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1 de dez. de 2010

Meu Presídio, Minha Vida

policia_picapauQue a governadora que iria implantar um novo jeito de governar era louca, estava na cara (dela). Além disso, o simples fato de vir chancelada pelo Grupo RBS, que partira a placenta, já era indício suficiente para negar-lhe abrigo no Piratini. Mas os gaúchos somos um povo que comemoramos até derrota em guerra, então, talvez por expiação, escolhemos o que havia de pior para aquele momento. A eleição da ex-funcionária da RBS foi aquilo que Barbara Tuchman chama de Marcha da Insensatez, quando povos e governantes, tendo melhores alternativas, optam pelo pior. Se temos este pendor, pelos menos não somos os únicos.

O diário de bordo da navegante desvairada começa com a queda da escada que levaria da terra firme ao tombadilho. A nova governadora, ao propor um pacote de aumento de impostos, se revelava decrépita por inteiro já antes da posse. Depois vieram as manifestações culturais, com aquela cavalgadura na cultura, e o prêmio pantalha do ano, concedido pelo energúmeno do início das madrugadas.

Todo santo dia havia um(uns) tropeço, nos próprios destroços. O co-piloto escolhido, ao invés de contracenar, gravava as cenas do bas-fonds. Trouxe ao mundo as misérias que de um governo miserável. Para cúmulo de uma cena bem shakesperiana, há cadáveres insepultos, maridos traídos e polícia na encalço. Em ritmo lento, que ainda está tudo meio escuro e a justiça é cega…

São tantas e variadas as barbaridades perpetradas pela ex-governadora há mais tempo em exercício que a Barsa teria de acrescentar novo volume em sua coleção, por isso vou me restringir ao mais recente, mas não menos significativo.

Faltando menos de um mês para ser enxotada, La Loca resolve construir onze novas casas prisionais. Sem orçamento, sem planejamento, sem licitação, sem caráter. Talvez pensando no que a justiça ainda possa decidir, queira ficar um mês por ano em cada casa, e o natal no Central da Vila Maria.  Nenhum outro governador antes talvez tenha planejado, nos estertores da passagem pelo executivo, um futuro tão confortável. Presídio novo!

A prova de que estava construindo em benefício próprio está no fato de que, mesmo que terminasse a construção a tempo, não haveria servidores aptos para fazer funcionar as casas. A menos que ela levasse com ela o entulho que ela foi jogando de seu barco à deriva nesses quatro anos de périplo desgovernado.

As exéquias

Ao dobrar o Cabo da Boa esperança, registra o livro de cabotagem que o Ministério Público abalroou o caíque desgovernado, propondo a suspensão da viagem imobiliária da trânsfuga.

No Réveillon, enquanto os náufragos estiverem recolhendo os destroços, vamos rezar as exéquias pela mais longeva defunta que esteve na proa do RS.

24 de nov. de 2010

O bebê da Yeda não é japonês

“Me caiu no colo um nenê japonês e na minha volta não havia nenhum japonês que valesse a pena”, Yeda Rorato Crusius

O namoro já está com os dias contados. No réveillon ele passar com outra, na Europa, e não volta. Ela diz, graças a Deus! Mas ele pensa que ainda há tempo para deixar as pegadas pelo caminho, ou um embrionário herdeiro. A quase ex-parceira, ainda muito jovem, não pretende ter filhos, pelos menos nos próximos quatro anos, mas não descartas as últimas semanas de prazer. Portanto, se até o Papa usa, porque não mandar bala com camisinha. Acordo fechado. Mas ele pretende mandar, além de balas, uma bomba com efeito retardado, para daí a nove meses. E fura a camisinha para ver no que vai dar. E... Fudeu!

Andy Warhol_yeda_japaFica ela grávida para criar um filho que não pretendia, sem a ajuda. Deixar uma namorada grávida para que crie sozinha filho seu é mais ou menos o que está fazendo a ex-governadora há mais tempo em exercício. É o tal do bebê japonês que Yeda embalou com amor e carinho mas que agora quer jogar no colo do Tarso.

Yeda Crusius e seus comparsas de suruba aprovaram o PL 239/2010. Yeda, que já havia furado as camisinhas, com o beneplácito da cambada, também queria aprovar o PL 240/2010, para dar, sempre dar, ainda mais no FUNDOPEM. E com vigência a contar de janeiro de 2011. Agora ela pariu um “bebê de Rosemary”  e quer abandoná-lo, no Réveillon, na porta do Piratini. Bonito isto, não!

