20 de dez. de 2010

Lição de Anatomia made in USA

" U.S. citizen for all "

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NOTA: Bradley Manning nasceu em Crescent, Oklahoma, de pai americano e mãe galesa. Seus pais haviam se conhecido quando seu pai estava estacionado em Cawdor Barracks, no País de Gales. Manning passou a sua infância em Oklahoma. Quando ele tinha treze anos, após o divórcio de seus pais, ele se mudou com sua mãe para Haverfordwest, País de Gales. [9] [10] Ele tinha problemas na instalação da escola em que antigos conhecidos descreveram como uma infância conturbada. [11] De acordo com alguns amigos de infância, primeiro ele manifestou interesse em ingressar nas Forças Armadas dos EUA, enquanto ele estava na escola primária [12].

Ditadura EUA

A prisão infernal de Bradley Manning

Denver Nicks - The Daily Beast, 17/12/2010 –

Bradley Manning’s life behind bars

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

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Bradley Manning, que supostamente vazou centenas de milhares de documentos secretos do governo para Julian Assange, do WikiLeaks, completa 23 anos de idade nesta sexta-feira, na prisão. Denver Nicks, de The Dail y Beast, fez entrevista exclusiva com o advogado de Manning, que fala de seu confinamento solitário, do que ele lê (de George W. Bush a Howard Zinn) e da estratégia jurídica que pretende seguir.

Da última vez em que Bradley Manning viu o mundo do lado de fora de uma prisão, a maioria dos americanos nunca tinha ouvido falar do WikiLeaks. Nesta sexta-feira, Manning, o homem que alegadamente vazou documentos sigilosos, colocando no mapa o site e seu polêmico líder, Julian Assange, completa 23 anos de idade atrás das grades. Desde sua prisão, em maio, Manning passou a maior parte desses mais de 200 dias em confinamento solitário. Fora receber um cartão e alguns livros da família, seu aniversário não será diferente. O advogado David Coombs revela detalhes importantes sobre Manning, a prisão e os gestos delicados de sua família que lhe trazem um pouco de conforto nessas duras condições carcerárias.

"Eles escrevem que pensam nele e em seu aniversário, que o amam e apoiam", disse Coombs sobre a família Manning. A tia, em nome dos pais e da irmã, enviou cartão na quarta-feira pelo advogado, e Manning respondeu que também a ama e gostaria de estar com ela no aniversário. "Mas as visitas são permitidas apenas aos sábados e domingos; um deles vai vê-lo no sábado". Manning pediu uma lista de livros que sua família comprou e entregará nas próximas semanas, para coincidir com o aniversário e o Natal. Na lista?

Decision Points, de George W. Bush; Crítica da Razão Prática e Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant,Propaganda, de Edward Bernayse, O gene egoísta, de Richard Dawkins, A People’s History of the United States, de Howard Zinn, A arte da guerra, de Sun Tzu, The Good Soldiers, de David Finkel, Da guerra, de Carl von Clausewitz.

Manning está preso na base dos Fuzileiros Navais em Quântico, na Virgínia. Passa 23 horas por dia sozinho numa cela de tamanho padrão, com pia, vaso sanitário e cama. Não lhe são permitidos lençóis ou travesseiro, embora o primeiro-tenente Brian Villiard, oficial em Quântico, elogie o material "não-rasgável" permitido. "Eu segurei, senti, é macio, eu dormiria com ele", disse a The Daily Beast.

altEle não está autorizado a fazer exercícios (funcionários de Quântico desmentem isso), mas começou a praticar ioga e alongamento. Durante uma hora por dia, uma TV sobre rodas é colocada em frente a sua cela e ele pode assistir a telejornais, geralmente locais, disse Coombs. Tem permissão para ler notícias também. Numa cortesia de Coombs, Manning tem agora assinatura de sua revista favorita, a Scientific American. A edição de novembro, "Hidden Worlds of Dark Matter", foi a primeira que recebeu.

As condições em que Bradley Manning está sendo mantido poderiam traumatizar qualquer um (ver artigo de Glenn Greenwald na Salon - traduzido - para um resumo das questões jurídicas e psicológicas associadas ao confinamento solitário prolongado). Ele vive sozinho numa cela pequena, sem contato humano. É forçado a usar algemas quando está fora da cela e quando encontra as poucas pessoas autorizadas a visitá-lo uma divisória de vidro o separa delas. A não ser os funcionários da prisão e uma psicóloga, a única pessoa que fala com Manning cara a cara é seu advogado, que diz que o isolamento prolongado está pesando sobre a psique do cliente.

Ao ser preso, Manning foi colocado sob "vigilância de suicídio", mas essa condição foi rapidamente alterada para "Vigilância de Prevenção de Lesões", sendo forçado a essa vida de tédio entorpecente. O tratamento é duro, punitivo e cobra seu preço, diz Coombs. Não há indício de que ele represente ameaça para si mesmo, e não deveria estar detido em condições tão severas a pretexto de sua própria proteção. "O comando baseia esse tratamento apenas na natureza das acusações pendentes e num incidente em que um funcionário da base cometeu suicídio", disse Coombs, referindo-se a um capitão de Quântico que se matou em fevereiro. Coombs disse acreditar que os funcionários mantêm Manning sob vigilância estreita por excesso de cautela. Ambos, Coombs e o psicólogo que atende Manning, têm certeza de que ele é mentalmente saudável.

Continua no Blog do SÁTIRO.

13 de dez. de 2010

O perigo cubano

 

Por Thaís Romanelli, via ÓperaMundi
Uma cidadã cubana que acusa o jornalista australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, de "crimes sexuais" na Suécia foi apontada como "colaboradora" da CIA e teria planejado o caso, segundo a rede de TV venezuelana TeleSur. No início do ano, ela mesma divulgou na internet um "guia para se vingar" de alguém usando denúncias de abusos sexuais.
De acordo com as informações publicadas nesta terça-feira (7/12), a cubana Anna Ardin (cujo nome real seria Ana Bernardín) teria sido uma das primeiras a denunciar Assange por "abuso sexual" à polícia sueca, junto à amiga sueca Sophia Wilén.
A prisão do fundador do site Wikileaks, o jornalista australiano Julian Assange, provocou grande repercussão na mídia internacional. As vozes de entidades de defesa da liberdade de imprensa, porém, não protestaram até o momento, nem questionaram a validade da ordem de prisão da Justiça sueca, que acusa o jornalista de "crimes sexuais".
Entidades como a Associação Mundial de Jornais, o World Press Freedon Committee e a norte-americana Freedom House costumam protestar no caso de prisões políticas contra jornalistas, principalmente em países não alinhados a potências ocidentais. Desta vez, por enquanto, evitaram criticar a ação contra colega preso.
A queixa, porém, seria relativa ao fato de Assange, supostamente, não ter utilizado camisinha durante as relações sexuais que teria tido com elas, enquanto Ardin dormia em sua resisidência em Estocolmo. Além disso, Ardin e Wilden denunciaram Assange por ter mantido relações sexuais com as duas na mesma semana - o que, na Suécia, é ilegal.
De acordo com a versão apresentada, no dia 11 de agosto deste ano, Assange teria ido à Suécia a convite do movimento de centro-esquerda Broderskap ("fraternidade" em sueco, ligado ao Partido Social-Democrata Cristão) para participar de um seminário. Na ocasião, segundo Ardin, ela própria ofereceu sua casa para hospedar o fundador do Wikileaks, já que ela estaria fora da cidade. Ardin, porém, voltou antes do previsto, mas mesmo assim hospedou Assange em casa. Segundo ela, em uma das noites após jantarem juntos, tiveram relações sexuais com camisinha, que chegou a rasgar.
No dia seguinte, ao final do seminário, Assange teria seduzido Sophia Wilén, com quem também teria feito sexo, na cidade de Enkoping, onde ela mora. De acordo com Wilén, ela e Assange tiveram relações duas vezes, uma com e outras sem o uso de preservativos, em razão de uma recusa do fundador do Wikileaks.
Dez dias depois, as duas mulheres se apresentaram à polícia sueca para denunciar Assange por crimes sexuais. Ardin, porém, se apresentou como militante feminista a princípio e declarou que estava apenas auxiliando Wilén. Dias mais tarde, declarou seu envolvimento com Assange, alegando que "inicialmente o sexo foi consensual, mas logo se transformou em um abuso", já que o preservativo teria rompido e Assange continuado a relação à revelia dela.

Vingança

Anna Ardin é uma ativista feminista conhecida na Suécia. Em 19 de janeiro de 2010, ela escreveu em seu blog (annaardin.wordpress.com) um post com o título "Sete passos para uma vingança judicial", incluindo instruções sobre incriminar alguém usando acusações de teor sexual. Seu blog faz referências a outros como Generación Y (de Yoani Sánchez) e Desde Cuba, ambos de dissidentes cubanos.
Acusada de ter mudado o depoimento a mando da CIA, Ardin se defendeu em seu blog garantindo que as denúncias não haviam sido coordenadas.
"A responsabilidade do que aconteceu comigo e com a outra jovem é do homem que tem uma visão distorcida das mulheres, que tem um problema em aceitar um 'não'", argumentou, no post citado.

Anti-castristas

Segundo a TeleSur, ela também seria ligada ao ativista anti-castrista Carlos Alberto Montaner e ficou conhecida por escrever em websites financiados pela USAID (agência dos Estados Unidos para empréstimos a países subdesenvolvidos) e controlados pela CIA, como o Misceleanas de Cuba, do cubano Alexis Gainza Solenzal, que criticam o regime da ilha.
Montaner é co-autor, junto com o peruano Mario Vargas Llosa, do livro anti-esquerdista Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano (Bertrand Brasil, 1997). Nos anos 1960, chegou a ser preso em Cuba por acusações de trabalhar para a CIA em operações de sabotagem, até fugir da prisão e encontrar asilo na Espanha, então sob o regime franquista.

