19 de jul de 2005

A FIESP é contra: POR QUÊ?

Com exceção do colunista abaixo, a imprensa paulista, patrocinada pela FIESP, está revoltada contra a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público Federal. Eis aí por que os políticos também se sentem à vontade para roubar. Se todos os ricos podem, porque eles não podem? Locupletemo-nos todos!


LUÍS NASSIF - Folha de São Paulo, 19/07/2005
Por dentro da operação Daslu
A crise Daslu e a crise PT têm um ponto em comum: o início do trabalho profissional integrado entre Polícia Federal, Ministério Público e Secretaria da Receita Federal. A partir do momento em que se apertou o torniquete sobre doleiros e esquemas "offshore", tirou-se o oxigênio do submundo político e empresarial.
Alguns detalhes de como foi montada a operação Daslu demonstram o profissionalismo da ação.
Os funcionários da Receita e da Polícia Federal foram convocados na sexta-feira, dia 8. Os técnicos achavam que seria uma ação contra sacoleiros em Foz do Iguaçu. Na segunda-feira, às 17h, ficaram sabendo que deveriam levar paletó e gravata. Pensaram em pente fino no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.
Às 16h do dia 12, chegaram ao auditório da Superintendência da SRF, na avenida Prestes Maia. O superintendente avisou que iriam imediatamente para Guarulhos e ficariam hospedados no Ibis.
No jantar, foram informados de que deveriam estar prontos para partir às 2h30 (madrugada). Saíram em 30 carros e foram para a sede da PF em São Paulo, em um auditório em que se encontravam os 240 delegados e agentes da instituição. Os superintendentes da PF e da SRF e o procurador informaram que a operação se chamava Narciso e que iria desmontar o esquema Daslu. Avisaram que anteciparam a operação em razão de vazamento de informação e de haver muita gente influente envolvida.
As equipes foram montadas com um delegado da PF, dois ou três agentes da PF (com submetralhadoras), um ou mais auditores da SRF e o motorista. Em cada equipe, o delegado recebeu um kit com os mandados e os termos necessários; o auditor da SRF recebeu uma pasta mostrando todo o esquema fraudulento e indicando os documentos de interesse para apreensão. Só aí souberam os endereços a serem investigados.
Não houve abusos, relata um auditor. Os agentes não apontaram arma para ninguém, ninguém humilhou qualquer pessoa. "Recebemos ordens para agir discretamente e fomos educados. Os auditores da SRF receberam ordens para não dar entrevistas. Tanto é que tinha gente que saía da loja e nem havia percebido a nossa presença", conta ele.

Esquema
Segundo o relato desse auditor, o esquema Daslu, na verdade, funcionava assim:
1) A empresa de Miami comprava o vestido por US$ 1.000 e exportava com notas de importadoras de fachada por US$ 100.
2) A importadora de fachada pagava os impostos no desembaraço no valor da nota subfaturada e repassava para a Daslu praticamente sem margem de lucro. Não pagava nenhum tributo (exceto os do desembaraço). Depois de 12 ou 14 meses, fechava as portas com prejuízos.
3) Na loja, o tal vestido era vendido por valor equivalente a US$ 4.000 e era emitida nota fiscal. Porém duas das três equipes que foram ao endereço antigo encontraram caixas que continham notas fiscais de venda de 2004 e de 2005 com todas as vias, inclusive as do fisco, além de outros documentos importantes (fluxogramas de operação), escondidos em caixas, com a palavra "Incinerar".

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