Na mídia, sempre tão crítica com aumento de despesas, esta passa despercebida. Aliás, para os grupos mafiomidiáticos, dinheiro para empresas nunca empobrece o Estado, afinal de contas, as empresas são o Estado. Destinar benesses para empresas nunca é uma atitude ideológica, é apenas o cumprimento de um estágio da vida natural. Que o diga o seu Cairolli da FEDERASUL. O que estraga um estado é um “governo espúrio” que permite que pobres consigam adquirir um carro. Se ainda fosse roubado. Não, compram em 96 prestações, consignadas. Se desviasse dinheiro, comprasse matéria paga, e depois falisse, tudo bem. Mas comprar carro popular, com crédito fácil, aí já é demais!

19 de nov. de 2010

Homenagem à Veja

 
yodaheil   Hitler-salute3
  hitler-youth2  
Concorro, com a VEJA, ao prêmio osso de jornalismo pela montagem acima.

Negócio da China… velha

medalha da chinaA ex-governadora há mais tempo em exercício fez, no acender das luzes de sua obscura estadia, uma troca de gentilezas com a Brigada Militar. Trocou 863 (oitocentas e sessenta e três) promoções por uma medalha de latão. A manchete do Câmera Dois é suficientemente (ou por demais) explicativa: “Nos 173 anos da Brigada Militar, Yeda assina 863 promoções, entrega 116 viaturas e recebe a 1ª medalha Zilda Arns”. Li, reli,procurei em outros portais, mas não encontrei a partir de que data passam a valer os reflexos financeiros das promoções. De qualquer forma, Yeda dá um canetaço, manu militare, e concede benefícios para serem pagos pelo futuro governo. E a brigada se vendeu por trinta dinheiros. Enquanto isso, na vida real, a violência campeia solta.

Yeda entrou com um pacote de maldades, tentando aumentar impostos no apagar das luzes do governo Rigotto, aquele que é filho da progenitora, e sai deixando outro pacote de maldades aos que vierem. Por isso, se não é tudo, já é muito para fazermos um retrato, senão da administração pelo menos do caráter da inquilina mais improdutiva que a RBS já conseguiu enfiar goela abaixo dos gaúchos.

Faço votos que a RBS recolha o entulho e leve para seu reduto a prima ideológica do Luis Carlos Prates e do Lasier Martins. Eles se merecem. E no dia 31 de dezembro vou convidar meus amigos para festejarmos na laje o final de um dos governos mais podres da história do Rio Grande do Sul. E tudo sob as benções da RBS. NINGUÉM MERECE!

3 de fev. de 2010

Déficit Zero

É o governo Yeda espraiando sua marca nas costas dos gaúchos.