OBS. Agora dá para entender melhor a indicação de Vargas Llosa ao Prêmio Nobel de Literatura, não é?! Numa América Latina, virada à esquerda, com o Império derretendo, toda ação é válida para minar o poder dos países sul-americanos.

Uma mente perigosa

wikipensa"Que tipo de informação é importante para o mundo? Que tipo de informação pode desencadear uma reforma? (...) Informações que governos e corporaçãos estão fazendo um esforço econômico para esconder, isso é um bom sinal. (Sinal) de que quando esta informação estiver disponível  possa servir para algo de bom, porque as organizações que sabem das coisas, que conhecem tudo de dentro para fora, estão tendo trabalho para escondê-las. E é isso o que descobrimos com a prática (Wikileaks), e essa é a história do jornalismo. (...) Há segredos legítimos, você sabe - seus registros com o seu médico, esse é um registro legítimo. (...) Os valores principais são: homens capazes e generosos não criam vítimas, eles cuidam das vítimas. (...) Há outra maneira de cuidar das vítimas, que é vigiar os autores do crime. Então, isso é algo que está no meu caráter há bastante tempo."

Cuidado! Quem pensa assim tem todas as chances de se tornar inimigo dos EUA. Que privilégio!

12 de dez. de 2010

Bolinha de papel faz mais uma vítima

Anúncio da famiglia Braga n’O Sul, cortesia da Nova Corja.

Anúncio da famiglia Braga 'O Sul!A Bala de Prata de José Serra atendia por Políbio Adolfo Braga, que ocupou valiosos espaços na propaganda do senhor “bolinha de papel” psicografando a vida pregressa  do poste que Lula colocou no Planalto, também está traumatizado por um papelote que recebeu de um motoboy. O garoto propaganda da campanha do PSDB, de biógrafo não autorizado de Dilma, virou vítima de seus neurônios. O jornal O Sul considerava seu Políbio um siamês de Beatriz Fagundes. É o que ele chama de “contraponto”. E assim também acreditavam os leitores do referido jornal. Siameses opostos… Beatriz, lulista. Políbio, autista?!

Com a saída de Políbio Braga, O Sul perdeu um de seus três leitores.

Como, no dizer dele, Beatriz não tinha “um mínimo de neurônio no lugar”, e considerando que O Sul o tinha apenas para contraponto à Beatriz, faltou neurônio para perceber antes que a venda era casada. Despedido, virou despeitado. Afinal, teve muito tempo para perceber que ele só poderia ser colonista se o jornal fosse um “clipão diário”. Perdeu o trem e a oportunidade de ir embora antes mas, como sempre, ele pode repetir o mantra: “ – Me enganei muito!”

Seu Políbio, engano é engano. Pouco ou muito, é sempre engano. Na ordem inversa, e seguindo a mesma linha de raciocínio, conclui-se que pouco neurônio conduz a muito engano...

Herança Maldita!

Na reclamação que teria endereçado ao vice-presidente da Rede Pampa, do alto de seu poste no olho da rua, expõe-se à versão com aversão. Duas palavras muito caras que acompanham Políbio desde os tempos do governador Collares: versão e aversão. A versão do porta-voz não mudou a aversão do ex-governador… Por tudo isso, se não é muito, é tudo, não estranha que ele tenha sido colunista do “único jornal diário que não tem editorial”. Como Políbio costuma dedicar-se a quem o joga no olho da rua, vem aí mais uma obra da lavra do mais importante colonista político do RS: Herança Maldita.

Na era do Parque Eólico, a luta de Políblio contra o PT lembra Dom Quixote contra os moinhos de vento. Há até uma Dulcinea Del Toboso, mais conhecida como Miss Pantalha!

A herança verdadeiramente maldita para Políbio será aquela que o Brasil herda de Lula. Um país em pleno emprego. Como neste dezembro saiu a notícia de que a Grande Porto Alegre, por primeira vez na história, alcançou o pleno emprego, O Sul fez de  Polibio possivelmente o único desempregado.

Tadinho, com quem será ele irá passar o Natal? Com Pato Donald? Aguenta firme, seu Braga, no Réveillon já terá a companhia de Yeda! Aliás, fazem um bom par. De tango ou pompoar... Quem sabe encenem “o último tango em Porto Alegre”. E quem bateu mais cabeça leva a manteiga!

Resumindo e lambança finalizo com as palavras do colonista desempregado: “estamos no Rio Grande do Sul, Estado onde a mídia é controlada por empreendedores jornalísticos muito curiosos”. Parabéns, empreendedor! Curiosidade longa, vita brevis...

PT saudações!

Saiba mais em A Nova Corja

11 de dez. de 2010

Relação envelhecida

 pedido passagem

A foto ao lado, tirada por ocasião do encontro que selaria a refundação do PSDB é reveladora. Os três patetas (FHC, Serra & Aécio) não se conversam. Comandam!  Não se reúnem. Fazem conchavos. Um não olha para o outro, e fazem de tudo para se manterem à frente.

Na foto, os figurantes parecem estarem caminhado. No cruzamento, um puxa pelo outro para passar à frente. Fernando Henrrique está indo tirar o pé da cozinha. Aécio, sentindo-se apertado, procura o banheiro. E Serra grita: Pó pará, governador!

Estes são os melhores quadros do PSDB. E estão amontoados no porão. Algum museu poderia recolher e emparedá-los?

A refundação, que seria importante para o quadro político, desde que trazendo o PSDB para uma política mais iluminista, seria de bom alvitre para a democracia brasileira. Mas precisam exorcizar alguns cadáveres. O obscurantismo das eleições precisam ser discutidas pelo partido. Não é possível que um partido tido por intelectuais continue associado à Opus Dei, à TRF e ao facção Instituto Millenium. O submundo precisa ser posto no seu devido lugar. Outro ponto que o PSDB precisa discutir é a encenação da bola de papel. Não traz nenhum benefício à política um candidato a presidente que simule uma agressão e de maneira tão descarada.

No que diz respeito ao RS, o PSDB precisa fazer primeiro uma sessão de psicanálise. Ou bem internem a representante ou terão muita dificuldade de convencerem os gaúchos para uma segunda chance. O encerramento tem sido uma condensação do que foi o mandato. LOUCURA!

Dacanal & Yeda

O polemista e professor José Hildebrando Dacanal, que fez questão de publicar na imprensa sua desfiliação do PSDB quando da passagem da colega pelo Governo Federal, lá se vão 10 anos, sabia de quem se tratava. Afinal, eram da lavra dele os discursos da colega de UFRGS. Pelo menos foi o que me disse, na Livraria do Arnaldo, na presença deste. Nunca mais nos falamos, até porque ele andava meio José Serra.

“Quando eu for velho como você, professor, também serei conservador!” Foi a última vez que dirigi a palavra ao meu ex-professor da Letras da UFRGS. Com a vitória de Tarso, do “grupo de Santa Maria”, como ele se referia a um grupo de político daquela terrinha, deve estar mascando o freio, louco por abrir mais alguma polêmica. Gostaria muito de ler algum artigo dele, aos moldes daqueles publicados no antigo Correio do Povo, a respeito do governo do RS que se extermina e da campanha de José Serra.

Dacanal foi um professor brilhante, um intelectual ímpar mas medíocre em termos políticos. Modelito PSDB!

WikiLeaks vaza Santayana & Eco

Mauro Santayana nos lembra: “Roma não era tão forte assim”

O mundo, depois de Julian Assange

Mauro Santayana, no Jornal do Brasil digital

Wikmordaça!“Todos os que sabem escrever e manipular um computador são cidadãos, que são mais que jornalistas.”

O presidente Lula e o primeiro-ministro Putin tiveram o mesmo discurso, ontem [9/12], em defesa de Julian Assange, embora com argumentos diferentes. Lula foi ao ponto: Assange está apenas usando do velho direito da liberdade de imprensa, de informação. Não cabe acusá-lo de causar danos à maior potência da História, uma vez que divulga documentos cuja autenticidade não está sendo contestada. Todos sabem que as acusações de má conduta em relacionamento consentido com duas mulheres de origem cubana, na Suécia, são apenas um pretexto para imobilizá-lo, a fim de que outras acusações venham a ser montadas, e ele possa ser extraditado para os Estados Unidos.

O que cabe analisar são as consequências políticas da divulgação dos segredos da diplomacia ianque, alguns deles risíveis, outros extremamente graves. Ontem [9/12], em Bruxelas, o chanceler russo Sergei Lavrov comentava revelações do WikiLeaks sobre as atitudes da Otan com relação a seu país: enquanto a organização, sob o domínio de Washington, convidava a Rússia a participar da aliança, atualizava seus planos de ação militar contra o Kremlin, na presumida defesa da Polônia e dos países bálticos. Lavrov indagou da Otan qual é a sua posição real, já que o que ela publicamente assume é o contrário do que dizem seus documentos secretos. Moscou foi além, ao propor o nome de Assange como candidato ao próximo Prêmio Nobel da Paz.

O exame da história mostra que todas as vezes que os suportes da palavra escrita mudaram, houve correspondente revolução social e política. Sem Guttenberg não teria havido o Renascimento; sem a multiplicação dos prelos, na França dos Luíses, seria impensável o Iluminismo e sua consequência política imediata, a Revolução Francesa.

A constatação do imenso poder dos papéis impressos levou a Assembleia Constituinte aprovar o artigo XI da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, logo no início da Revolução, em agosto de 1789. O dispositivo do núcleo pétreo da Constituição determina que todo cidadão tem o direito de falar, escrever e imprimir com toda liberdade. As leis punem os que, mentindo, atingem a honra alheia. A liberdade de imprensa, sendo dos cidadãos, é da sociedade. Das sociedades nacionais e, em nossa época de comunicações eletrônicas e livres, da sociedade planetária dos homens.

