13 de out de 2004

No acostamento

O PT sempre lutou para chegar lá. Desde sua origem montou uma estratégia, e nisso ele não está sozinho, visando chegar ao poder central. Todos os passos eram dados no sentido de aplainar o caminho para o Planalto. Este mesmo caminho trilhou o PSDB.
Lula, obcecado pela idéia de ser chefe supremo do executivo, menosprezou qualquer outro degrau na hierarquia política. Pelo menos FHC galgou degrau a degrau. Ambos chegaram lá, e, uma vez lá, ambos passaram a sonhar com a visibilidade externa. O que prova que a ambição pessoal não tem limites. É da nossa natureza queremos ascender sempre e cada vez mais alto, não é mesmo?! Que o diga Ícaro!
Ambos, Lula e FHC, têm em comum um alheamento da realidade, uma espécie de autismo político que afeta principalmente os deslumbrados com a transitoriedade do poder. FHC foi-se, Lula irá!
Preocupados em mostrarem boa educação, pensando serem bem aceitos no banquete dos grandes mandatários, dão prioridade ao bom-mocismo externo. Dívida é dívida, diz o banqueiro, tem de pagar! E assim vem sendo feito. E por isso, para figurarem entre as "nações civilizadas", é que a dívida externa vem sendo a única a merecer a atenção.
E como fica a dívida social? Veja-se o caso das estradas brasileiras. O máximo que merecemos é uma operação tapa buraco! Só no RS foram 26 mortes neste feriadão. E aí os juízos apressados correm a culparem os motoristas. Poucas e péssimas estradas, com tráfego intenso e mal sinalizadas as causas das mortes são. Ora, basta ultrapassar a fronteira para se ter certeza que a grande causa das mortes não é a velocidade. Na Argentina, por exemplo, o limite de velocidade é bem superior ao nosso. Mas as estradas são mais largas e melhor conservadas. No Brasil, a insensibilidade deste e dos governos anteriores manda jogar a culpa da tragédia às próprias vítimas.
"Campanha de conscientização" é desvio, atalho para jogar dinheiro no caminho da mídia!
E por esse caminho de insensibilidade que Lula está pondo o PT no acostamento. Marta Suplicy em São Paulo e Raul Pont em Porto Alegre tiveram suas administrações bem avaliadas pela população. No entanto, estão sendo rejeitados nas urnas. A população, nestes dois casos, mesmo sem saber, está seguindo uma velha máxima marxista: "Pensar globalmente e agir localmente." Pensam no governo Lula e agem no município. O desastre federal é vivenciado no município! Assim como se reclama ao bancário, e não ao banqueiro, a conta do petismo federal está sendo espetada nas costas dos candidatos a prefeito.
Subalternos obedientes, Marta Suplicy e Raul Pont têm se prostrado em direção a Lula, virando a bunda para o povo. Agora, na corrida municipal, o pontapé virá!

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