10 de ago de 2009

Universidade da Corrupção

Um pitbull com focinheira

O Mundo É Um Moinho
Composição: Cartola
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões à pó.
Preste atenção querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás a beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés


Não encontrei canção mais apropriada para homenagear a relação das famiglias Sirotskys & Crusius. Este belíssimo resumo das relações RBS & Yeda é obra profética de Agenor de Oliveira, mais conhecido por Cartola, feita em 1976. Mas foi Cazuza quem, anos depois, popularizou. Traduz a preocupação de um pai que vê sua filha se prostituindo, no caso seria a filha do próprio Cartola.
A famiglia Sirosty já tirou muito coelhos e coelhas da cartola, mas nenhum editorial ainda descreveu tão bem o que as peripécias da filha ideológica da RBS. Derramei lágrimas quando, depois de terem declarado guerra ao governo petista do bancário Olívio Dutra, clamavam pela pacificação do Rio Grande. Foi incontida a felicidade do Grupo RBS ao assumir Germano Rigotto: até que enfim o Rio Grande poderia trabalhar em paz, sem briga. Note-se, briga se dá quando outro, um bárbaro, assume o Piratini. Quando os ex-funcionários ocupam as chaves do cofre do RS, como nos governos de Antonio Britto & Yeda, a RBS é ávida por todos os lados.
O comportamento de Lasier Martins, aquele que definiu Lair Ferst como sendo de "inteligência superior", traduz com mais fidelidade as vinculações do Grupo RBS: contra o PT é um pitbull, mas em se falando do PSDB/PMDB/PP/PPS, partido da base aliada da RBS, é um luluzinho da Pomerânia. É fato que os Pitbulls, por mais acostumados que estejam com o ambiente familiar, podem, a qualquer momento atacar alguém da própria famiglia. Outro dia, bastou Dilma passar pelo portão para o medonho morder o calcanhar do Sarney, que desavisadamente apreciava junto de seu colega as retransmissões da Globo. Como diria a fábula, é da natureza do medonho. Exatamente porque a inteligência não acompanha a ferocidade, faz vistas grossas para "la loca" que, pelos fundos, esvazia a despensa do RS.
A ZH desta segunda-feira é um primor da lavra da RBS: "Piratini atingido". Pensei, o temporal destruiu o pequeno município de Piratini. Vi que era engano quando li o recado daRBS à Juíza Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes: "Defesa sustentará que MPF não tinha poder de incluir Yeda na ação". Para uma manchete tão longa poderia ainda ter acrescentado no final, antes da assinatura, "Nestes termos, a RBS pede deferimento".
Defesa de Improbidade
Yeda que já tinha um advogado especialista em "facilidades nos tribunais superiores", por acaso irmão do Geraldo Alckmin, indicado pelo PSDB de José Serra, para trazer aquele conforto na hora difícil, agora a gazeta informa que Yeda terá mais um advogado, que já trabalhou no governo, por acaso no DETRAN, chamado Fábio Medina Osório, "que é um dos principais nomes na defesa de casos de improbidade administrativa do Estado". Para quem não deve nem teme, para que tantos especialistas? Para quem acompanha a RBS, fica se perguntando como um estado tão exemplar como o RS tem até "especialista na defesa de casos de improbidade administrativa"!! Esta talvez tenha sido, até agora, a melhor contratação do Governo Yeda. Afinal, fizesse ele "condenação da prática de improbidade administrativa" não serviria para defendê-la, não é mesmo?!

Como bem diz o editorial de Zero Hora desta segunda, 10/08/2009, "Os gaúchos querem toda a verdade", inclusive as provas a respeito da acusação de página 56. Eu também gostaria de saber se aquilo que se imputa à governadora ela aprendeu somente na RBS, ou parte dos conhecimentos ela adquiriu na convivência partidária, no PSDB, essa Universidade da Corrupção?

Nada como o tempo. Por mais esforço que se faça, mais cedo ou mais tarde, de tanto chocar, do ovo da serpente se abre. E aí, quando notar, já estará na beira do abismo cavado com os próprios pés.

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