bradou, indignada.

O que significa exatamente essa expressão “gente, estamos em pleno século XXI!”, no contexto citado? Há um sentido óbvio que associa a luta e o discurso dos sem-terra a algo atrasado e anacrônico. O “estar em pleno século XXI” significa estar num estágio da modernidade que não deveria mais conviver com tais anacronismos. No contexto do artigo em questão, afirmar que “fazendas produtivas continuam tomadas ou cercadas por bandos ameaçadores, sustentados com nosso dinheiro” significa dizer que os sem-terra são um bando de malfeitores que devem ser colocados na mesma categoria do “monstro que estuprou muitas vezes, retalhou e matou uma menina de 16 anos” e da “jovem facínora da classe média paulistana” que ajudou a matar os pais. E significa ainda, como a escritora faz explicitamente, associar todos esses fatos ao atual governo federal, à frouxidão das instituições e à “degringolada” geral da nação.

“Pessoas de cor e catiúchas”
A lista de indignações de Lya Luft não pára por aí. Ela manifesta espanto pelo fato de João Pedro Stédile ter sido convidado a dar uma palestra na Escola Superior de Guerra: “Um dos líderes máximos desses grupos – que desvirtuam a verdadeira figura do colono, do trabalhador no campo – recentemente foi convidado a dar (e deu!) uma palestra na Escola Superior de Guerra; não escrevo ‘pasmem’, pois a esta altura nada mais nos assombra”. Critica as cotas para “pessoas de cor” nas universidades: “As cotas para pessoas de cor entrarem em universidades, independentemente de sua capacidade, vão resolver a tragédia da educação brasileira, e o insensato estímulo ao racismo não parece importar”. “Mas consolemo-nos”, acrescenta, irônica: “a também confusa guerra está distante, podemos continuar alegrinhos, sem ‘catiúchas’ caindo em nossa alienada cabeça. Os roncos e estrondos lá fora, de madrugada, são apenas os rachas na minha rua”.

E fala, é claro, dos mensaleiros e dos políticos sanguessugas, que representariam a expressão política de todo esse cenário. “A frouxidão das instituições neste momento, os interesses políticos em época eleitoral e o exemplo da inaceitável absolvição dos mensaleiros não nos permitem grandes ilusões. Para começar, os sanguessugas não serão julgados tão cedo. Podem até continuar candidatos a cargos eletivos: a maioria deles realmente é. Se eleitos, terão imunidade. O que pensar de tudo isso?” – pergunta. Lya Luft diz que não consegue entender “como chegamos a tamanha decadência” e manifesta um desejo de sumir. “Começo a ter vontade de sumir – se não do Brasil, ao menos de aspectos de sua realidade que o insultam e o mancham. Como chegamos a tamanha decadência, não sei explicar. Ninguém me dá uma explicação satisfatória”. O que a escritora não parece perceber é que essa explicação aparece em seu próprio artigo.

“Sumir de aspectos da realidade”
Ela escreve que tem vontade de “sumir de aspectos da realidade que insultam e mancham” o Brasil. Seu artigo indica que já fez essa operação, típica de uma consciência alienada, ultra-conservadora e preconceituosa, que associa lutas sociais (com todas as contradições que elas envolvem) a atos de criminosos e facínoras, que iguala lideranças dessas lutas a criminosos, que se refere à população negra como “pessoas de cor”, e que fala da guerra no Líbano apenas dando graças a Deus pelo fato de que os “katiuchas” – foguetes usados pelo Hezbollah contra Israel – não estão caindo “em nossa alienada cabeça”. O fato de não ter feito menção aos imensamente mais poderosos “katiuchas” de Israel que estão caindo sobre a cabeça de homens, mulheres e crianças no Líbano é mais uma evidência de que ela já “sumiu de aspectos da realidade”. O fato de sua indignação seletiva deixar de lado alguns “aspectos da realidade” é uma explicitação dessa operação.

“Ninguém me dá uma explicação satisfatória” de “como chegamos a tamanha decadência”, escreve ainda. Bem, o fato de usar a expressão “gente, estamos em pleno século XXI” para qualificar certas práticas e discursos como anacrônicas desautoriza essa incompreensão em um duplo e ambíguo sentido. Desautoriza, em primeiro lugar, porque se atingimos um certo “grau evolutivo superior” incompatível com manifestações inferiores de um período anterior, essa superioridade acabará por prevalecer e não há, portanto, motivo para alarme e espanto. Os problemas serão equacionados pois “estamos em pleno século XXI”. E desautoriza, em segundo lugar, num sentido diferente deste, pelo fato de que, se chegamos ao século XXI com todos esses problemas, que causam tanta indignação (seletiva), talvez esse século não seja a expressão exatamente de um ápice da modernidade que seria incompatível com certas manifestações, como o discurso dos sem-terra, por exemplo.