É surpreendente que, diante dessa realidade irrefutável, jornalistas de ofício queiram reivindicar a liberdade de imprensa (vocábulo que abarca, do ponto de vista político, todos os meios de comunicação) como monopólio corporativo. A internet confirma a intenção dos legisladores franceses de há 221 anos: a liberdade de expressão é de todos, e todos nós somos jornalistas. Basta ter um endereço eletrônico. As pesadas e, relativamente caras, máquinas gráficas do passado são hoje leves e baratíssimos notebooks, e de alcance universal.

É sempre citável a observação de Isidoro de Sevilha, sábio que marcou o sétimo século, a de que “Roma não era tão forte assim”. Bradley Manning e Julian Assange estão mostrando que Washington – cujo medo é transparente em seus papéis diplomáticos – não é tão poderosa assim. É interessante registrar que o nome de Santo Isidoro de Sevilha está sendo sugerido, por blogueiros católicos, como o padroeiro da internet.

Os jornalistas devem acostumar-se à ideia de renunciar a seus presumidos privilégios. Todos os que sabem escrever e manipular um computador são cidadãos, e ser cidadão é muito mais do que ser jornalista. São esses cidadãos que, na mesma linha de Putin e Lula, se mobilizam, na ágora virtual, para defender Assange, da mesma forma que se mobilizaram em defesa da mulher condenada à morte por adultério. O mundo mudou, mas nem todos perceberam essa mudança.

 

Umberto Eco: O contragolpe no Grande Irmão

O caso WikiLeaks
Piratas vingadores e espiões em diligência

2/12/2010, Umberto Eco, Libération, Paris (traduzido em PresseEurop, Portugal)

Disseminado pelo pessoal da Vila Vudu e adaptado para o português brasileiro pelo Viomundo

WikiGoya!O caso WikiLeaks tem uma dupla leitura. Por um lado, revela-se um escândalo aparente, um escândalo que só escandaliza por causa da hipocrisia que rege as relações entre os Estados, os cidadãos e a Comunicação Social. Por outro, anuncia profundas alterações a nível internacional e prefigura um futuro dominado pela recessão.

Mas vamos por partes. O primeiro aspecto revelado pelo WikiLeaks é a confirmação do fato de cada processo constituído por um serviço secreto (de qualquer nação) ser composto exclusivamente por recortes de jornal.

As “extraordinárias” revelações norte-americanas sobre os hábitos sexuais de Berlusconi apenas relatam o que há meses se anda a ler em qualquer jornal (exceto naqueles de que Berlusconi é proprietário), e o perfil sinistramente caricatural de Kadhafi era já há muito tempo matéria para piadas dos artistas de palco.

A regra segundo a qual os processos secretos não devem ser compostos senão por notícias já conhecidas é essencial à dinâmica dos serviços secretos, e não apenas neste século. Se for a uma livraria consagrada a publicações esotéricas, verá que cada obra (sobre o Graal, o mistério de Rennes-le-Château, os Templários ou os Rosa-Cruz) repete exatamente o que já tinha sido escrito nas obras precedentes. E isso não apenas porque o autor de textos ocultos não gosta de fazer investigações inéditas (nem sabe onde procurar notícias sobre o inexistente), mas porque os que se dedicam ao ocultismo só acreditam naquilo que já sabem e que confirma o que já tinham aprendido.

É o mecanismo do sucesso de Dan Brown. E vale para os arquivos secretos. O informador é preguiçoso, e preguiçoso (ou de espírito limitado) é o chefe dos serviços secretos (caso contrário, podia ser, quem sabe, editor do Libération), que não reconhece como verdade a não ser aquilo que reconhece. As informações ultrassecretas sobre Berlusconi, que a embaixada norte-americana em Roma enviava ao Departamento de Estado, eram as mesmas que a Newsweek publicava na semana anterior.

Então porquê tanto barulho em torno das revelações destes processos? Por um lado, dizem o que qualquer pessoa informada já sabe, nomeadamente que as embaixadas, pelo menos desde o final da Segunda Guerra Mundial e desde que os chefes de Estado podem telefonar uns aos outros ou tomar um avião para se encontrarem para jantar, perderam a sua função diplomática e, à exceção de alguns pequenos exercícios de representação, transformaram-se em centros de espionagem. Qualquer espectador de filmes de investigação sabe isso perfeitamente e só por hipocrisia finge ignorar.

No entanto, o fato de ser exposto publicamente viola o dever de hipocrisia e serve para estragar a imagem da diplomacia norte-americana. Em segundo lugar, a ideia de que qualquer pirata informático possa captar os segredos mais secretos do país mais poderoso do mundo desfere um golpe não negligenciável no prestígio do Departamento de Estado. Assim, o escândalo põe tanto em cheque as vítimas como os “algozes”.

Mas vejamos a natureza profunda do que aconteceu. Outrora, no tempo de Orwell, podia-se conceber todo o poder como um Big Brother, que controlava cada gesto dos seus súbditos. A profecia orwelliana confirmou-se plenamente desde que, controlado cada movimento por telefone, cada transação efetuada, hotéis utilizados, autoestradas percorridas e assim por diante, o cidadão se foi tornando na vítima integral do olho do poder. Mas quando se demonstra, como acontece agora, que mesmo as catacumbas dos segredos do poder não escapam ao controle de um pirata informático, a relação de controle deixa de ser unidirecional e torna-se circular. O poder controla cada cidadão, mas cada cidadão, ou pelo menos um pirata informático – qual vingador do cidadão –, pode aceder a todos os segredos do poder.

Como se aguenta um poder que deixou de ter a possibilidade de conservar os seus próprios segredos? É verdade, já o dizia Georg Simmel, que um verdadeiro segredo é um segredo vazio (e um segredo vazio nunca poderá ser revelado); é igualmente verdade que saber tudo sobre o caráter de Berlusconi ou de Merkel é realmente um segredo vazio de segredo, porque releva do domínio público; mas revelar, como fez o WikiLeaks, que os segredos de Hillary Clinton são segredos vazios significa retirar-lhe qualquer poder. O WikiLeaks não fez dano nenhum a Sarkozy ou a Merkel, mas fez um dano enorme a Clinton e Obama.

Quais serão as consequências desta ferida infligida num poder muito poderoso? É evidente que, no futuro, os Estados não poderão ligar à Internet nenhuma informação confidencial – é o mesmo que publicá-la num cartaz colado na esquina da rua. Mas é também evidente que, com as tecnologias atuais, é vão esperar poder manter conversas confidenciais por telefone. Nada mais fácil do que descobrir se e quando um Chefe de Estado se desloca de avião ou contatou um dos seus colegas. Como poderão ser mantidas, no futuro, relações privadas e reservadas?

Sei perfeitamente que, no momento, a minha visão é um pouco de ficção científica e, por conseguinte, romanesca, mas vejo-me obrigado a imaginar agentes do governo a deslocar-se discretamente em diligências de itinerários incontroláveis, portadores de mensagens que têm de ser decoradas ou, no máximo, escondendo as raras informações escritas na sola de um sapato. As informações serão conservadas em cópia única, em gavetas fechadas à chave: afinal, a tentativa de espionagem do Watergate teve menos êxito do que o WikiLeaks.

Já tive ocasião de escrever que a tecnologia avança agora a passo de caranguejo, ou seja para trás. Um século depois de o telégrafo sem fios ter revolucionado as comunicações, a Internet restabeleceu um telégrafo com fios (telefônicos). As fitas de vídeo (analógicas) permitiram aos investigadores de cinema explorar um filme passo-a-passo, andando para trás e para diante, descobrindo todos os segredos da montagem; agora, os CD (digitais) permitem saltar de capítulo em capítulo, ou seja por macro porções. Com os trens de alta velocidade, vai-se de Roma a Milão em três horas, enquanto, de avião, com as deslocações que implica, é necessário três horas e meia. Não é, pois, descabido que a política e as técnicas de comunicação voltem ao tempo das carruagens.

Uma última observação. Antes, a imprensa tentava compreender o que se tramava no segredo das embaixadas. Atualmente, são as embaixadas que pedem informações confidenciais à imprensa.

9 de dez. de 2010

Llosa, um liberal no soco

Este ano o Prêmio Nobel de política para escritores foi dado ao mais completo imbecil sul-americano, o peruano Mario Vargas Llosa. Para contrabalançar o sucesso dos vários governos de esquerda. Estocolmo adoram ventríloquo sul-americano que se sujeita, em prece maometana. Defensor do mercado e crítico da presença do Estado na economia, teve sua chance no momento em que o conservadorismo nórdico de “olhos azuis” precisa de âncoras, ou capitães de mato, para explorar cucarachas. As constantes críticas a Lula, Chávez e Fidel, pari passo com a defesa dos interesses dos EUA, fizeram dele uma matrioshka ideal para o Nobel. Bonitinho por fora, repetitivo por dentro, à imagem e semelhança dos outorgantes.

 

Bom escritor, péssimo caráter

“A globalização não é, por definição, nem boa nem rui: trata-se de uma realidade do nosso tempo, resultante de uma soma de fatores, do desenvolvimento tecnológico e científico, do crescimento das empresas, capitais e mercados e da interdependência que isso foi gerando entre as diversas nações do mundo. Grandes prejuízos e grandes benefícios podem advir dessa progressiva dissolução das barreiras que, antes, mantinham os países confinados em seus próprios territórios e, muitas vezes, em luta aberta com os demais.”

Notem como a globalização é tratada como se fosse um fato da natureza, inexorável. Na globalização de Llosa, não aparece o ser humano. Llosa é tão bom ficcionista que esta, a ficção, entra por suas veias abertas e o domina.

