28 de fev de 2010

Cui Prodest?

Frequentei apenas uma disciplina do curso de jornalismo, como disciplina complementar ao curriculum ao curso de Letras, mas foi o suficiente para saber como se compõe um Lead. É do conhecimento até do mundo mineral que um bom texto jornalístico deve responder às seguintes perguntas: quem, o quê, quando, como e por quê.

Autópsia

Eliseu SantosA quem beneficia a morte de Eliseu Santos?

Quem?

- Está lá o corpo de Eliseu Santos estendido no chão.Um pastor que preferia a proteção de suas armas do que a de Cristo, a quem prestará as contas que não lhe foram cobradas pelos veículos da RBS. Pode ser inocente, mas não ajudou a esclarecer as questões que brotaram sob suas asas, na Secretaria de Saúde de Porto Alegre.

O quê?

- Eliseu Santos, ex-vice Prefeito no primeiro governo Fogaça, entre 2005 e 2008, atual Secretário de Saúde de Porto Alegre, morreu assassinado, atirando.

Quando?

- Dia 26/02/2010, sexta-feira, às 21h27min.

Como?

- Eliseu Santos foi assassinado, com quatro tiros, na saída de um culto na Igreja Universal, próxima ao Supermercado Zaffari, na Rua Hoffman, Bairro Floresta, em Porto Alegre, na frente de mulher e filha.

Por quê?

- Eis a grande questão com que se defronta o jornalismo praticado na RBS e também razão de sua total falta de credibilidade. Não há contextualização ou, quando há, serve apenas para atender uma orientação grata ao estilo globo de jornalismo implantada por Ali Kamel: o de testar hipóteses desfavoráveis aos que a Globo não gosta. Fazia com Leonel Brizola, faz com Lula e fará qualquer um que não se enquadra aos interesses do PIG. Os que não gostam do PT e acham que pensam na morte de Celso Daniel como queima de arquivo já saíram atacando, como quem diz: quem tem o cadáver de Celso Daneil nãopode velar defunto alheio. Ora, para mim é somente uma confissão: é queima de arquivo, tal qual achamos que tenha sido a de Celso Daniel.

Eliseu Santos (PTB/RS), ao participar da Gestão Fogaça, passou a frequentar o submundo da política que tomou conta do RS com a tomada do poder por dois ex-funcionários da RBS: Yeda Crusius (PSDB/RS) e José Fogaça (PMDB/RS). A primeira denúncia partiu da empresa Reação, segundo a qual Marco Antônio de Souza Bernardes, também do PTB/RS, estaria extorquindo a empresa em nome de Eliseu Santos, conforme informação de maio de 2009.

A Reação é uma empresa de limpeza e segurança, atividade compatível com os fatos! Teria sido uma reação desproporcional?

A Reação não estava Sollus

O Superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, confirmou que Eliseu havia prestado depoimento, no dia anterior, sobre fraude detectada nos contratos da empresa Sollus, que administrava até dezembro de 2009, o Programa de Saúde da Família da Prefeitura de Porto Alegre, administrada por José Fogaça (PMDB/RS). Coincidentemente, a mesma Secretaria virou alvo de mais problemas. E lá estava ... Eliseu, o pastor que acreditava mais em armas do que em Deus. Afinal, com que explicação alguém vai ao culto armado? Mais coincidência. A Revista Carta Capital deste final de semana informou que Yeda e Fogaça usaram verbas da saúde para alcançar o famigerado "déficit zero".

A Operação Pathos da Polícia Federal, que investiga a Sollus, apura o desvio de R$ 9 milhões dos cofres municipais entre 2007 e 2009. Sede da Sollus? Piracicaba, São Paulo! Agora procure informações esclarecedoras sobre esta investigação e as acusações que pesam contra a prefeitura de Porto Alegre nos veículos da RBS. Déficit zero de informações!

Xi_cago!

O que vem acontecendo na política no RS guardam semelhança com o que acontecia em Chicago, no início do século XX. Lá como cá, há um conexação de crimes que só são explicados se interpretados à luz da máfia. A menos de 500 metros do local onde Eliseu Santos foi asssassinado, outro crime aconteceu nas mesmas circunstâncias, e até hoje muito mal explicado. A eficiência da polícia gaúcha é igual ao déficit zero. Empulhação.

Em 4 de dezembro de 2008 o ex-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), Marco Antônio Becker, foi assassinado com os mesmos indícios de queima de arquivo. Igualmente em circunstâncias ainda não exclarecidas, outro componente do grupo político domina a política rio-grandense, Marcelo Cavalcante, apareceu morto em circunstâncias ainda não esclarecidas.

Marcelo Cavalcante

Marcelo Cavalcanti foi ex-assessor de Yeda Crusius no Congresso Nacional. Pela lealdade e serviços prestados, desempenhou importante papel financeiro na campanha de Yeda Crusius (PSDB/RS), em 2006, ao lado de Lair Ferst, razão pela qual Yeda o nomeou chefe do Escritório de Representação do Rio Grande do Sul, em Brasília.

Collor teve um PC, Yeda, um MC!

No dia 17 de fevereiro de 2009, o corpo de Marcelo Cavalcanti apareceu boiando sob a Ponte JK no Lago Paranoá, em Brasília. Quando Marcelo foi "suicidado" por Carlos Crusius na véspera de prestar depoimento ao MPF sobre fitas de áudio e vídeo que mostravam esquemas de corrupção e caixa 2 na campanha da governadora Yeda nas eleições de 2006. A investigação esteve e está a cargo da polícia subordinada ao ex-líder do governo do PSDB no Senado, José Roberto Arruda, ex-PSDB, ex-DEM, ex-governador do Distrito Federal. A mesma polícia que não viu nada acontecer no governo do Distrito Federal também não consegue concluir o inquérito a respeito da misteriosa morte de Marcelo Cavalcanti. O parentesco político e a similaridade administrativa com Yeda Crusius é mera coincidência...

Jaguncismo Político & Coronelismo Eletrônico


O que não é coincidência é a importação do jaguncismo nordestino para a política riograndense. Não nos esqueçamos que os partidos que aí estão na administração do Estado e de Porto Alegre tem um discurso estribado nas orientações da RBS pela "pacificação do RS". E a pacificação começou com Germano Rigotto e a implantação de uma política de segurança alicerçada na delapidação dos cofres públicos. Continuou com o Cel Mendes na Secretaria de Segurança de Yeda Crusius e, depois, com as mortes seletivas de pessoas envolvidas em esquemas de corrupção.

O assassinato do sem-terra, Elton Brum da Silva, foi saudado pela RBS com a seguinte chamada: MST ganha seu mártir. É, a RBS não se envergonhou de assumir de público sua maneira de pensar, que não corresponde com a do MST. A RBS chamou de mártir, o MST deu o único nome possível: assassianto. Duas entidades, duas formas de pensar. Quem aplaudiu o assassinato do sem-terra tem razões de sobra para comemorar os assassinatos de Marcelo Cavalcanti e de Eliseu Santos.

Conclusão

Conclui-se, pelo menos neste momento, é que a pacificação implantada no RS pelos ex-funcionários da RBS é a paz dos cemitérios. E que os recentes acontecimentos não são exceção, mas consequência da forma de atuação política que conta com a cobertura da RBS. Não fosse assim, a RBS procuraria fazer jornalismo, propondo-se a responder: quem, o quê, quando, como e por quê!

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