A lição de Pontecorvo
Gillo Pontecorvo, judeu, italiano e cineasta, contou, certa vez, que quando era um jovem tenista na Itália de Mussollini, era proibido discutir política. Um dia, Pontecorvo foi para Paris e lá conheceu Sartre. Entendeu o que era o fascismo e decidiu resistir. Pontecorvo dirigiu um dos primeiros filmes sobre campos de concentração na Segunda Guerra Mundial. Esse filme se chama “Kapo”, um filme que trata da vertente fascista na Alemanha, o nazismo. Após contribuir para a derrota dos fascistas na Itália, Pontecorvo conheceu Saadi Yacef, ex-preso político argelino que lutou pela independência de seu país contra o colonialismo especialmente cruel dos franceses. Pontecorvo produziu e dirigiu uma das maiores obras-primas da história do cinema, A Batalha de Argel. O testemunho da trajetória de Pontecorvo guarda ensinamentos importantes para completar o quadro da realidade que a escritora insiste em subtrair, querendo se proteger.

Que ensinamentos? Não foi o fascismo que nos ensinou nem nos revelou os horrores do holocausto. Não foi o fascismo que nos ensinou sobre os horrores das ditaduras que fazem presos políticos e tratam como criminosos aqueles que se opõem politicamente à ordem estabelecida. Pontecorvo nos ensinou a estender a mão e a dar voz e expressão contra o fascismo. Foi assim que ele entendeu que o fascismo precisa subtrair aspectos da realidade, entre eles a política (ou sobretudo ela), para que judeus estejam em campos de concentração, para que árabes-muçulmanos tenham seus territórios ocupados, para que camponeses não tenham terra para trabalhar e para que nenhum deles tenha o direito nem a dignidade de ter direitos. O jovem e belo tenista italiano resolveu abrir os olhos para o maior número de aspectos da realidade que ele pôde captar, que seu espírito permitiu, que sua generosidade lhe concedeu, que sua consciência o obrigou. Talvez esteja aí um bom caminho para entendermos como se desce a lomba. Para não descer mais.

Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

3 de ago. de 2006

Faixa faz menção a Serrra na entrega das ambulâncias


O Vampiro do PSDB

Essas ambulâncias eram da Planan, a empresa dos sanguessugas? Não se sabe. Mas leiam o que disse Darci Vedoin, em depoimento à PF, em 23.julho.2006: "...QUE o pagamento de comissão a parlamentares já era uma praxe existente anteriormente, no Congresso Nacional; QUE para o exercício de 2000, o deputado Lino Rossi apresentou essas emendas, através das quais foram vendidos no Estado de Mato Grosso mais de 60 unidades móveis de saúde; QUE as unidades, adquiridas com as emendas individuais, foram entregues paulatinamente; QUE as unidades adquiridas com as emendas de bancada, cerca de 50 unidades, foram entregues em um evento preparado especialmente pela cidade de Cuiabá, inclusive com a presença do Ministro da Saúde". O ministro da Saúde era... José Serra.

Serra entrega chave de ambulância


Os filhos do PSDB

Fotos de Serra com sanguessugas

Blog do Fernando Rodrigues, do site UOL.
Circulam no Congresso fotos de José Serra participando de uma cerimônia de entrega de ambulâncias em Mato Grosso, em maio 2001, ao lado de deputados hoje acusados de participarem do esquema dos sanguessugas.

Nas fotos, lá estão eles: Serra e os deputados Lino Rossi (PL-MT), Pedro Henry (PP-MT) e Ricarte de Freitas (PTB-MT). Como se observa, os 3 deputados pertencem aos partidos mais fortemente identificados com o escândalo do mensalão, além do PT. Henry foi citado nos dois casos. Na lista fornecida por Darci Vedoin sobre os sanguessugas à Polícia Federal estão citados Lino, Henry e Freitas.

José Serra, como se sabe, foi ministro da Saúde de março de 98 a fevereiro de 2002. O esquema das vendas superfaturadas de ambulâncias começou em algum momento no início da década. A Folha publica hoje reportagem (só para assinantes) sobre a convocação de Serra para depor à CPI dos Sanguessugas --por requisição do líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS).

As fotos de Serra com os sanguessugas não provam nada. Assim como Lula, Serra também pode argumentar que não sabia de nada, certo?