Desde quando os países viviam confinados? Claro, há barreiras geográficas, como os Andes. Mas estes não impediram que Espanha saqueasse Potosi… Para a época, os descobrimentos também foram uma globalização. Assim como foi o domínio do Império Romano. Aliás, o Império Romano criou a Muralha de Adriano, para evitar o saque pelas tribos nórdicas. Os EUA construíram um muro  para impedir a entrada de mexicanos. O que mudou mesmo?

Llosa também quis ser presidente. Felizmente, para os peruanos, perdeu para Fugimori, em 1990. Ruim com Fugimori, pior com Llosa. Então era lá isso opção eleitoral, pensavam os peruanos? Eram farinha do mesmo saco.

Como sabemos, os ano 90 foram pródigos em latino-americanos dispostos a se agachar para Washington por meia dúzia de rapapés. Nunca foram tão fácil governar. O Consenso de Washington era isso, aceitar o destino. E os EUA tinham o mapa.  Era só deixar o governo nas mãos (nem tanto invisíveis) do mercado, abrir as fronteiras que o grande irmão conduziria. A tal ponto que, por sentir-se um devoto, teria direito divino sobre modelo norte-americana, como logo mais se verá.

 

O fauno em seu labirinto

faunoLlosa conquistou o prêmio Nobel com o artigo “Asoma en la región un nuevo racismo: indios contra blancos”, que escreveu a respeito das eleições de Evo Morales, Hugo Chávez  e Ollanta Humala. Llosa quis mostrar que índio não sabe seu lugar. Afinal, como se Llosa tivesse escrito algo sobre o “velho racismo”! Os brancos defenderem os interesses em prejuízo aos índios, tudo muito bem, tudo natural. Racismo é índio querer ser presidente de uma nação majoritariamente indígena, e lutar pela dignidade de sua gente. Não passa pela cachola de Llosa que 80% da população boliviana é indígena? Com uma raciocinadas destas parece mais uma daquelas múmias  peruanas que depois de milênios levanta da cova e saí por aí deitando conversa fora.

A visão de Llosa sobre o mundo parece brotar escapar de um labirinto, por onde andou em círculo, perdida, sem eco.

Llosa, liberal candidato a maior conservador, deve ter pensado que se Menem, Fugimori e FHC podiam, porque não ele então também envergar uma faixa presidencial. E tinha tudo para dar certo. O apoio irrestrito dos Ianques, boa pinta, lábia idem. E querido pelos homens de bem, aqueles que fazem boa figura na frente de uma estante de livros, posam para revistas, leem Veja e professam fé no Instituto Millenium. E assim temos a explicação de porque Llosa ganha Nobel, mas Eduardo Galeano, não!!!!

Sobre o caráter liberal do conservador peruano, que diz preferir as leis do livre mercado (para os outros), basta citar a anedota que abre o livro de Luis Hernández Zaurín, “De cuando Vargas Llosa noqueó a Gabo”.

“Em 1976, os dois escritores mais famosos do boom da literatura latino-americana, assistiam à projeção no México do filme La Odisea de los Andes. Ao final da sessão, García Márquez se aproximou de seu colega peruano para cumprimentá-lo e o que recebeu foi um soco na testa que o deixou estirado sem sentido no carpete do teatro.

Esta estupenda pancada que deixou roxo o olho de Gabo, criou, desde então, dezenas de acirrados debates sobre a origem do nocaute.

O escritor Francisco Higartua, que assistiu o evento, explica na suas memórias, Huellas de un desierto, ter trazido um bife para baixar o inchaço do colombiano: ‘Eu estava presente. Foi terrível. Quando nos demos conta, Gabriel estava sentado e Mário se fora. Fui eu quem trouxe o bife para baixar o inchaço do olho de Gabo’.

Antes de nocautear Gabo, Vargas Llosa parece ter dito que: ‘Como te atreves a querer abraçar-me depois do que fizestes a Patrícia em Barcelona?’ Patrícia era, está claro, a esposa de Vargas Llosa.

Alguns cronistas explicam que Vargas Llosa teria abandonado sua família para assediar uma modelo norte-americana lá pelos anos setenta. E Garcia Márquez, tratando de consolar Patrícia, aconselhou-a pedir o divórcio e tomar medidas legais por ‘abandono do lar’.

Sobre o assunto, quando da apresentação de sua novela La Fiesta del Chivo, perguntado sobre o fato, o peruano declarou que era melhor deixar o tema para os historiadores.”

Tradução livre deste ignorante por conta própria.

8 de dez. de 2010

MasterCard patrocina censura

Matéria da BBC mostra quem patrocina a censura e o que acontece. Algo assim deveria acontecer por aqui aos patrocinadores da VEJA.

 

Hackers atacam Mastercard por cortar serviço ao WikiLeaks

Patrocinador da censura!

Mastercard afirmou que 'tráfego pesado' provocou falhas no site

Ataques de hackers ao site da Mastercard nesta quarta-feira prejudicaram pagamentos de usuários da empresa de cartões de crédito. O site foi um entre vários atacados por um grupo de hackers chamado Anonymous (Anônimo), que diz punir as empresas que deixaram de prestar serviços ao site WikiLeaks.

O WikiLeaks e o seu fundador, Julian Assange, vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar um pacote de mais de 250 mil mensagens diplomáticas secretas americanas, na semana passada.

A Mastercard, que deixou de permitir doações ao WikiLeaks, diz que o ataque não afetou pagamentos feitos por usuários do cartão de crédito. Mas a BBC foi contatada por uma empresa que disse que seus clientes enfrentaram uma queda completa do sistema.

A companhia, que não quis ter o nome revelado, afirmou que o serviço de autenticação de pagamentos online, conhecido como Mastercard's SecureCode, deixou de funcionar.

Leitores também relataram problemas com pagamentos pela internet. Não se sabe qual foi a dimensão do problema. A Mastercard não confirmou o ataque.

Mais cedo, o funcionário Doyel Maitra havia dito que o site corporativo da empresa – Mastercard.com – estava enfrentando um "tráfego pesado", mas que continuava acessível.

"Estamos trabalhando para restabelecer a velocidade normal do serviço. Não há impacto algum na capacidade dos usuários dos cartões Mastercard ou Maestro de usar seus cartões para transações seguras."

Ativismo virtual

O Anonymous, que assumiu a autoria do ataque, é um grupo de hackers ativistas que diz já ter atingido diversos alvos - incluindo o site dos promotores que acusam o fundador do Wikileaks, Julian Assange, de estupro.

A PayPal, que deixou de permitir doações ao WikiLeaks, também foi atacada.

A empresa de pagamentos diz que tomou a decisão após o Departamento de Estado americano determinar que as atividades do WikiLeaks eram ilegais nos Estados Unidos.

Outras empresas que se afastaram do WikiLeaks, como o banco suíço PostFinance, que congelou a conta de Assange, também sofreram ataques. O banco diz que o fundador do site forneceu informações falsas ao abrir a conta na instituição.

Especialistas em segurança dizem que os sites foram atacados por um mecanismo chamado DDoS (distributed denial-of-service attack), que faz com que as páginas saiam do ar.

Paul Mutton, da empresa de segurança Netcraft, diz que 1,6 mil computadores agiram na ação.

Antes do ataque à Mastercard, um membro do Anonymous que se intitula Coldblood (sangue frio) disse à BBC que várias ações estavam sendo executadas para afetar empresas que deixaram de prestar serviços ao WikiLeaks ou que supostamente estariam atacando o site.

"Sites que estão se curvando à pressão governamental se tornaram alvos", disse o hacker. "Como organização, nós sempre defendemos uma sólida posição sobre censura e liberdade de expressão na internet e nos voltamos contra os que buscam destruí-la por qualquer meio."

Segundo Coldblood, o "WikiLeaks se transformou em algo maior do que o vazamento de documentos e tornou-se o palco de uma batalha do povo contra o governo".

O hacker admitiu que os ataques podem prejudicar pessoas que tentam acessar os sites, mas disse que essa é a "única forma efetiva de dizer a essas companhias que nós, o povo, estamos descontentes".

O Anonymous também está ajudando a criar sites espelhos para o WikiLeaks, após seu provedor americano retirá-lo do ar.

Dossiê “Falsos Democratas”

Do Pagina12:

“Revelar la verdad”

Preso político global!Ayer apareció un artículo de Julian Assange publicado en el diario The Australian, que se tituló “La verdad siempre ganará”. En el texto, el periodista de 39 años afirma: “La idea (de crear Wikileaks), concebida en Australia, fue usar las tecnologías de Internet para informar la verdad”. También catalogó al sitio creado en 2006 como una nueva forma del periodismo. “El periodismo científico te permite leer una noticia y después cliquear para ver el documento original en el que se basa la información”, explicó. Además, el editor del sitio de filtraciones remarcó: “Las sociedades democráticas necesitan medios fuertes y Wikileaks es parte de ellos”. Assange negó en su columna que sostuviera una postura antibélica: “A veces, las naciones necesitan ir a la guerra y hay guerras justas. Pero no hay nada peor que un gobierno le mienta a su población acerca de esas guerras y después les pida a los ciudadanos que pongan sus vidas y sus impuestos al servicio de esas mentiras. Si la guerra está justificada, entonces díganle la verdad a la gente y que ésta decida si la apoya”. El periodista se refirió también a las múltiples revelaciones que Wikileaks logró arrebatarle al Departamento de Estado y que pusieron nerviosos hasta a los referentes del ultraderechista Tea Party. “La fuerte tormenta que se desató sobre Wikileaks refuerza la necesidad de defender el derecho de los medios a revelar la verdad”, concluyó.

