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13 de dez. de 2010

O perigo cubano

 

Por Thaís Romanelli, via ÓperaMundi
Uma cidadã cubana que acusa o jornalista australiano Julian Assange, fundador do Wikileaks, de "crimes sexuais" na Suécia foi apontada como "colaboradora" da CIA e teria planejado o caso, segundo a rede de TV venezuelana TeleSur. No início do ano, ela mesma divulgou na internet um "guia para se vingar" de alguém usando denúncias de abusos sexuais.
De acordo com as informações publicadas nesta terça-feira (7/12), a cubana Anna Ardin (cujo nome real seria Ana Bernardín) teria sido uma das primeiras a denunciar Assange por "abuso sexual" à polícia sueca, junto à amiga sueca Sophia Wilén.
A prisão do fundador do site Wikileaks, o jornalista australiano Julian Assange, provocou grande repercussão na mídia internacional. As vozes de entidades de defesa da liberdade de imprensa, porém, não protestaram até o momento, nem questionaram a validade da ordem de prisão da Justiça sueca, que acusa o jornalista de "crimes sexuais".
Entidades como a Associação Mundial de Jornais, o World Press Freedon Committee e a norte-americana Freedom House costumam protestar no caso de prisões políticas contra jornalistas, principalmente em países não alinhados a potências ocidentais. Desta vez, por enquanto, evitaram criticar a ação contra colega preso.
A queixa, porém, seria relativa ao fato de Assange, supostamente, não ter utilizado camisinha durante as relações sexuais que teria tido com elas, enquanto Ardin dormia em sua resisidência em Estocolmo. Além disso, Ardin e Wilden denunciaram Assange por ter mantido relações sexuais com as duas na mesma semana - o que, na Suécia, é ilegal.
De acordo com a versão apresentada, no dia 11 de agosto deste ano, Assange teria ido à Suécia a convite do movimento de centro-esquerda Broderskap ("fraternidade" em sueco, ligado ao Partido Social-Democrata Cristão) para participar de um seminário. Na ocasião, segundo Ardin, ela própria ofereceu sua casa para hospedar o fundador do Wikileaks, já que ela estaria fora da cidade. Ardin, porém, voltou antes do previsto, mas mesmo assim hospedou Assange em casa. Segundo ela, em uma das noites após jantarem juntos, tiveram relações sexuais com camisinha, que chegou a rasgar.
No dia seguinte, ao final do seminário, Assange teria seduzido Sophia Wilén, com quem também teria feito sexo, na cidade de Enkoping, onde ela mora. De acordo com Wilén, ela e Assange tiveram relações duas vezes, uma com e outras sem o uso de preservativos, em razão de uma recusa do fundador do Wikileaks.
Dez dias depois, as duas mulheres se apresentaram à polícia sueca para denunciar Assange por crimes sexuais. Ardin, porém, se apresentou como militante feminista a princípio e declarou que estava apenas auxiliando Wilén. Dias mais tarde, declarou seu envolvimento com Assange, alegando que "inicialmente o sexo foi consensual, mas logo se transformou em um abuso", já que o preservativo teria rompido e Assange continuado a relação à revelia dela.

Vingança

Anna Ardin é uma ativista feminista conhecida na Suécia. Em 19 de janeiro de 2010, ela escreveu em seu blog (annaardin.wordpress.com) um post com o título "Sete passos para uma vingança judicial", incluindo instruções sobre incriminar alguém usando acusações de teor sexual. Seu blog faz referências a outros como Generación Y (de Yoani Sánchez) e Desde Cuba, ambos de dissidentes cubanos.
Acusada de ter mudado o depoimento a mando da CIA, Ardin se defendeu em seu blog garantindo que as denúncias não haviam sido coordenadas.
"A responsabilidade do que aconteceu comigo e com a outra jovem é do homem que tem uma visão distorcida das mulheres, que tem um problema em aceitar um 'não'", argumentou, no post citado.

Anti-castristas

Segundo a TeleSur, ela também seria ligada ao ativista anti-castrista Carlos Alberto Montaner e ficou conhecida por escrever em websites financiados pela USAID (agência dos Estados Unidos para empréstimos a países subdesenvolvidos) e controlados pela CIA, como o Misceleanas de Cuba, do cubano Alexis Gainza Solenzal, que criticam o regime da ilha.
Montaner é co-autor, junto com o peruano Mario Vargas Llosa, do livro anti-esquerdista Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano (Bertrand Brasil, 1997). Nos anos 1960, chegou a ser preso em Cuba por acusações de trabalhar para a CIA em operações de sabotagem, até fugir da prisão e encontrar asilo na Espanha, então sob o regime franquista.

OBS. Agora dá para entender melhor a indicação de Vargas Llosa ao Prêmio Nobel de Literatura, não é?! Numa América Latina, virada à esquerda, com o Império derretendo, toda ação é válida para minar o poder dos países sul-americanos.

9 de dez. de 2010

Llosa, um liberal no soco

Este ano o Prêmio Nobel de política para escritores foi dado ao mais completo imbecil sul-americano, o peruano Mario Vargas Llosa. Para contrabalançar o sucesso dos vários governos de esquerda. Estocolmo adoram ventríloquo sul-americano que se sujeita, em prece maometana. Defensor do mercado e crítico da presença do Estado na economia, teve sua chance no momento em que o conservadorismo nórdico de “olhos azuis” precisa de âncoras, ou capitães de mato, para explorar cucarachas. As constantes críticas a Lula, Chávez e Fidel, pari passo com a defesa dos interesses dos EUA, fizeram dele uma matrioshka ideal para o Nobel. Bonitinho por fora, repetitivo por dentro, à imagem e semelhança dos outorgantes.