14 de jul. de 2009

RBS & YEDA - tudo a ver



A atuação do Grupo RBS me lembra o personagem Procustes da mitologia grega, que tinha a medida de sua justiça na cama. As vítimas pequenas esticava até alcançarem o comprimento da cama, as maiores, cortava.
O programa Polêmica desta terça-feira, apresentado pelo funcionário da Rádio Gaúcha, do Grupo RBS, Daniel Scola, propôs o seguinte debate: "Governo do Estado atribui vazamento de escutas da Polícia Federal ao Ministro da Justiça. Quem atacou primeiro? Yeda (ligue para 3299 2601), Tarso (ligue para 3299 2602) ou os dois só estão preocupados com 2010 (ligue para 3299 2603)?"
A certa altura do debate, após a apresentação dos entrevistados nas ruas, o deputado Coffy Rodrigues, do PSDB, sentiu-se extremamente à vontade para elogiar o repórter e concluir: "a nossa Gaúcha". Ele estava se referindo à Rádio Gaúcha, do Grupo RBS, e não à Yeda, que é paulista.
Chamada a fazer a defesa do governo da ex-funcionária, o programa buscou transformar o mar de lama que já afogou mais de duas dezenas de sócios da Yeda, em uma simples disputa política. A pergunta, capciosa como tudo o que a RBS faz, induz aos ouvintes acreditarem que Tarso atacou, sendo que a única dúvida pendente dizia respeito apenas se foi primeiro ou depois de Yeda. É por isso também que Zero Hora prefere botar na capa, ao invés da explicações sobre as denúncias, que Yeda estranha as ações da Polícia Federal. Claro, no tempo do governo do PSDB, a Polícia Federal tinha a missão de arrancar maconha no interior de Pernambuco, e deixar em paz os criminosos do colarinho branco. Na matéria, o título é "Polícia Federal não pode indiciar secretário". Zero Hora se esmera em publicar todas as acusações de Yeda, mas não consegue desenvolver um raciocínio mínimo. Claro, daria tiro no pé e matéria a coruja...
Não estou fazendo a defesa de Tarso Genro, que para mim não passa de um político medíocre com um extraordinário, mas o exército midiático escalado para fazer a defesa de Yeda esqueceu-se que a própria RBS divulgou informações exclusivas. Foi Tarso quem vazou para a RBS? Façam-me o favor! Os denunciantes seriam ligados a Tarso? Ora, basta olhar os nomes: a mulher do Marcelo Cavalcanti, cuja morte ainda não foi esclarecida, o vice-governador, do DEM, Paulo Feijó, Adão Paiani, ex-ouvidor nomeado pelo próprio governo.
Mas há ainda algo mais revelador: as investigações da Polícia Federal são acompanhadas pelo Ministério Público Federal, e eventuais grampos são autorizados pela Justiça Federal. Significa dizer que, para Yeda e asseclas, não só a Polícia Federal, mas também o MPF e a Justiça Federal estão em complô contra a coitadinha da ex-funcionária da RBS.
Diante de toda esta sem-vergonhice a pergunta que não quer calar é a seguinte: "- Tudo o que Yeda pôs em prática no Piratini aprendeu na RBS?" E/ou seria fruto de sua convivência partidária no PSDB?
Falta ao governo da ex-funcionária da RBS explicar a exoneração dos seguintes personagens:
- Aod Cunha (Fazenda)
- Ariosto Culau (Planejamento e Gestão)
- Carlos Otaviano Brenner de Moraes (Meio Ambiente/Transparência)
- Cézar Busatto (Casa Civil)
- Coffy Rodrigues (Obras)
- Coronel Dalmo Itaboraí dos Santos (Casa Militar)
- Delson Martini (Secretaria-geral)
- Coronel Edson Alves (Casa Militar)
- Coronel Joel Prates Pedroso (Casa Militar)
- Enio Bacci (Segurança Pública)
- Fernando Záchia (Casa Civil/Desenvolvimento e Assuntos Internacionais)
- José Francisco Mallmann (Segurança Pública)
- Luis Augusto Lara (Turismo)
- Marcelo Cavalcante (Brasília)
- Maria Leonor Carpes (Administração)
- Mercedes Rodrigues (Secretaria-geral/Transparência)
- Nelson Proença (Desenvolvimento e Assuntos Internacionais)
- Paulo Azeredo (Obras)
- Paulo Fona (Comunicação e porta-voz)
- Paulo Maciel (Ciência e Tecnologia)
- Pedro Westphalen (Ciência e Tecnologia)
- Vera Callegaro (Meio Ambiente)

A RBS, como Procustes, aplica para Yeda o mesmo conceito de honestidade com que atua. Em outras palavras, Yeda é tão honesta no trata do coisa pública quanto a RBS com respeito à veracidade das informações.