A Assange no le perdonaron la Wikirrevelación

Julian Assange se entregó ayer a las autoridades británicas y quedará detenido hasta el 14 de diciembre. La fiscalía sueca lo acusa de “delitos sexuales”. Su arresto coincide con la divulgación de los archivos secretos norteamericanos.

alt Por Kim Sengupta *

El fundador de Wikileaks, Julian Assange, se entregó ayer a las autoridades británicas y quedará detenido en una comisaría londinense hasta el 14 de diciembre. El juez le denegó la libertad bajo fianza, pero sus abogados anunciaron que volverán a intentar esa opción ante otra instancia judicial. Según explicó la fiscalía sueca, la detención del periodista australiano obedecería a delitos sexuales, y no estaría supuestamente vinculada con la filtración que la semana pasada dejó al descubierto unos 250 mil cables secretos del Departamento de Estado. Ya se han realizado conversaciones informales entre funcionarios estadounidenses y suecos acerca de la posibilidad de dejar al hombre de 39 años bajo custodia de los Estados Unidos, según dijeron fuentes diplomáticas.

Assange seguía anoche en una cárcel británica, esperando la extradición a Suecia, donde se lo acusa de haber violentado a dos mujeres (ver aparte). La corte de Westminster le denegó la salida bajo fianza sobre la base de que existiría riesgo de fuga, a pesar de que figuras prominentes se ofrecieron para actuar como garantes. La prensa local resaltó que, aunque el creador de Wikileaks seguirá tras las rejas por siete días más, sus condiciones de reclusión no serán extremas. No tendrá que llevar uniforme carcelario, podrá recibir visitas y realizar llamados telefónicos.

El arresto de Assange fue catalogado como una “buena noticia” por el secretario de Defensa de los Estados Unidos, Robert Gates. El Departamento de Justicia norteamericano está considerando acusar al editor de Wikileaks por delitos de espionaje, después de que su sitio difundiera archivos clasificados. Los políticos de derecha estadounidenses están presionando para que se lo enjuicie y hasta para que se lo ejecute. Sarah Palin, la ex candidata a vicepresidenta, dijo que Assange debería ser perseguido con el mismo rigor que se hace con la red Al Qaida y con líderes talibán. La aparición de Assange en el tribunal londinense, el foco de la atención de los medios masivos, puso a Gran Bretaña en el centro de la controversia y la recriminación por la publicación de miles de cables diplomáticos que le han causado gran vergüenza a la administración de Barack Obama. Si se llegara a silenciar al creador del sitio de filtraciones, los seguidores denuncian que ese proceso arrancaría en Londres.

El gobierno sueco está intentando extraditar al periodista por supuestos delitos sexuales contra dos mujeres. Fuentes remarcaron que no se consideraría ningún pedido de extradición de Washington a menos que el gobierno estadounidense levantara cargos contra Assange. Además, dijeron que los intentos de llevarlo a Estados Unidos sólo tendrían lugar después de que concluyera el proceso en Estocolmo. Para preocupación de Assange y sus abogados, Estados Unidos y Suecia tienen un tratado en materia de extradición desde los años ’60.

Assange concurrió voluntariamente, vestido con un saco azul marino y camisa blanca, a una estación de policía londinense, acompañado por sus patrocinantes, después de que se expidiera una orden de captura internacional en su contra. Los jueces escucharon que el director Ken Loach y el periodista John Pilger estaban entre los que se ofrecieron a apoyar la fianza de unos 284 mil dólares. Pero el juez distrital Howard Riddle dejó a Assange detenido hasta la semana próxima, diciendo que existía el riesgo de que quisiera fugarse.

Loach, quien ofreció aportar unos 30 mil dólares, dijo que no lo conocía a Assange más que por su reputación, pero afirmó: “Creo que el trabajo que ha hecho fue un servicio público y que tenemos derecho a conocer las relaciones de aquellos que nos gobiernan”. Pilger, que también ofreció poner la misma suma que el director de Tierra y libertad, acotó que conocía a Assange como periodista y como amigo y que tenía un afecto especial por él. “Conozco las acusaciones y también detalles alrededor de los supuestos delitos”, afirmó ante la corte. “Estoy aquí porque los cargos contra él en Suecia son absurdos, y así lo consideró la fiscal general cuando dejó a un lado toda la causa hasta que intervino una figura política importante”.

Gemma Lindfield, que representó a las autoridades suecas ante los magistrados, dijo que se oponía a la libertad bajo fianza porque Assange podría negarse a comparecer y por su propia seguridad. Lindfield dio cinco razones por las que habría peligro: su estilo de vida nómade, por los informes de que habría solicitado asilo en Suiza, el acceso al dinero de sus donantes, su red global de contactos y su ciudadanía australiana. Lindfield dijo que Assange era requerido por cuatro supuestas ofensas sexuales. Un cargo por haber tenido sexo sin protección con una mujer, a pesar de que ella insistió en usar preservativo. Otro es que mantuvo relaciones, otra vez sin protección, con otra mujer mientras estaba dormida. “Este caso no es sobre Wikileaks. Es una acusación en otro país europeo por graves delitos sexuales, que habrían ocurrido en tres ocasiones separadas y que involucraron a dos víctimas”, insistió el juez Riddle. Sin embargo, añadió: “Si resultaran falsos, sería una gran injusticia si se lo dejara bajo custodia. En esta instancia de los procedimientos, la naturaleza y la fortaleza de las acusaciones todavía son indefinidas”.

El abogado de Assange, John Jones, sostuvo: “Assange ha realizado reiterados pedidos de que las acusaciones le sean comunicadas en un idioma que entienda. Eso fue ignorado por la fiscalía sueca. Otro fiscal había desestimado este caso antes por la falta de evidencia”. La presión sobre Wikileaks, que se mantiene en línea por donaciones, continuaba ayer después de que Visa y Mastercard suspendieran todos los pagos al sitio web.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Página/12.

Una cacería global

alt Por Mario Wainfeld

Julian Assange (corporicemos en él a Wikileaks) demostró la vulnerabilidad de los Estados Unidos, por medios lícitos ligados inseparablemente a la libertad de expresión. La única potencia mundial lo persigue como si fuera Osama Bin Laden, quien también la hizo sentir vulnerable, por medios violentos y repudiables, segando vidas de poblaciones civiles. Hoy día, el gobierno de Estados Unidos consagra a Assange como enemigo público número uno como si fuera Bin Laden, castigando no la ilegalidad de la afrenta sino la afrenta misma.

Las diferencias entre un caso y otro son tan siderales que es casi ocioso señalarlas. La revelación de los cables secretos es un episodio de la historia del periodismo, infinitamente más parecida a las primicias del Washington Post sobre el Watergate que a un atentado terrorista.

La cacería de Assange es, pues, un reto a quienes reivindican la libertad de prensa. La ONG Reporteros sin Fronteras (RSF), que defiende con coherencia esos valores, lo expresa con todas las letras. “Nos sorprendió –dice en un comunicado– encontrar países como Francia y los Estados Unidos llevando sus políticas sobre libertad de expresión en línea con las de China.” RSF explica que la conducta de Wikileaks tiene amparo en la Primera Enmienda de la Constitución norteamericana. “Es la primera vez que hemos visto un intento de la comunidad internacional para censurar un sitio web dedicado al principio de transparencia”, agrega RSF, que tiene su sede en París. Se formula la aclaración para evitar que se suponga que sus aseveraciones son diatribas de algún populista sudaca.

El imperio de la ley es relativizable por la razón de Estado de un país poderoso, al que adhieren muchos de sus aliados. Es una circunstancia clásica que se entrevera con el advenimiento de nuevas tecnologías que, utilizadas con libertad, pueden potenciar la difusión de la información, el pluralismo de los emisores, una mayor transparencia, un ágora global.

La razón de Estado contiende con esos objetivos.

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Ningún régimen político es perfecto, ni siquiera una añeja democracia. En Estados Unidos siempre existieron normas catonianas, brutales en defensa de lo que sus contingentes autoridades valoraron como seguridad nacional. Pero no es exageración decir que se potenciaron a la enésima potencia después del 11 de septiembre de 2001. Se cancelaron derechos ciudadanos básicos, se facultó a autoridades administrativas a encarcelar, deportar, interrogar sin garantías a cualquier sospechoso.

Si se permite un apunte impresionista, el cronista entrevé que algo del imaginario americano se trastrocó también en este siglo. “El sistema” judicial siempre fue enaltecido, por ejemplo a través de la tele y el cine. Durante décadas, los héroes del “sistema” eran los defensores, los que salvaban a inocentes de ser condenados. Un ideal garantista, de algún modo. Series canónicas de TV, desde Perry Mason a “Los defensores”, pasando por Petrocelli, expresaban esa mirada. Un hombre del común, terco y riguroso (Henry Fonda) convencía a los otros once integrantes de un jurado para dictar un veredicto absolutorio, en la película Doce hombres en pugna. Pretendía ser un arquetipo del héroe civil norteamericano.

Grandes “películas de juicio” en Hollywood se consagraron a los defensores. Luchaban en minoría, contra prejuicios de la opinión pública, grandes corporaciones, estudios gigantescos. Mencionemos, entre decenas, a las protagonizadas por Spencer Tracy (Heredarás el viento), Julia Roberts (Erin Brokovich), John Travolta (Una acción civil), Paul Newman (Será justicia). David contra Goliat, una edificante leyenda, fundacional: el individuo virtuoso haciendo funcionar bien “al sistema”.

Desde hace un buen tiempo las figuras de las series son bien otras. Fiscales, para empezar, obsesionados por condenar y castigar. No son ya individuos esclarecidos y relativamente débiles sino engranajes de un Leviatán vengador. Disponen de un fenomenal aparataje técnico y de poder. Aun así, para cumplir sus mandatos “tienen” que transgredir la ley con frecuencia. Interrogan de modo brutal, incurren en apremios o torturas, allanan sin órdenes judiciales, a veces se “les va la mano” con los sospechosos. Se supone que sean cruzados, funcionan como inquisidores. El espectador que mira Law & Order o las numerosas versiones de C. S. I. sabe de qué hablamos.

