22 de mai de 2004

Método Delfim empolga Lula

O Brasil desce ao fundo do poço. Quem o levou lá? Lula diz que foi FHC, o que deixa implícito o reconhecimento de que, de fato, estamos no fundo do poço. Mais explícito, contudo, é a continuidade do economicismo, do fiscalismo sobre a agenda social. Não se trata apenas de incongruência de um governo destrambelhado, mas coerente quando se trata de facilitar a vida de quem já tem o suficiente para usufruí-la. Veja-se o lucro dos bancos que, mês a mês, se superam.
Tudo isso, que é tanto, é pouco se observados os métodos utilizados para nos convencer do excepcionalidade do momento. Ora, se você desce uma escada de 100 degraus, o primeiro degrau de retorno já é uma melhora. Até aí, estamos conversados, mas a coisa é dita de tal forma como se os demais 99 degraus descidos não significassem nada. Para retornar ao status quo anterior, faltam 99 degraus. Isto é, há um longo caminho de volta para se chegar a estaca zero.
Ao mostrar os jornais que dizem que a economia está crescendo, Lula nada mais faz que utilizar o método Delfim, dizer meias verdades para esconder grandes sacanagens. A economia cresceu em abril, diz. Falta, contudo, crescer para recuperar a quebradeira dos anos anteriores, e também para dar emprego aos que estão entrando no mercado de trabalho agora.

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