13 de jul. de 2009

Zé Agá & Yeda

Zé Agá de mal com os fatos

A máquina de moer adversários acionada pelo Piratini, leia-se, ouça-se, veja-se RBS, falhou ao juntar ticos e tecos. Em ato falho revelador, o braço impresso do Grupo RBS, polinizado pela abelhinha Rosane de Oliveira, saiu do Caso Lair, Caso Isso e Caso Aquilo, e enredou com a "Reação no Piratini". E, arrepiada, manchetou: "Governo vê Tarso por trás".
A matéria recebeu o título que o Piratini determinou, na Zé Agá apenas copiaram e colaram. E o gancho foi ainda mais sintomático. Num ato falho clamoroso, entregou de bandeja o baby japonês: "estratégia de disseminar ataques". Na mesma altura da página 6, mas do outro lado da foto da ex-governadora há mais tempo em exercício, a confissão do Secretário Marco Alba: "Quem tem a consciência tranquila, sempre se sente confortável". Ué, pensei, disseminar ataques não casa bem com consciência tranquila... Não é que conseguem tomar de assalto até a semântica!?
Lá no alto da página 6 está o nome a Editora Executiva do Ctrl + C e Ctrl + V da Zé Agá. Rosane de Oliveira, a abelhinha que poliniza os frutos da ex-colega pelas página de Zé Agá, realça o conteúdo da estratégia e também já sente Tarso por trás. Tenta executar um simulacro da filosofia ricuperiana: mostrar o que é bom e esconder o que é ruim.
O que a "colonista" não consegue ver, qualquer morador de rua que usa Zé Agá como papel higiênico vê: por acaso as denúncias que Zé Agá publicou foram vazadas por Tarso? Lair Ferst agora se chama Tarso? Adão Paiani seria outro dublê de Tarso? As gravações do Cesar Busatto feitas pelo vice Paulo Feijó foram vazadas por Tarso?
Quem forneceu à Zé Agá (06/07/2009) a sinopse do programa de governo concebido pelo novo jeito de governar, intitulada "Delação Premiada", que poderá render ao escritor Lair Ferst um Prêmio Nobel? Teria sido Tarso Genro? Para narrar a promiscuidade no atual governo do Estado Lair teria de escrever um Decamerão... por semana, tamanha é a entrada e saída de personagem rocambolescos. Ou já esqueceram Antônio Britto saindo de fininho pelos fundos do Palácio quando da criação do Gabinete de Transação, digo, Transição?!
A burrice só não é maior por falta de espaço! Embora talvez seja um pouco menor da burrice dos eleitores dessa gentalha. Como alguém ainda ousa defendê-los? Só com muita cara de pau e alguns caraminguá$!!
Os ex-profe$$ores Éfe Agá e Yeda talvez pudessem ensinar português ao Lula, mas este lhes poderia ensinar ética. Por exemplo, Lula poderia ensinar como ser um estadista respeitável sem precisar tirar o sapatos para entrar nos EUA.
Se Lula é o cara, FHC é a bunda de onde saiu Yeda...

7 de jul. de 2009

A Construção de um Álibi

Em breve num presídio bem perto de você!