 

Bom escritor, péssimo caráter

“A globalização não é, por definição, nem boa nem rui: trata-se de uma realidade do nosso tempo, resultante de uma soma de fatores, do desenvolvimento tecnológico e científico, do crescimento das empresas, capitais e mercados e da interdependência que isso foi gerando entre as diversas nações do mundo. Grandes prejuízos e grandes benefícios podem advir dessa progressiva dissolução das barreiras que, antes, mantinham os países confinados em seus próprios territórios e, muitas vezes, em luta aberta com os demais.”

Notem como a globalização é tratada como se fosse um fato da natureza, inexorável. Na globalização de Llosa, não aparece o ser humano. Llosa é tão bom ficcionista que esta, a ficção, entra por suas veias abertas e o domina.

Desde quando os países viviam confinados? Claro, há barreiras geográficas, como os Andes. Mas estes não impediram que Espanha saqueasse Potosi… Para a época, os descobrimentos também foram uma globalização. Assim como foi o domínio do Império Romano. Aliás, o Império Romano criou a Muralha de Adriano, para evitar o saque pelas tribos nórdicas. Os EUA construíram um muro  para impedir a entrada de mexicanos. O que mudou mesmo?

Llosa também quis ser presidente. Felizmente, para os peruanos, perdeu para Fugimori, em 1990. Ruim com Fugimori, pior com Llosa. Então era lá isso opção eleitoral, pensavam os peruanos? Eram farinha do mesmo saco.

Como sabemos, os ano 90 foram pródigos em latino-americanos dispostos a se agachar para Washington por meia dúzia de rapapés. Nunca foram tão fácil governar. O Consenso de Washington era isso, aceitar o destino. E os EUA tinham o mapa.  Era só deixar o governo nas mãos (nem tanto invisíveis) do mercado, abrir as fronteiras que o grande irmão conduziria. A tal ponto que, por sentir-se um devoto, teria direito divino sobre modelo norte-americana, como logo mais se verá.

 

O fauno em seu labirinto

faunoLlosa conquistou o prêmio Nobel com o artigo “Asoma en la región un nuevo racismo: indios contra blancos”, que escreveu a respeito das eleições de Evo Morales, Hugo Chávez  e Ollanta Humala. Llosa quis mostrar que índio não sabe seu lugar. Afinal, como se Llosa tivesse escrito algo sobre o “velho racismo”! Os brancos defenderem os interesses em prejuízo aos índios, tudo muito bem, tudo natural. Racismo é índio querer ser presidente de uma nação majoritariamente indígena, e lutar pela dignidade de sua gente. Não passa pela cachola de Llosa que 80% da população boliviana é indígena? Com uma raciocinadas destas parece mais uma daquelas múmias  peruanas que depois de milênios levanta da cova e saí por aí deitando conversa fora.

A visão de Llosa sobre o mundo parece brotar escapar de um labirinto, por onde andou em círculo, perdida, sem eco.

Llosa, liberal candidato a maior conservador, deve ter pensado que se Menem, Fugimori e FHC podiam, porque não ele então também envergar uma faixa presidencial. E tinha tudo para dar certo. O apoio irrestrito dos Ianques, boa pinta, lábia idem. E querido pelos homens de bem, aqueles que fazem boa figura na frente de uma estante de livros, posam para revistas, leem Veja e professam fé no Instituto Millenium. E assim temos a explicação de porque Llosa ganha Nobel, mas Eduardo Galeano, não!!!!

Sobre o caráter liberal do conservador peruano, que diz preferir as leis do livre mercado (para os outros), basta citar a anedota que abre o livro de Luis Hernández Zaurín, “De cuando Vargas Llosa noqueó a Gabo”.

“Em 1976, os dois escritores mais famosos do boom da literatura latino-americana, assistiam à projeção no México do filme La Odisea de los Andes. Ao final da sessão, García Márquez se aproximou de seu colega peruano para cumprimentá-lo e o que recebeu foi um soco na testa que o deixou estirado sem sentido no carpete do teatro.

Esta estupenda pancada que deixou roxo o olho de Gabo, criou, desde então, dezenas de acirrados debates sobre a origem do nocaute.

O escritor Francisco Higartua, que assistiu o evento, explica na suas memórias, Huellas de un desierto, ter trazido um bife para baixar o inchaço do colombiano: ‘Eu estava presente. Foi terrível. Quando nos demos conta, Gabriel estava sentado e Mário se fora. Fui eu quem trouxe o bife para baixar o inchaço do olho de Gabo’.

Antes de nocautear Gabo, Vargas Llosa parece ter dito que: ‘Como te atreves a querer abraçar-me depois do que fizestes a Patrícia em Barcelona?’ Patrícia era, está claro, a esposa de Vargas Llosa.

Alguns cronistas explicam que Vargas Llosa teria abandonado sua família para assediar uma modelo norte-americana lá pelos anos setenta. E Garcia Márquez, tratando de consolar Patrícia, aconselhou-a pedir o divórcio e tomar medidas legais por ‘abandono do lar’.

Sobre o assunto, quando da apresentação de sua novela La Fiesta del Chivo, perguntado sobre o fato, o peruano declarou que era melhor deixar o tema para os historiadores.”

Tradução livre deste ignorante por conta própria.