24 de abr de 2005

Equador

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!


A população equatoriana identificou no gesto brasileiro de abrigar o presidente deposto daquele país como ato de solidariedade com o crime. De fato, fica difícil admitir que Collor merecesse asilo político em qualquer país da Amércia do Sul pelo simples fato de ter sido chamado a pagar pelo que se fez, na forma da Justiça brasileira.
Neste domingo (24/04/05), o jornal El Comércio, ao mesmo tempo que diz que o asilo se tornou uma pedra no sapato do governo brasileiro, também diz que o Brasil pensa retirar seu embaixador de Quito.
Pode ser considerada perseguição política a abertura de processo para julgar os crimes dos militares argentinos ou de Augusto Pinochet? Eis aí uma boa razão, por exemplo, para os EUA não ratificarem tratados internacionais que tratam da criação de tribunais para julgarem crimes contra a humanidade. Não querem enfrentar tribunais fora de seu país, mas podem se arvorarem em polícia onde assim o desejarem...
Menem foi preso, pelos seus atos. De la Rua foi deposto, pela inoperância. Fujimori fugiu, orientado pela própria consciência ou pelos seus advogados. No Brasil, pelo que está se vendo agora, roubar é atitude... política. Se não puder ou for pego com a mão na botija, é perseguição política. Talvez seja por isso que Maluf, FHC e Jucá nunca tenham sido condenados. O juiz Nicolau Lalau paga sozinho quando se sabe que, se recebeu, alguém entregou (ou ele tinha um cópia da chave do cofre, ia lá pegava alguns maços de dinheiro e sumia como se fosse o homem invisível?!). Do outro lado do balcão também baitia um coração, digo, um ladrão...

O que Lula e sua enturage pensam? Criar jurisprudência? Garantir uma contrapartida futura? Em uma semana, de 13 a 20 de abril (sete dias... sete anos...), o povo equatoriano fez fumaça de seu presidente. Aqui, o petismo federal, acossado pela velharquia, relativiza a ética e a inteligência dos eleitores. Contra as nomeações de Severino foram valentes. Severino cedeu, aí foi a vez do PT botar o rabo entre as pernas. A família petista é nePeTista também! Não faltou líderes petistas para relativizar a necessidade de regulamentar a ascenção social da família dos próceres políticos. Justificam que, ao mesmo tempo que não se pode sair nomeando pai, mâe e amante, também seria injusto não nomear a filha cheinha de predicados.
Nós, simples mortais, sabemos que, se for verdade, a filhinha predicatosa bem que poderia demonstrar seus atributos em concurso. Se há concurso até para Miss por que não pode haver para receber R$ 7.000,00 mensais, sem contar outros dividendos, dos cofres públicos. Cargo de Confiança é para desenvolver as atribuições de forma qualificada e não para servir de conluio.
Afinal qual a diferença entre Lucio Gutiérrez e Lula? Aquele, além de abandonar o programa que o havia alçado ao governo, usou do próprio poder para reprimir as manifestações. Lula abandou o programa, adotou o do seu antecessor, mas mas ainda não botou a polícia a reprimir os movimentos sociais. Nem precisa, a polícia é estadual.... Mas o que é de sua alçada, que é o investimento em segurança para evitar mortes, isso ainda não aconteceu. Peca, no mínimo, por omissão.

Ostracismo
Ao invés de premiar ex-presidentes com cargos vitalícios, Lula deveria resgatar a lei ateniense do Ostracismo: banir do solo pátrio por dez anos os ex-presidentes. Ou então, obrigá-los a viver por dez anos com a média do salário mínimo praticado no período em que governaram...

Frase do Dia: "Os ex-escravos são os melhores capatazes!"

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