O Grupo RBS planejou a construção de uma verdade que lhe interessa. Vai divulgado, a reboque dos acontecimentos, pequenos dados dissociados dos autores. Disseca o cadáver mas não conta a causa mortis. Há fatos, sem sujeitos. O primeiro vilão foi o DETRAN. Para o grupo RBS a pessoa jurídica DETRAN havia cometido irregularidade, pois em nenhum momento apareciam os autores, ou os condutores da autarquia quando da ocorrência dos fatos. Ao mesmo tempo, seus colonistas e comentarias nos mais variados veículos do grupo RBS mostravam uma harmonia de canto gregoriano. A ladainha uníssona vociferava contra o estado de coisas do denuncismo, dando voz aos que coadunavam a esta tese, e silenciando ou tentando desconstruir o que se ousavam pedir esclarecimentos. Vianey Carlet, Pedro Ernesto Denardin, Kenny Braga (para citar apenas alguns donos da verdade política no âmbito desportivo) defendiam e continuam defendendo Yeda usando do expediente de atacar qualquer um que não seja do PMDB, PSDB, PP ou DEM. A manobra é tão canhestra que, também uniformemente, estão buscando associar Sarney a Lula. Freud não explicaria, ficaria chocado... Em compensação, Totó Riina e Tomaso Buscetta dariam risadas...
Aquilo que costumeiramente os veículos do grupo RBS fazem, e praticam muito bem há muito tempo, que é incluir todos os membros de determinada agremiação, ou governo, não vem acontecendo quando o assunto é corrupção no governo de seus ex-funcionários. Quando havia denúncias no Governo Olívio Dutra, todo o governo e também todos os petistas eram responsabilidzados, hostilizados. O mesmo no âmbito Federal. As denúncias de corrupção no Governo Lula são atribuídas a Lula e todos os petistas, mesmo quando cometidas por aliados de outros partidos. O caso do Senado é emblemático. Todas as acusações contra Renan Calheiros e contra José Sarney são feitas envolvendo o nome do Presidente e do seu partido, embora os dois pertençam ao PMDB. A orquestração é tão flagrante que fatos relacionados a gestores anteriores do Senado são atribuídos aos dois, Renan e Sarney. Por que eles não fazem o mesmo com os crimes praticados contra a administração pública aqui no RS? Por que não dão a dimensão partidária para as denúncias envolvendo Eliseu Padilha, César Busatto, Yeda Crusius, Francisco Fraga, José Otávio Germano e tutti quanti? Aliás, se dependêssemos dos veículos e comentarias do Grupo RBS, sequer saberíamos os partidos dessa gente. O envolvimento destes personagens são pessoais, mas os envolvimentos de pessoas de partidos com os quais a RBS têm alergia são partidários. Tome-se o exemplo do MST!
A manchete do jornal Zero Hora de hoje, 07/07/2009, é emblemática. "As denúncias de Lair: Yeda " - São fatos sem comprovação". Na redação da RBS não há só uma reforma ortográfica, mas também uma alteração semântica. Desde quando fatos precisam ser comprovados? Quando se trata de seus ex-funcionários, os "fatos" precisam ser comprovados. A parcialidade do Grupo RBS fica por demais evidente quando se verifica que todas as denúncias partiram de pessoas vinculadas à Governadora, seja por afinidade partidária, seja afinidade ideológica. Mas a oposição acaba parecendo culpada pelos "fatos". O vice-governador gravou e mostrou o modus operandi. Uma infinidade de Secretários saíram atirando. Todos personagem que privavam da intimidade de Yeda Crusius. Não foram tresloucados oposicionistas, ou agentes do MST, mas o PC Farias do PSDB, Lair Ferst, o Vice-Governador, Paulo Feijó (do DEM) e Adão Paiani (ex-ouvidor sem partido) que mostraram os "fatos". Tudo gravado e documentado.
A linha de defesa de Yeda Cruius no âmbito da RBS vem delineada pela editora de política, Rosane de Oliveira, quando diz que "Falta o Principal": "Falta a ele (Lair Ferst) credibilidade para ser o detonador da CPI." Deve faltar credibilidade a Lair Ferst porque ele é do PSDB, se fosse do PT não haveria dúvida...
Não que me surpreenda. Acompanho a RBS há muito tempo para me sentir chocado com o sua atuação político-partidária atual. O despudor parece mais uma aposta empresarial de gangsters. Se alguém quiser compreender a linha de atuação da RBS, nos mais diversos ramos empresariais que se aventurou, basta conhecer a história da Máfia. O canal MGM da SKY e NET mostrou recentemente um seriado em doze capítulos intitulado Corleone (em italiano, Capo dei Capi), baseado na vida de Totó Riina. Quem teve o privilégio de ver vai entender o asilo concedido pelo Grupo RBS aos ex-agentes do governo do professor Cardoso, do PSDB: Pedro Parente e Armínio Fraga. As refregas bissextas com o Correio do Povo servem de pista, de ponto de partida para esclarecer o perfil empresarial da RBS.
Quando tudo acabar, a RBS ainda poderá dizer que mostrou tudo a seu tempo. É o álibi.

1 de mar. de 2009

Idade Mental: 10 anos

A marca do atrasoDez anos após o massacre midiático contra o Governo Olívio Dutra, Rosane de Oliveira recebeu autorização para escrever no seu blog:
“Foi assim com Olívio Dutra (PT), que mal havia assumido o Palácio Piratini quando enfrentou uma oposição ensandecida e disposta a tirá-lo do cargo. Motivo? Por ter mandado a Ford embora, respondiam.
Como tecnicamente perder um investimento negociado pelo antecessor não é caso para impeachment, os inimigos, liderados pelo advogado Paulo do Couto e Silva, foram à cata de motivos que pudessem ser enquadrados como crime de responsabilidade. Não encontrando, passaram meses fazendo marola com a ameaça. Depois, na CPI da Segurança, que bem poderia ser chamada de CPI do PT, o impeachment voltou a ser invocado pelos adversários de Olívio antes da conclusão dos trabalhos. A CPI pediu indiciamentos a torto e a direito, mas o Ministério Público arquivou tudo.
”

Infelizmente Rosane ainda não conquistou alforria para publicar estas informações nas páginas de Zero Hora.

A demora e o local para fazer um registro, espécie de mea culpa, traduzem as dificuldades do Grupo RBS em sair da cloaca em que se meteu. Na internet não tem boi, portanto, não peçam aos internautas a mesma passividade bovina de boa parcela de gaúchos que engole a seco todas as mentiras da RBS. A internet não perdoa, registra o presente sem esquecer do passado. Nos blogs, não precisamos de autorização de ninguém para desmascarar essa mídia mascarada e golpista. Não vivemos a cabresto, nem somos patrocinados por mensalinhos...(Quer saber mais sobre isso, então não pergunte ao Políbio Braga!)