Palpite do blog: com essa guerrinha entre oposição e situação para convocar ex-ministros a CPI dos Sanguessugas, já completamente rachada, corre o risco de não terminar bem. O PT quer convocar Serra; o PSDB força a barra para trazer o petista Humberto Costa e o peemedebista Saraiva Felipe para o picadeiro.

Mas as fotos valem muito mais do que qualquer falação (a cerimônia foi para marcar a entrega de 41 unidades móveis de saúde a 38 municípios). A elas:

Da esquerda para a direita, Pedro Henry, Lino Rossi, Serra e Ricarte de Freitas (ao microfone)

2 de ago. de 2006

Segurança como e por quê

Um advogado circulou a seguinte informação para os empregados na companhia dele.

1. Da próxima vez você ordenar talão de cheques peça ao banco que coloque somente as iniciais de teu nome (em vez do nome completo) e sobrenome no talão. Se alguém levar seu talão de cheques, eles não saberão como você assina seus cheques, com somente a inicial de seu nome, mas seu banco saberá como você assina seus cheques.

2. Não assine a parte de trás de seus cartões de crédito. Ao invés, escreva " SOLICITAR RG ".

3. Quando você preencher cheques para pagar seu cartão de crédito considerar, não escreva o número de conta completo na " Para que " linha. Ao invés, ponha somente os últimos quatro números. A companhia de cartão de crédito sabe o resto do número da conta, e qualquer um que poderia estar controlando seu cheque através de todos os
canais do processamento do cheque não terá acesso a esta informação.

4. Ponha seu número de telefone de trabalho em seus cheques em vez de seu telefone de casa. Se você tiver uma Caixa Postal de Correio use este em vez de seu endereço residencial. Se você não tiver uma Caixa Postal, use seu endereço de trabalho. Ponha seu telefone celular ao invés do residencial. Nunca tenha seu CPF impresso em seus cheques. (Você pode colocá-lo se for necessário). Mas se estiver impresso, qualquer um pode ver.

5.Tire Xerox do conteúdo de tua carteira. Tire cópia de ambos os lados de todos os documentos, cartão de crédito, etc. Você saberá o que você tinha em sua carteira e todos os números de conta e números de telefone para chamar e cancelar. Mantenha a fotocópia em um lugar seguro. Também leve uma fotocópia de seu passaporte quando for viajar para o estrangeiro. Se sabe de muitas estórias de horror de fraudes com mes,CPF, RG, cartão de créditos, etc... roubados.

Infelizmente, eu, um advogado, tenho conhecimento de primeira mão porque minha
carteira foi roubada no último mês. Dentro de uma semana, os ladrões ordenaram
um caro pacote de telefone celular, aplicaram para um cartão de crédito VISA,
tiveram uma linha de crédito aprovada para comprar um computador, dirigiram com minha carteira, e mais. Mas aqui está um pouco de informação crítica para limitar o dano no caso de isto acontecer a você ou alguém que você conheça.

1. Nós fomos informados que nós deveríamos cancelar nossos cartões de crédito
imediatamente. Mas a chave é ter os números de telefone gratuitos e os números
de cartões à mão, assim você sabe quem chamar. Mantenha estes onde você os possa achar.

2. Abra um Boletim Policial de Ocorrência imediatamente na jurisdição onde seus
cartões de crédito, etc., foram roubados. Isto prova aos credores você tomou ações imediatas, e este é um primeiro passo para uma investigação (se houver uma).

Mas aqui está o que é talvez mais importante que tudo:

3. Chame imediatamente o SEPROC e SERASA (e outros orgãos de crédito se houver) para pedir que seja colocado um alerta de fraude em seu nome e número de CPF.
Eu nunca tinha ouvido falar disto até que fui avisado por um banco que chamou
para confirmar sobre uma aplicação para empréstimo que havia sido feita pela internet em meu nome. O alerta serve para que qualquer empresa que confira seu crédito saiba que sua informação foi roubada, e eles têm que contatar você por telefone antes que o crédito seja aprovado.
Até que eu fosse aconselhado a fazer isto (quase duas semanas depois do roubo), todo o dano já havia sido feito. Há registros de todos os cheques usados para compras pelos ladrões, nenhum de que eu soube depois que eu coloquei o o alerta. Desde então, nenhum dano adicional foi feito, e os ladrões jogaram fora minha carteira. Este fim de semana alguém a devolveu para mim. Esta ação parece ter feito eles desistirem.

Nós passamos para frente muitas piadas pela Internet; nós passamos de quase tudo. Mas se você estiver disposto a passar esta informação, realmente poderia ajudar alguém com quem você se preocupe.