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Se acusa a Assange de delitos comunes, graves, cometidos en Suecia. Por eso está detenido en Londres. Nadie puede objetar que se pesquisen esas denuncias ni colocar a ese hombre súbitamente famoso a resguardo de la ley. Pero deben ser muy contados en el mundo quienes crean que está detenido por ese motivo. En Estados Unidos, en un ataque de sinceridad extremo, se celebra su apresamiento.

Sin entrar a dilucidar la validez de los cargos, es evidente que integran una esfera totalmente diferente de Wikileaks. Si Assange fuera extraditado desde Inglaterra, aun si fuera condenado, nada debería restringir la difusión promovida por Wikileaks, menos su propia existencia. El derecho de Occidente es claro: ninguna sanción penal por un delito puede blanquear o santificar los bloqueos, los ciberataques, las prohibiciones para comunicar.

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La historia, supone el cronista, no se repite. Más bien fluye, en complejas dialécticas. Pero hay constantes que sobreviven, entre ellas la tenacidad de los países dominantes en mantener, a como hubiera lugar, su poder. La irrupción de nuevas tecnologías, plenas de virtualidades democráticas y de cambio, eventualmente, topa con ese designio. En ese punto las libertades globales hacen cimbrar a los poderes establecidos que reaccionan a su manera, sin límites ni apego a la ley. Las virtualidades de las nuevas formas de comunicación son inconmensurables, pero plasmarlas no será un juego, sino una nueva etapa de la lucha por la libertad y la igualdad contra la dominación hegemónica.

“Ha sido la política megalómana de los Estados Unidos, a raíz de los atentados del 11 de septiembre, la que ha socavado en gran medida los pilares políticos e ideológicos de su antigua influencia hegemónica, dejando al país sin más instrumentos que una fuerza militar aterradora, para consolidar la herencia del período posterior a la Guerra fría”, sintetizó, notablemente, Eric Hobsbawm. Un poder desnudo, desprovisto de otras fuentes de legitimidad, reacciona a su manera cuando se percibe en riesgo. Esa escena es recurrente en la historia, el contexto es novedoso.

mwainfeld@pagina12.com.ar

 

Ahora la culpa es del algoritmo

alt Por Mariano Blejman

Amazon dio de baja el dominio wikileaks.org por motivos contractuales. Después le desconectaron PayPal por violación de contrato. El banco le cerró la cuenta a Julian Assange por no declarar correctamente su domicilio y lo detuvieron ayer por presunto abuso sexual. Pero ahora, la culpa de que Wikileaks no aparezca entre los temas más mencionados de Twitter del día es del algoritmo. Como sea, la situación ha generado una notable suspicacia global: la idea de transparencia de las redes sociales está en juego. Desde el lunes, los investigadores Bob Murphy (bubbloy.wordpress.com) y Angus Johnston (studentactivism.net) escribieron con sólidas pruebas técnicas en sus blogs y, oh claro, en Twitter, que la red de microblogging estaba ocultando la palabra “Wikileaks” entre los temas más mencionados del día.

Según describe Twitter en su web oficial sobre cómo se generan los temas de tendencia (trending topics), éstos reflejan qué nuevo tópico está ocupando “la mayor atención de la gente en Twitter en cualquier momento”. Ahora bien, es relativamente sencillo seguir en tiempo real a través de sitios como Trendistic o GigaTweet la evolución de los temas más importantes del momento. Página/12 pudo confirmar que ayer entre las 17 y las 18, mientras Twitter mostraba en los temas más comentados las palabras #lemmguess, #alliwant y Pearl Harbor (100 tweets por minuto), éstas tenían un promedio similar o inferior a los resultados que arrojaban las búsquedas de Wikileaks y Assange. Es decir, las palabras más mencionadas en Twitter curiosamente no marcaban tendencia. El lunes anterior, el medio especializado en tecnología TechEye confirmaba que el volumen de tráfico con la palabra Wikileaks era tres veces más grande que cualquiera de los cinco principales temas del día.

En un comienzo, Twitter declinó hacer comentarios, pero uno de sus empleados, Josh Elman, publicó una respuesta sobre el descubrimiento de Angus Johnston: “Twitter no ha modificado las tendencias de ninguna manera para sacar a Wikileaks. #cablegate fue tendencia la semana pasada y varios términos alrededor de este tema han sido tendencia en diferentes regiones en la última semana. La tendencia no se mide solamente por el volumen de los términos, sino también por la diversidad de la gente y sus tweets sobre un término y buscando si su volumen orgánico incrementa por encima de la norma”. Más allá de la extraña argumentación, era curioso que el día de la detención de Assange ni Wikileaks ni el apellido del creador estuvieran entre los temas más mencionados. Poco después, Twitter declaró: “Hay un número de factores que entran en juego cuando un término que parece ser muy popular no entra a la lista de Trending Topics. A veces estos temas no se convierten en temas importantes porque la actual velocidad de la conversación no es tan grande como en horas previas, a veces tópicos que son genuinamente populares no son suficientemente extendidos para estar en la lista. Otras veces, simplemente no son tan populares como quisiéramos creer”. Al menos hasta ayer, la “tendencia” de Twitter en relación con Wikileaks ha sido esquiva y asustadiza, y había motivos: según trendics.com, durante el lunes, la palabra Wikileaks estuvo tres veces por encima del resto de las palabras más usadas de Twitter.

No es la primera vez que la red de microblogging Twitter es acusada de censura. En mayo pasado, cuando fue atacada una flotilla humanitaria por el Ejército israelí llegando a Palestina, un gran número de mensajes que incluían menciones al tema fueron borrados de la red social “inesperadamente”. Aquella vez, según le dijo un vocero de Twitter a TechEye había ocurrido “un problema técnico”. Pero ante la catarata de acciones privadas con presión política a la que se han sometido las empresas estadounidenses por Wikileaks, las dudas se han esparcido tan rápido como los tweets. Mientras el sistema de espejos sigue creciendo –ayer a la tarde llegaba a los 1005 sitios replicados por el mundo–, la importancia de la cuenta de Wikileaks en Twitter (@wikileaks) aumenta: hoy por hoy, ésa es la principal fuente de información sobre la actualidad del sitio que sigue liberando cables diplomáticos.

@blejman

La geografía de un quinteto

alt Por Eduardo Febbro

Desde París

La persecución mundial, a la vez policial, bancaria y judicial contra el cofundador de Wikileaks consiguió el propósito que buscaba. Desactivar Wikileaks, desprestigiar a Julian Assange y ponerlo finalmente entre rejas. Después de haber desestimado las acusaciones contra Assange, el fiscal sueco reabrió el caso y emitió la orden de arresto internacional en un contexto que tiñe de sospechas la decisión. Pero las tribulaciones judiciales del líder de Wikileaks no pueden apartar una reflexión critica sobre la forma en que los documentos se hicieron públicos.

Assange les hizo un regalo exquisito a los amos del mundo: entregó una masa contaminante de documentos confidenciales en beneficio exclusivo de cinco medios de prensa occidentales. Sólo ellos obtuvieron el privilegio exorbitante de la difusión. Assange quebró con su gesto una corriente que se estaba delineando por encima de la influencia de los grandes medios oficiales: la información es poder y Wikileaks trasfirió ese poder a los medios comerciales en contra de los medios cooperativos, los llamados medios sociales, que nacieron y se desarrollaron con Internet. The New York Times, Le Monde, The Guardian, Der Spiegel y El País se quedaron con el tesoro de la información sin haber llevado a cabo ninguna investigación. A ellos les compete la tarea bíblica y cotidiana de sembrar discordia en el mundo con una preferencia manifiesta por las geografías no centrales.

De estos cinco diarios, tres pertenecen a países que son miembros permanentes del Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas –Estados Unidos, Francia y Gran Bretaña–, otro al país económicamente más poderoso de Europa, Alemania, y el quinto a España. En vez de divulgar los documentos en bruto y de manera horizontal a través de Internet o abrir el juego hacia otras latitudes –¿por qué no Telesur, o El Universal o Proceso en México, o los amenazados medios de prensa progresistas árabes que luchan con escasos medios y bajo amenaza contra las autocracias petroleras del golfo?– Assange eligió la verticalidad tradicional como si sólo estos diarios tuvieran la capacidad de verificar y trabajar con información mundial de forma rigurosa. El mito de la horizontalidad del mundo numérico se hizo humo: Wikileaks restauró la verticalidad del poder de los medios occidentales sobre todas las otras formas de la diversidad humana. La corporación contra la cooperación.

Quienes padecen el síndrome apasionado del antiamericanismo celebran el descrédito que el cablegate significó para Estados Unidos y su diplomacia. Sin embargo, deberíamos llorar de deshonor, de rabia, de injusticia, de desproporción, deberíamos explotar de humillación al ver cómo, una vez más, quienes ya dominan el mercado de las armas, las finanzas, la tecnología y la información, han encontrado nuevos recursos para recobrar credibilidad y poder. Ellos, el Quinteto, pueden darle armas a la oposición de cualquier país para desestabilizar un gobierno, distanciar a países vecinos, sembrar antagonismos regionales, romper pactos políticos, desenmascarar alcahuetes o frenar contratos en curso. Cuando Wikileaks publicó los documentos sobre la guerra de Afganistán, Assange se los entregó antes a tres diarios occidentales: The New York Times, The Guardian y Der Spiegel. En aquella decisión había una lógica intrínseca: aquellos contenidos confidenciales concernían sólo a un conflicto, el de Afganistán y, principalmente, a un país, Estados Unidos. Aquí es muy distinto: el alcance de los telegramas es planetario. Hay, de pronto, una zona del mundo con derechos reservados por encima de todas las demás. Es una locura, una barbarie de la información. Assange nos asesinó: les reservó a los representantes de los imperios lo que pertenecía a la humanidad, al share libre que facilita Internet.