A PAZ da RBS é a dos sepulcros
O que chama a atenção no registro da colonista da RBS é o momento em que vem a público dizer o que até o reino mineral já sabia: que a RBS e a parte mais atrasada do empresariado e da política gaúcha sabiam que Olívio estava fazendo um governo verdadeiramente revolucionário. Olívio tocou nos pontos nevrálgicos da segurança pública. Apontou o jogo maçônico tanto da polícia quanto do Tribunal de Justiça. Se Bisol fosse o culpado pelos problemas de violência, com sua saída deveríamos estar vivendo dias melhores. Mas não foi isso que aconteceu. Pior, à violência das ruas somou-e a violência institucionalizada, sob orientação da Governadora Yeda. Ela escolheu o Coronel Mendes, não para prender um réu confesso como César Busatto, mas para bater em pobre. Se não fosse a Polícia Federal alguém acredita que a Secretaria de Segurança Pública do Governo Yeda teria feito alguma denúncia contra os larápios do DETRAN?
A gravação divulgada por Paulo Feijó mostra quem foram e continuam sendo os sanguessugas das instituições públicas como DETRAN, BANRISUL, DAER. Deu nome e sobrenome, endereço e idade, partido e cargo, mas a RBS não mexeu um lápis para ajudar a esclarecer. Pelo contrário, perfilou-se ao lado dos larápios e deles não desgruda.

O que a tropa de chegue da Yeda, na política e na mídia, não se dá conta, é que no Governo Olívio, as denúncias foram construídas num consórcio encabeçado pela RBS e pelo que existe de mais retrógrado no RS. Ressurgiu agora com força o que, na época, registrei como Marcarthismo Gaudério em artigo publicado na Agência Carta Maior.
As denúncias envolvendo os larápios do DETRAN e o modus operandi do Governo Yeda não partiram de nenhum partido político da oposição, muito menos do PT. Aliás, o PT está calado demais para meu gosto. Calado e apanhando de graça. Parece até mulher de delegado.
O que deixa os áulicos e a turma da RBS desnorteados é que a descoberta da maior falcatrua registrada na administração pública do Rio Grande do Sul se deve ao trabalho irretocável da Polícia Federal, e à capacidade profissional e técnica da Juíza Federal de Santa Maria, Dra. Simone Barbisan Fortes, uma jovem especialista em Previdência Social.
Como Yeda & RBS não podem se voltar contra o trabalho da Justiça Federal, voltam-se contra quem quer ver tudo bem esclarecido: os honestos. Querer paz, neste caso, significa jogar lixo para debaixo do tapete, uma especialidade do Grupo RBS e sua base política na Assembléia.
Relações Umbilicais
Não nos esqueçamos que tudo o que Yeda está pondo em prática aprendeu nos corredores da RBS.

20 de fev. de 2009

A Familia Crusius Addams


O CORVO
Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais.
            É só isso e nada mais.»
 
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão) a amada, hoje entre hostes celestiais —
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
            Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundindo força, eu ia repetindo,
«É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
            É só isso e nada mais».

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
«Senhor», eu disse, «ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi...» E abri largos, franquendo-os, meus umbrais.
            Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais —
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
            Isto só e nada mais.

Para dentro estão volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
«Por certo», disse eu, «aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais.»
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
            «É o vento, e nada mais.»

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais.
            Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
«Tens o aspecto tosquiado», disse eu, «mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais.»
            Disse-me o corvo, «Nunca mais».

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos seus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
            Com o nome «Nunca mais».

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, «Amigo, sonhos — mortais
Todos — todos lá se foram. Amanhã também te vais».
            Disse o corvo, «Nunca mais».

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
«Por certo», disse eu, «são estas vozes usuais.
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
            Era este «Nunca mais».

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureira dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
            Com aquele «Nunca mais».

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sombras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sombras desiguais,
            Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-me então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
«Maldito!», a mim disse, «deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!»
            Disse o corvo, «Nunca mais».

«Profeta», disse eu, «profeta — ou demónio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
            Disse o corvo, «Nunca mais».

«Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!, eu disse. «Parte!
Torna à noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!»
            Disse o corvo, «Nunca mais».

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha dor de um demónio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais,
E a minh'alma dessa sombra, que no chão há mais e mais,
            Libertar-se-á... nunca mais!
 
Tradução de Fernando Pessoa (1888-1935) do poema de autoria de Edgar Allan Poe(1809-1849)