24 de mar de 2006

De cães e gatos


Ulisses estava prestas a desembarcar em sua ilha. Já via a fumaça (fumus boni iuris) dos fogões em terra. Relaxou e cochilou, e vice-versa. Mas seus homens, enquanto dormia, abriram o saco onde julgavam estar os tesouros do chefe. Nela estavam os ventos adversos que o deus Éolo lhe entregara quando da passagem pela ilha flutuante Eólia. Soltos, os ventos afastaram Ulisses da ilha, devolvendo-o às vicissitudes porque já passara. Nenhum marinheiro sobreviveu, e só Ulisses retornou ao lar.
Depois de tanto tempo, somente o cão Argos o reconhece, abana o rabo e morre.
Mutatis mutandis, o PT viu a fumaça do poder, acendeu as churrasqueiras do Planalto ao Torto e à Direita, e assou os movimentos sociais em fogo brando. Enquanto festejava, os Paloccis, os Delúbios e os Genuínos, escoltados por uma malta que ia de Tarso Genro aos Tiãos Viannas, abriram os sacos das doideiras autistas. Era a Utopia do Possível ou o Pragmatismo da Sete Pragas. Enquanto isso, o comandante dormia.
Quando eu chego em casa, tenho quem me abane o rabo. Já quem preferiu afastar os melhores amigos do homem, e caçarem com gatos, já estão com o rabo entre as pernas, procurando um abrigo para se enconderem.

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