Muchos aseguran que este episodio es no sólo el fin del periodismo tradicional sino, también, el fin en sí del famoso secreto de Estado. Es un error. El origen de las filtraciones se hunde en las más densas regiones de los sentimientos y debilidades humanas. De esa debilidad original se hace hoy un canto a la transparencia y a la democracia. Nada es más oscuro que el principio de esta historia, nada es más perjudicial para el equilibrio y la igualdad que el hecho de que una monstruo de cinco cabezas pueda tener en vilo a toda la humanidad.

“Hillary Clinton y varios miles de diplomáticos de todo el mundo van a tener un ataque al corazón cuando se despierten un día y encuentren un catálogo de documentos clasificados al alcance del público.” Estas dos líneas fueron escritas por el soldado Bradley Manning en un chat con uno de los cinco hackers más talentosos de la historia, Adrian Lamo. El soldado Manning le confesó que había descargado decenas de miles de documentos de las redes Siprnet (Secret Internet Protocol Router Network) y Jwcis, ambas pertenecientes al Pentágono. Según la versión oficial, Bradley Manning se sentía desengañado, despreciado, aislado, desencantado con el ejército. Se quiso vengar. En un mail que le envió a Adrian Lamo contó: “Entraba en la sala informática con un cd de música en la mano. Pero después borraba la música y creaba un dossier comprimido. Escuchaba Lady Gaga entonando la música mientras extraía la fuga más grande de la historia de los Estados Unidos”. Sólo que, entre tanto, Lamo, que había hackeado el The New York Times, Yahoo y un montón de muros impenetrables, lo delató a la División de Inteligencia del Pentágono. Según explicó, tuvo miedo de que esas filtraciones pusieran en peligro las tropas desplegadas en el extranjero o fueran utilizadas por terroristas.

Esa es la trama de la tan celebrada “transparencia democrática”. Assange, Wikileaks y el Quinteto de Occidente llegaron a un acuerdo de exclusividad cuando el carácter monumental de las filtraciones exigía que las mismas salieran por la red o fuesen compartidas con los otros medios nacionales y no que los temas de Argentina, Bolivia, Venezuela, Pakistán o Arabia Saudita fuesen editados en París, Londres, Berlín, Madrid o Nueva York. Allí no hay ninguna transparencia sino secesión de privilegios. Al mismo tiempo, Assange y sus socios ahogaron la horizontalidad de Internet y la difusión libre. Es lícito reconocer que la difusión en “bruto” no desemboca en progresos democráticos. Esa idea es un mito. La especificidad casi universal del cablegate imponía que ese material fuese accesible a todos los que tienen la capacidad y las pertinencias territoriales para analizarlo y ponerlo en perspectiva. Se hizo lo contrario. Se restringió el derecho a la selección y la publicación a un estrecho círculo de difusores. Es una catástrofe, tanto para la pluralidad como para la verdad.

efebbro@pagina12.com.ar

Sexo sin protección

alt Por Jerome Taylor *

Cuando Julian Assange aterrizó en el aeropuerto de Arlanda, en Estocolmo, la mañana del 11 de agosto de este año, el fundador de Wikileaks estaba comenzando lo que esperaba fuera una operación crítica para proteger a su plataforma denunciante de ataques futuros. Alentado por la divulgación de miles de registros del ejército de Estados Unidos desde Afganistán, Assange, de 39 años, intentaba establecerse en Suecia y aprovechar la fuente de protección legislativa del mundo. Sin embargo, esa estadía sueca se ha convertido en la amenaza más apremiante para su libertad y el futuro de Wikileaks mismo.

A los nueve días de llegar a Estocolmo, dos mujeres habían recurrido a la policía afirmando que el australiano había tenido sexo no consensuado con ellas. Sus testimonios conjuntos llevaron a un procesamiento con cargos de violación, acoso sexual y coerción ilegal, un proceso que inicialmente fue abandonado por falta de evidencia y luego retomado con vigor cuando Wikileaks comenzó a publicar miles de cables del Departamento de Estado de Estados Unidos.

Como país con una reputación de ser vanguardista en la igualdad de género, Suecia tiene algunas de las leyes antiviolación más duras en el mundo. Convirtió en ilegal la violación entre esposos en 1964 y usa una particularmente amplia definición de lo que constituye sexo no consensuado.

Su primera acusadora, que no puede ser nombrada en Suecia por motivos legales, es una académica feminista de casi cuarenta años que trabajaba como funcionaria en al Partido Socialdemócrata Sueco. Estuvo en contacto regular con Assange antes de su viaje a Suecia, ayudando a organizar sus apariciones en las conferencias así como aceptando que él usara su departamento mientras estaba en Estocolmo.

Se encontraron personalmente en la tarde del 14 de agosto, cuando ella regresó a su casa después de estar unos días ausente de la capital. Según su testimonio, que fue filtrado a un medio sueco, ambos salieron a cenar y regresaron al departamento, donde tuvieron sexo. En algún momento el preservativo se rompió, hecho que ninguna de las partes niega, aunque la mujer alega que fue roto deliberadamente por Assange.

La primera acusadora de Assange no hizo ningún intento inmediato de contactar a las autoridades. Sólo cuando ella fue contactada por la segunda denunciante, cuatro días después, ambas mujeres decidieron ir a la policía. En cambio la primera mujer arregló una “fiesta langosta” –una reunión sueca tradicional– para la noche siguiente en honor del fundador de Wikileaks en su departamento. En una entrada en la página en Twitter de la mujer, que luego trató de borrar, la primera acusadora de Assange describió su alegría por dar una fiesta para el ciberactivista más famoso del mundo. “Sentados afuera casi congelándonos con la gente más interesante del mundo”, escribió. “Era bastante asombroso.”

Lo que no sabía la primera mujer era que Assange ya había comenzado a coquetear con otra mujer sueca, a quien había conocido anteriormente ese día en una charla que había dado en un sindicato. La segunda acusadora de Assange tiene entre veinte y veinticinco años y vive en la ciudad de Enköping. Conoció a Assange y a la primera mujer durante un almuerzo después de la charla. Coquetearon, vieron una película juntos y comenzaron un “romance”, pero Assange se fue esa noche para ir a la fiesta langosta.

El lunes siguiente se reunieron nuevamente y viajaron a la casa de la mujer en Enköping, donde, según el testimonio de la policía, tuvieron sexo consensuado usando un preservativo. A la mañana siguiente, afirma la mujer, Assange tuvo sexo con ella cuando todavía estaba dormida y no usó un preservativo.

En algún momento durante los próximos tres días las dos amantes de Assange se cruzaron y descubrieron que ambas habían dormido con el mismo hombre. Las dos afirmaron haber tenido su propia experiencia de un amante que era reacio a usar un preservativo. El 20 de agosto las dos fueron a la comisaría en Estocolmo para pedir consejos sobre cómo presentar una queja contra Assange, e investigar la posibilidad de obligarlo a hacerse una prueba de VIH. Después de escuchar sus testimonios, un fiscal decidió que Assange debería estar acusado de sospecha de acoso sexual para la primera mujer y violación con la segunda.

A las 24 horas, el fiscal general de Suecia desestimó el cargo de violación contra Assange, pero al mes siguiente otro fiscal, Marianne Ny, reabrió el caso, lo que resultó en la orden de detención europea que llevó a Assange a la corte ayer.

* De The Independent de Gran Bretaña. Especial para Páginal12.

Traducción: Celita Doyhambéhère.

Os maiores entre os grandes

Esquivel e GaleanoEm homenagem ao aniversário de 30 anos de Prêmio Nobel da Paz de Adolfo Pérez Esquivel, Eduardo Galeano, como sempre, acerta na veia!

 

Simplemente, gracias

alt Por Eduardo Galeano

Querido Adolfo:

Hoy no puedo estar contigo, pero mis palabras quieren.

Yo no soy quién para prohibirles volar, así que aquí van.

Ellas quieren decirte, simplemente: gracias.

Gracias porque en las horas más jodidas, cuando ya no te quedaba aliento, supiste seguir creyendo que era verdad, una verdad grande como una casa, aquello que había dicho Salvador Allende: “Vale la pena morir por todo aquello sin lo cual no vale la pena vivir”.

Y gracias porque recibiste el Nobel y no te engrupiste, y no te olvidaste de aquella otra verdad que había dicho José Martí, también grande como una casa: “Todas las glorias del mundo caben en un solo grano de maíz”.

Y gracias por ser como sos, bienhumorado, sencillo, limpio de todo veneno, para que se sepa, por si no se sabe, que nosotros no somos unos insoportables amargados.

Te abraza tu hermano, siempre.

* Testimonio presentado ayer en el homenaje a Adolfo Pérez Esquivel.

EUA & Sirotsky e seus poodles

Estou esperando uma reação indignada do Wianey Carlet a respeito da perseguição a Julian Assange. Wianey Carlet, que fica excitado ao ver um cassetete, a ponto de se ajoelhar e lamber as botas, fica indignado com Lula por que pretende vetar a emenda dos royalties. Mas nunca se manifestou contra os roubos perpetrados pela ex-colega de casa, Yeda Crusius. Contra, não. Mas a favor da famigerada, sempre. Invertebrado de marca maior, se beneficia do espaço que o Grupo RBS lhe concede, para aliviar a mão contra os corruptos dos RS, e atacar os desafetos do patrão. Soldado da facção Instituto Millenium, tem as mãos tatuadas nos países baixos dos Sirotsky.

O artigo a seguir e dedicado ao poodle dos Sirotsky!

