22 de jul de 2005

A Esperança

Vê-se que não é mais possível sustentar ingenuamente a ausência de contaminação do Governo com toda a sorte de improbidades e negociatas que vêm sendo revolvida à custa da grande chafurda orquestrada pela oposição e governo...O grande plano do Partido dos Trabalhadores de se perpetrar no poder a qualquer custo, implementando eficientemente os ensinamentos de Maquiavel, parece não ter encontrado barreiras naquelas férteis terras do Planalto, tão acostumadas à germinação de práticas antigas espúrias, as quais deviam já estar planejadas e encontravam-se ocultas sob o pentagrama-símbolo. A esperança, último dos elementos que restara da Caixa de Pandora aberta por Epimeteu, que na visão de Nietszche era a pior das mazelas, capaz de impedir a ação da busca da verdade, acaba de deixar o povo, pois esvazia-se com o mito toda uma oportunidade, até então pensada e ansiada como possível por uma Nação inteira. O abandono da esperança, corolário óbvio destes tempos, sepulta, especialmente aos mais vulneráveis socialmente, a chance de, ainda no processo em curso, verem algumas de suas demandas de subsistência atendidas. No entanto, àqueles que pensam em soluções mais efetivas de longo prazo, a subtração da esperança pode levar à consecução da verdade e da recomposição da ética e da moralidade no Brasil. É certo que o processo ora deflagrado possui prismas complexos e variados ângulos de análise, sobre os quais competentes cientistas políticos, políticos, sociólogos e estudiosos pátrios, bem como do exterior, debruçar-se-ão durante muito tempo tentando entendê-lo em sua plenitude, formulando muitas hipóteses na busca das respectivas causas e conseqüências de tudo o que vem acontecendo. A par disso, tudo o que vem ocorrendo, e do quanto ainda vai ser levantado pelas esferas próprias, na vida política do País vem sendo objeto de singela, mas percuciente, análise do cidadão comum, do homo medius, que, em suma é o definidor dos rumos e futuros dos governos e das nações. Este cidadão, que possui o poder legítimo de escolher seus representantes e de apeá-los do poder, e que está se sentindo traído quanto a sua esperança, está fazendo seus juízos de valor acerca dos deslizes éticos, morais e criminais em exame, e, com certeza, vai em busca da verdade. Todos temos consciência de que a opinião pública volta-se aos acontecimentos do Planalto, e aos demais episódios que enxundiam a ética e a moralidade para com a coisa pública em nosso País, tais como as propinas de Rondônia, e os escândalos de sonegação de conglomerados financeiros, e os classifica no justo padrão de crise geral de moralidade e ética, com todos os desdobramentos que esta avaliação pode representar. Tais conclusões, visíveis na sociedade em geral, deve soar como um alerta aos nossos dirigentes políticos de que a população, livre de sua esperança, anseia pela verdade e por justiça e está cansada do marketing, e que, os que não concorrem positivamente para o alcance de tais anseios vão ver suas esperanças eleitoreiras espalharem-se ao vento, como os demais elementos do mito.

Aldronei Rodrigues

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