7 de jul de 2009

A Construção de um Álibi

Em breve num presídio bem perto de você!

O Grupo RBS planejou a construção de uma verdade que lhe interessa. Vai divulgado, a reboque dos acontecimentos, pequenos dados dissociados dos autores. Disseca o cadáver mas não conta a causa mortis. Há fatos, sem sujeitos. O primeiro vilão foi o DETRAN. Para o grupo RBS a pessoa jurídica DETRAN havia cometido irregularidade, pois em nenhum momento apareciam os autores, ou os condutores da autarquia quando da ocorrência dos fatos. Ao mesmo tempo, seus colonistas e comentarias nos mais variados veículos do grupo RBS mostravam uma harmonia de canto gregoriano. A ladainha uníssona vociferava contra o estado de coisas do denuncismo, dando voz aos que coadunavam a esta tese, e silenciando ou tentando desconstruir o que se ousavam pedir esclarecimentos. Vianey Carlet, Pedro Ernesto Denardin, Kenny Braga (para citar apenas alguns donos da verdade política no âmbito desportivo) defendiam e continuam defendendo Yeda usando do expediente de atacar qualquer um que não seja do PMDB, PSDB, PP ou DEM. A manobra é tão canhestra que, também uniformemente, estão buscando associar Sarney a Lula. Freud não explicaria, ficaria chocado... Em compensação, Totó Riina e Tomaso Buscetta dariam risadas...
Aquilo que costumeiramente os veículos do grupo RBS fazem, e praticam muito bem há muito tempo, que é incluir todos os membros de determinada agremiação, ou governo, não vem acontecendo quando o assunto é corrupção no governo de seus ex-funcionários. Quando havia denúncias no Governo Olívio Dutra, todo o governo e também todos os petistas eram responsabilidzados, hostilizados. O mesmo no âmbito Federal. As denúncias de corrupção no Governo Lula são atribuídas a Lula e todos os petistas, mesmo quando cometidas por aliados de outros partidos. O caso do Senado é emblemático. Todas as acusações contra Renan Calheiros e contra José Sarney são feitas envolvendo o nome do Presidente e do seu partido, embora os dois pertençam ao PMDB. A orquestração é tão flagrante que fatos relacionados a gestores anteriores do Senado são atribuídos aos dois, Renan e Sarney. Por que eles não fazem o mesmo com os crimes praticados contra a administração pública aqui no RS? Por que não dão a dimensão partidária para as denúncias envolvendo Eliseu Padilha, César Busatto, Yeda Crusius, Francisco Fraga, José Otávio Germano e tutti quanti? Aliás, se dependêssemos dos veículos e comentarias do Grupo RBS, sequer saberíamos os partidos dessa gente. O envolvimento destes personagens são pessoais, mas os envolvimentos de pessoas de partidos com os quais a RBS têm alergia são partidários. Tome-se o exemplo do MST!
A manchete do jornal Zero Hora de hoje, 07/07/2009, é emblemática. "As denúncias de Lair: Yeda " - São fatos sem comprovação". Na redação da RBS não há só uma reforma ortográfica, mas também uma alteração semântica. Desde quando fatos precisam ser comprovados? Quando se trata de seus ex-funcionários, os "fatos" precisam ser comprovados. A parcialidade do Grupo RBS fica por demais evidente quando se verifica que todas as denúncias partiram de pessoas vinculadas à Governadora, seja por afinidade partidária, seja afinidade ideológica. Mas a oposição acaba parecendo culpada pelos "fatos". O vice-governador gravou e mostrou o modus operandi. Uma infinidade de Secretários saíram atirando. Todos personagem que privavam da intimidade de Yeda Crusius. Não foram tresloucados oposicionistas, ou agentes do MST, mas o PC Farias do PSDB, Lair Ferst, o Vice-Governador, Paulo Feijó (do DEM) e Adão Paiani (ex-ouvidor sem partido) que mostraram os "fatos". Tudo gravado e documentado.
A linha de defesa de Yeda Cruius no âmbito da RBS vem delineada pela editora de política, Rosane de Oliveira, quando diz que "Falta o Principal": "Falta a ele (Lair Ferst) credibilidade para ser o detonador da CPI." Deve faltar credibilidade a Lair Ferst porque ele é do PSDB, se fosse do PT não haveria dúvida...
Não que me surpreenda. Acompanho a RBS há muito tempo para me sentir chocado com o sua atuação político-partidária atual. O despudor parece mais uma aposta empresarial de gangsters. Se alguém quiser compreender a linha de atuação da RBS, nos mais diversos ramos empresariais que se aventurou, basta conhecer a história da Máfia. O canal MGM da SKY e NET mostrou recentemente um seriado em doze capítulos intitulado Corleone (em italiano, Capo dei Capi), baseado na vida de Totó Riina. Quem teve o privilégio de ver vai entender o asilo concedido pelo Grupo RBS aos ex-agentes do governo do professor Cardoso, do PSDB: Pedro Parente e Armínio Fraga. As refregas bissextas com o Correio do Povo servem de pista, de ponto de partida para esclarecer o perfil empresarial da RBS.
Quando tudo acabar, a RBS ainda poderá dizer que mostrou tudo a seu tempo. É o álibi.

Um comentário:

Gilmar Antonio Crestani disse...

Dicionário Aulete Digital (http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=fato)

fato1 (fa.to)

sm.

1. Ato, feito, acontecimento, evento, circunstância: "(...) embora [as secas] sejam o único fato de toda a nossa vida nacional ao qual se possa aplicar o princípio da previsão." (Euclides da Cunha, Confrontos e contrastes))

2. O que é real ou verdadeiro; REALIDADE; VERDADE [ antôn.: Antôn.: inverdade, mentira ]

3. Ocorrência, evento observado objetiva ou cientificamente: A conquista espacial foi um fato admirável.

[Nestas acps., nos demais países lusófonos, usa-se facto.]

[F.: do lat. factum.]