Por: Antonio Luiz M. C. Costa na Carta Capital
7/12/2010
Entre as muitas ironias que produziu, uma das mais saborosas do caso WikiLeaks é ter dado oportunidade ao jornal russo “Pravda” de zombar do sistema legal e da censura nos EUA.

zzzzzzzxxxxxxxxxxxxxxzUSA flagDepois de comentar mensagens do WikiLeaks que mostram o governo Obama pressionando Alemanha e Espanha para encobrir torturas praticadas pela CIA no governo anterior, o colunista e editor legal David Hoffman tripudia: “agora, dado que o fundador do WikiLeaks Julian Assange enfrenta acusações criminais na Suécia, fica também evidente que os EUA têm o governo sueco e a Interpol no bolso. Claro que não sei se Assange cometeu o crime do qual é acusado. Sei é que para o ‘sistema’ legal dos EUA a verdade é irrelevante. No minuto em que Assange revelou a extensão dos crimes dos EUA e seu encobrimento para o mundo, tornou-se um homem marcado”. Aproveita também para apontar a hipocrisia de conservadores e seus porta-vozes na imprensa, que querem as penas mais rigorosas possíveis para o WikiLeaks mas não tiveram dúvidas em expor a agente dos EUA Valerie Plame quando o governo Bush júnior quis punir seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, por denunciar provas forjadas para justificar a invasão do Iraque.

A coluna tem data de 3 de dezembro. O cerco começara com a ordem de captura internacional do governo sueco que colocou o australiano Assange na lista de “alerta vermelho”, os mais procurados da Interpol, a serem monitorados a cada passo. Com um pretexto inusitado para uma operação desse porte, se não surreal: o fundador do WikiLeaks teria continuado a fazer sexo com uma sueca depois da ruptura de seu preservativo e se recusado a usá-lo com outra. Não há sequer um indiciamento formal e as duas acusadoras, Sofía Wilén e Anna Ardin enviaram mensagens por SMS e Twitter alardeando seus encontros com Assange logo após o fato, falando deles em tom elogioso e festivo. A segunda é nascida em Cuba e escreveu artigos para uma publicação anticastrista, sugerindo que pode haver o dedo da CIA no caso.

Na véspera, a Amazon expulsara o site wikileaks.org de seus servidores. No mesmo dia 3, o próprio endereço foi deletado pelo provedor estadunidense everydns.com. Foi rapidamente transferido para um domínio registrado na Suíça, wikileaks.ch, mas com parte dos arquivos hospedados no provedor francês OVH que, ameaçado com “consequências” pelo ministro francês da Indústria Eric Besson, entrou na justiça com uma consulta sobre a legalidade da ação.

No dia 4, a Switch, provedor suíço do novo endereço, disse que não atenderia às pressões estadunidenses e francesas para deletá-lo, mas o sistema PayPal de pagamentos via internet, uma subsidiária do eBay, cancelou a transferência de doações ao WikiLeaks. No dia seguinte, a OVH saiu da rede e os arquivos passaram a ser hospedados pelo Partido Pirata Sueco e passou a sofrer ataques de hackers, mas centenas de “espelhos” do site se multiplicaram pelo mundo. O WikiLeaks também distribuiu a todos os interessados uma cópia encriptada do arquivo completo, cuja chave será distribuída caso algo aconteça com o site ou seu fundador.

Nos dias 6 e 7, as redes Mastercard e Visa também cancelaram as doações ao WikiLeaks – embora, como tenha notado o editor de tecnologia do Guardian, nenhuma delas tenha problemas com encaminhar doações ao Ku-Klux-Klan. Além disso, o banco suíço PostFinance encerrou a conta de Assange com o pretexto de que ele “mentiu” ao fornecer endereço no país – também ridículo, pois ele seguiu a praxe e deu o endereço de um advogado em Genebra. Com essas operações, o WikiLeaks perdeu cerca de 133 mil dólares. Ainda no dia 7, Assange apresentou-se à Scotland Yard e foi preso sem direito a fiança.

Toda essa farsa foi levada ao palco porque as atividades de Julian Assange e do WikiLeaks não são realmente ilegais. Várias decisões jurídicas dos EUA, notadamente a decisão de 1971 que deu ao New York Times o direito de publicar os “Papéis do Pentágono”, concordaram em que a liberdade de imprensa garantida pela Constituição se sobrepõe à reivindicação de segredo do Executivo. O funcionário que vazou os arquivos oficiais pode, em princípio, ser processado, não a organização que aceitou o material e a publicou.

O fato é que Julian Assange é hoje um preso político, detido sob o mesmo tipo de falso pretexto que é devidamente ridicularizado quando usado para se deter um dissidente russo, chinês ou iraniano. Fosse os segredos de algum desses países que tivesse revelado, o fundador do WikiLeaks seria candidato automático a um Nobel da Paz.

Ao serem os segredos dos EUA os que o australiano se dispõe a divulgar – e o que pode vir a ser ainda pior, de seus grandes bancos e empresas (a começar, provavelmente, pelo Bank of America), como anunciou em entrevista à Forbes –, políticos e jornalistas de Washington e de seus aliados do Ocidente passam a considerar justo e aceitável que seja perseguido e preso pela Interpol sob acusações que matariam de rir os responsáveis pelos Processos de Moscou da era stalinista.

O Ocidente tem dificuldade cada vez maior em conviver com os direitos e garantias em nome dos quais julga ter o dever de impor sua vontade ao resto do mundo. Sente cada vez mais a necessidade de leis de exceção e estados de exceção, que pouco a pouco viram regra. O mundo vai descobrindo que é ilusório confiar na Internet como garantia de liberdade de informação.

7 de dez. de 2010

La “cultura del pelotazo”

Eu nunca havia entendido direito de onde vinha a presença tão grande da Espanha na América Latina. Claro, havia uma identidade cultural. Mas o dinheiro não tem língua, nem cultura. Nem sequer preconceito. Então, cadê uma boa razão para que empresas espanholas estivessem tão presentes  e tão distintos ramos como Energia, Comunicações, Bancária?

Perguntas, nada mais que perguntas

Puxando os fios pode-se chegar, se não a uma resposta definitiva, pelo menos a algumas boas perguntas. Por exemplo, por que Antônio Britto, ex-governador do RS, ao sair do Piratini, pela porta dos fundos, foi internar-se em clínica na Espanha? Claro, depois achou  uma adequada em Campos do Jordão. Mas antes hibernou na Espanha. O que o levou a escolher a Espanha? Quem financiou a estadia dele pelas terras de Franco e Josemaria Escrivá?

Quando aquela jornalista da Rede Globo descobriu-se grávida do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, foi exilada na Espanha. Por que logo Espanha? Quem financiou a estadia dela lá, já que não produziu matéria que justificasse a permanência da jornalista por lá? Mesmo que fosse apenas para homiziar o filho extra-conjugal do mandalete de plantão, porque logo na Espanha? Miami não seria o destino preferido dos brasileiros da plutocracia? Paris continua uma festa. E Londres?

Isso explica?

Marinho KaneConvém lembrar que a entronização do ex-funcionário da RBS no Palácio Piratini, o vivíssimo agente funerário e dublê de  porta-voz que à noite abria o Jornal Nacional dizendo: “Senhores, trago-vos boas notícias”. E Tancredo já estava morto… Um teatro para garantir a posse de Sarney! Alguém ainda lembra disso?

Pois esse porta-voz implantado no Planalto pela RBS e Rede Globo, no mesmo pacote que incrustou Antônio Carlos Magalhães no Ministério das Comunicações (vide Muito Além do Cidadão Kane…), virou celebridade fúnebre virou o “cavalo do comissário” da RBS. Não podemos esquecer que a primeira grande privatização da era neoliberal iniciada com Collor mas afundada com o prof. Cardoso, foi a CRT – Companhia Rio-grandense de Telecomunicações. Agora adivinhem quem estava por trás, e saiu-se sócio? A RBS, claro. Afinal, quem financia tem preferência na compra, não é mesmo? Nem adiantou o Correio do Povo gritar em primeira página. Eram favas contadas… O braço logístico foi da RBS, mas as burras carregadas de dinheiro, clandestino ou não, eram da estatal espanhola Telefônica! Aqui, com a ajuda dos Gerdau da vida, diziam menos estado, mais privada. A TELEFÔNICA É ESTATAL, da Espanha! Assim como a Telecom Itália, é do Estado Italiano. E por aí segue…

Depois da Telefônica, vieram Santander, BBV e outros bancos espanhóis (que acabaram por assassinar Banespa e Santander por trinta dinheiros…). A proximidade com o “Reino das duas Sicílias” (Palermo é logo ali, ao sul da Espanha) não teria facilitado a entrada dessas empresas? (Um outro parêntesis. No filme Mediterrâneo, o aviador italiano que ao fim da Segunda Guerra encontra numa ilha grega italianos que ainda não sabiam do fim, convida-os a retornar com um argumento infalível: “há uma grande confusão por lá, e muitas oportunidades também”…).

A abertura, e porque não uma suruba financeira, sem regras onde ninguém era de ninguém, facilitou a entrada de empresas como a Parmalat… Tomô!

Na Argentina agora explode mais um escândalo de corrupção estrelado por autoridades da Espanha. Em todos os países da América Latina há algum contencioso contra práticas espanholas de exploração. Só por aí se entende a má-educação do reinol: “¿Por qué no te callas? Calados, somos espoliados. Nossa voz não lhes interessa!

A corrupção é uma via de mão dupla: Corrupto é também quem corrompe, apesar de a imprensa se deter apenas nos corrompidos. Fiquemos de olho nos espanhóis. Nos descendentes de Franco, discípulos de Josemaria Escrivá e na “cultura del pelotazo”.

Leia mais aqui:

El País: - Un gran escándalo de corrupción en Argentina afecta a firmas españolas

La “cultura del pelotazo” - Los mismos personajes (y negocios) que en los 90